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Pesquisa sobre a ocorrência de traucoma

Agência Notisa - 20 de abril de 2006 - 07:38

Resultados mostram que pertencer a níveis sócio-econômicos baixos, hospedar pessoas de áreas endêmicas e possuir caso na família nos últimos seis meses aumentam as chances de uma pessoa desenvolver a doença.

O tracoma é a segunda causa de cegueira em todo o mundo. No Brasil, houve um declínio acentuado da prevalência do tracoma, principalmente nas regiões mais desenvolvidas, como o sudeste. No entanto, mesmo em locais como a região metropolitana de São Paulo ainda há casos da doença, e os principais fatores de
risco seriam pertencer ao estrato social de menor poder aquisitivo, hospedar pessoas originárias de área endêmica e a existência com outro caso na família. Isso é o que mostram pesquisadores das universidades de Santo Amaro e de São Paulo em um estudo que teve como objetivo identificar os fatores associados ao tracoma entre escolares e pré-escolares residentes em comunidades de baixa renda do município de São Paulo.

Participaram do estudo 8.727 alunos matriculados em seis pré-escolas e oito escolas públicas de ensino fundamental e médio. De acordo com artigo publicado nos “Cadernos de Saúde Pública”, foram identificados 150 casos de tracoma em escolas selecionadas. A idade dos escolares que participaram deste estudo variou de 4 a 18 anos, com mediana de 10 anos. Houve um discreto predomínio do sexo masculino“.

Os pesquisadores observaram que a maioria das crianças com tracoma pertencia a estratos sócio-econômicos de menor renda e de baixa escolaridade. Segundo eles, a higiene do rosto com freqüência igual ou maior a três vezes ao dia se mostrou um fator protetor. “Condições inadequadas de higiene favorecem a transmissão da C. trachomatis por meio do contato com secreções. Estudo longitudinal realizado em dois momentos, num intervalo de seis anos, verificou que crianças que apresentaram higiene inadequada da face na primeira observação e adequada no acompanhamento mostraram menor probabilidade de apresentar tracoma intenso do que aquelas com higiene inadequada nos dois momentos do estudo”.

Dessa forma, a equipe sugere a inclusão de treinamento de professores de pré-escola e do ensino básico na estratégia de controle do tracoma, com a finalidade de desenvolver atividades educativas visando à incorporação, pelas crianças, de hábitos rotineiros de higiene facial, focalizando principalmente menores de dez anos. “Por outro lado, é importante estabelecer como rotina da rede básica de serviços, o tratamento com antibiótico de todos os casos com evidência clínica de tracoma ativo, assim como de seus familiares e contatos domiciliares”, destacam os especialistas no artigo.


Agência Notisa (jornalismo científico - science journalism)

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