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O que esperar dos tratamentos no futuro

EPharma Notícas - 28 de fevereiro de 2016 - 11:30

Diversos fatores contribuem para que um medicamento faça determinado efeito em uma pessoa em não funcione da mesma forma em outras. Diferenças como idade, hábitos alimentares, tempo de sono, associação com outro(o) medicamento(s), ser ou não fumante, estado de funcionamento dos rins, são apenas alguns destes fatores. Porém, está ficando cada vez mais claro que fatores genéticos, são também grande importância.

A influencia da genética em toda esta diferença, está nos genes de cada um de nós, que carregam instruções para a produção de enzimas pelo fígado, responsáveis pela metabolização dos medicamentos, para que possam ser eliminados do organismo após um certo período.

Muitos medicamento ao serem tomados, já estão em sua forma ativa e, logo após absorvidos, já começam a produzir efeitos no organismo. Este medicamento, embora produza efeitos benéficos, necessita ser eliminado do organismo, sob o risco de nos intoxicar. O fígado é o órgão responsável pela modificação (metabolização) do medicamento para que o mesmo possa ser eliminado, produzindo enzimas que torna o medicamento inativo e pronto para ser excretado pelos rins ou intestino.

Quando variações genética fazem que estas enzimas não funcionem corretamente ou, não sejam produzida em quantidades suficientes, o organismo passa a ter dificuldade de se livrar do medicamento de forma eficiente, podendo levar a um acúmulo deste no organismo e pode resultar em efeitos colaterais graves.

Outros medicamentos são consumidos em sua forma inativa e são metabolizados no fígado para ficarem em sua forma ativa. As enzimas no fígado que fazem essa metabolização são essenciais neste processo. Para essas medicações, quando as enzimas não fazem seu trabalho bem, por uma variação no gene, a droga não pode ser convertida em sua forma ativa e terá o seu efeito reduzido.

Diferenças em como as enzimas metabolizam os medicamentos podem significar que pessoas precisam de doses diferentes para chegar ao mesmo efeito, ou que alguns medicamentos não são efetivas para aquele paciente. Muitas variações de genes são comuns na população e podem afetar de muitas maneiras decisões sobre qual o medicamento certo ou qual a dose certa.

Como a ciência utiliza isto em favor do paciente

Ao entender como as diferenças genéticas funcionam, médicos podem tomar atitudes mais personalizadas ao escolher a medicação e a dosagem. Isso é chamado de farmacogenética e os testes para guiar o uso de medicamentos estão ficando mais comuns. Esse tipo de tratamento personalizado é um exemplo de medicina de precisão, que está sendo apontada como parte importante do futuro dos cuidados médicos.

A farmacogenética hoje

Crianças com leucemia são testadas para variações de genes que metabolizam um medicamento chamada thiopurines. Esses medicamentos são muito usados no tratamento de crianças com leucemia e são utilizadas já em sua forma ativa. Os médicos realizam teste laboratoriais para saber como o paciente metaboliza este medicamento e, caso este paciente não o metabolize bem, apena 1/10 um décimo da dose é aplicada e, este fará o mesmo efeito do que a dose padrão, em outro paciente que metabolize normalmente, com a vantajem de praticamente eliminar os risco de intoxicações.

Para medicamentos que são convertidos em ativos pelo fígado, variações genéticas podem significar que essa pessoa precisa tomar um tipo diferente ou outra medicação. Um exemplo disso é a droga chamado clopidogrel (Plavix), usado para evitar coagulação de sangue após ataques cardíacos ou aplicação de balões de angioplastia.
Variações genéticas fazem com que entre 25% e 30% dos pacientes não possam converter o medicamento para sua forma ativa. Quando pessoas com essas variações de genes tomam o clopidogrel, ele é menos efetivo em prevenir ataques cardíacos e enfartes. Para estes pacientes, os médicos têm que prescrever um medicamento diferente.

Essa mesma estratégia está sendo usada mais frequentemente para selecionar drogas contra o câncer, apesar de que na maioria dos casos é a genética do tumor, e não do paciente, que está sendo testadas para a escolha. A maioria das novas drogas aprovadas para tratamentos nos últimos anos é desenvolvida para um tumor com determinado genótipo.

O que esperar para o futuro

O exemplos acima mostram o potencial de uso de informações genéticas para guiar as terapias com medicamentos. Atualmente, mais de cem medicamentos têm informações farmacogenéticas em seus rótulos, conforme normatiza a Administração de Alimentos e Drogas (FDA), a agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos. Com o tempo, mais e mais medicações devem ser adicionadas à lista que mostra para quais informações genéticas elas devem ser usadas.

No entanto, no futuro espera-se que todo o genoma de um indivíduo (todas as três bilhões de letras em seus códigos genéticos) possam ser obtidos e armazenados para uso no decorrer de sua vida. Quando isso acontecer, usar essas informações para chegar a recomendações personalizadas contará com o trabalho de um computador, que vai casar a informação genética com o conhecimento das drogas. Estamos a uma década ou mais dessa realidade. No meio tempo, o número de drogas que podem ser guiadas por genética e pelo número de pessoas que se beneficiarão deve aumentar.

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