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Apesar de cortes, MS depende da União

Graciliano Rocha / Campo Grande News - 29 de maio de 2006 - 16:29

Em entrevista ao Campo Grande News, o secretário Ronaldo Franco (Gestão) afirmou que a meta financeira prevista com os cortes de pessoal, salários e custeio deverá ser atingida, mas o equilíbrio das contas públicas continuará dependente do repasse de recursos federais para conseguir zerar o déficit. Como a LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal) proíbe transmitir dívidas para o sucessor, o governador Zeca do PT tem até dezembro para equilibrar o volume de recursos que entram no governo com o que sai do caixa. O déficit atual é estimado em R$ 20 milhões por mês. “Os cortes não são vontade, são uma necessidade e não temos encontrado resistência no conjunto do governo”, afirmou Franco. Dos R$ 240 milhões que o governador precisa conseguir para entregar a casa em ordem para o sucessor, somente R$ 50 milhões deverão sair do ajuste fiscal anunciado este mês. O restante, R$ 190 milhões, disse Franco, deverão vir da União a título de compensação previdenciária (Ipemat). No seu pólo interno, o pacote inclui um corte de custeio que resulte em uma economia de R$ 36 milhões. Os outros R$ 14 milhões deverão vir da demissão ou redução de salários (até 22%) dos cerca de 1,8 mil funcionários que ocupam cargos de confiança (não concursados). Para atingir a meta, o governo determinou que cada secretaria e autarquia promovesse sua cota no aperto do cinto. Os secretários já começam a apresentar o esboço dos cortes à secretaria de Gestão, responsável pelo acompanhamento do cumprimento da cota. No caso das demissões ou corte de salários, acredita ele, o quadro estará completo entre 1º e 15 de junho. “O espírito é muito simples: se o governo não tem condições de correr a 120 km/h, terá de andar a 80”, disse Franco, atribuindo o déficit à queda na arrecadação do governo depois da crise na agropecuária. O secretário voltou a negar que a máquina estivesse inchada, como acusa a oposição. “Tínhamos uma previsão de receita que não se concretizou, são medidas necessárias do ponto de vista financeiro, mas que não vão paralisar a máquina”. Cortes e política – Enquanto no intramuros do Parque dos Poderes os cortes já são dados como assunto velho, nos bastidores da política há quem avalie não a existência, mas a dimensão de danos ao candidato de Zeca do PT a sua sucessão, o senador Delcídio Amaral (PT). Franco rejeita a tese de estragos nas pretensões eleitorais dos petistas com o raciocínio de “se o governo Zeca termina bem, disse, o PT vai estar bem”. Segundo ele, se os cortes não fossem feitos agora haveria risco de atraso no pagamento de salários do funcionalismo e isso geraria um desgaste muito maior. “O que é preferível: fazer os cortes de custeio e a partir de cargos comissionados ou atrasar o salário de 52 mil [servidores]? Podemos ter sido o governo que mais investiu no social, que mais construiu casas ou cuidou das estradas, mas se deixarmos o salário atrasar, tudo isso vira pó”.

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