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Equipamento parado suspende exames toxicológicos em MS

Fernanda Mathias/Campo Grande News - 17 de abril de 2006 - 11:07

Há duas semanas exames toxicológicos, cujos pedidos por delegacias de todo o Mato Grosso do Sul chegam a 40 por dia, estão parados. O Instituto de Análises Laboratoriais Forense espera pelo conserto do cromatógrafo a gás, equipamento responsável pela análise de substâncias tóxicas a partir da quebra de moléculas, que custaria pouco mais de R$ 1 mil. A informação é da diretora do Instituto, Ceres Ione Maksoud. Segundo ela, o equipamento é o que proporciona maior precisão na identificação da composição de tóxicos como cocaína e outros como medicamentos e agrotóxicos.

Sem ele, afirma, os peritos estão se negando a emitir laudos, que a qualquer momento podem ser contestados. “Quem vai nos defender? Se errarmos um laudo quem responde somos nós mesmos”, afirma Ceres. No caso da cocaína e de outras drogas, os testes com reagentes podem trazer resultados duvidosos ou confusos. Dependendo do componente que estiver adicionado à cocaína, por exemplo, ela pode reagir diferente. Além disso, existe reação muito próxima com a apresentada por outras substâncias, como a lidocaína.

A suspensão da emissão de laudos traz sérios problemas ao perito, que vê seu trabalho se acumular, ao juiz e ao advogado, conforme reconhece Ceres. Com o cromatógrafo é possível obter resultado de exames e 10 minutos, o que otimiza o trabalho dos três peritos do Instituto, que atendem à demanda de todo o Estado.

Dentre os exames que devem esperar para serem realizados está o da substância que provocou a morte de Jéssica Ferreira Melo, 15 anos e deixou seu avô Selso Fernandes, 66 anos, em estado grave. Ambos tomaram líquido que estava em um frasco de xarope e suspeita-se de intoxicação por agrotóxico ou inseticida. O frasco, que foi entregue ao Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) ainda não chegou ao Instituto.

O cromatógrafo foi adquirido pelo governo do Estado no ano de 1997 e custaria hoje algo em torno de R$ 300 mil, segundo Ceres. O aparelho já foi danificado em uma ocasião por descarga elétrica e consertado pela Enersul. Em outra ocasião ficou por 3 anos a espera de manutenção e foi reativado na última gestão a Sejusp (Secretaria de Justiça e Segurança Pública). Ceres afirma que, como ficou parado por muito tempo, era esperado que alguns componentes apresentassem defeito. Desta vez foi detectado no trap, segundo ela, uma espécie de fusível responsável pela quebra da molécula da substância em análise. A manutenção é feita por técnicos que vêm de São Paulo.

Ceres afirma que existe no mercado outro equipamento de Cromatografia em Camada Delgada, que permite a distinção de substâncias no caso da cocaína, mas o custo, afirma, seria equivalente ou maior que o conserto do cromatógrafo. No caso da maconha, existem outros métodos seguros para análise, considerando a parte organoléptica e botânica da droga.

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