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Brasil produzirá soro em pó contra veneno animal em 2004

Beatriz Pasqualino/Agência Brasil - 12 de setembro de 2003 - 09:45

No início de 2004, estará disponível no país o soro em pó contra o veneno de animais como serpentes, aranhas e escorpiões. A região Amazônica e partes do Nordeste serão as primeiras a receber essa substância já utilizada em outros países. Há muito, os profissionais de saúde esperam ter acesso à tecnologia do soro liofilizado, principalmente em localidades onde não há energia elétrica. O soro líquido usado atualmente requer refrigeração.

A notícia foi um dos destaques do Encontro Nacional dos Laboratórios Produtores de Soros e Programa de Controle dos Acidentes por Animais Peçonhentos, que terminou hoje no Instituto Butantã, em São Paulo. Anualmente, registram-se no país cerca de 30 mil casos de picadas de animais peçonhentos, segundo informou a diretora do Hospital Vital Brazil (SP), Fan Hui Wen. A unidade é especializada nesse tipo de acidente.

A médica destacou que o país tem tecnologia bastante desenvolvida nessa área e é considerado um dos pioneiros no mundo em tratamento de acidentes com ofídios, a partir das pesquisas do médico mineiro Vital Brazil (1865-1950). Há mais de cem anos, o sanitarista constatou a necessidade de usar soro produzido a partir do próprio veneno do animal para combater os efeitos da picada. Hoje, os princípios básicos do soro são os mesmo daquela época. A técnica empregada consiste em inocular o veneno em cavalos que produzem anticorpos e possibilitam que se extraia o soro do sangue.

Desde 1986, o Ministério da Saúde dispõe de um programa que assiste a população brasileira, principalmente no que se refere à distribuição de soro. “O seu objetivo não é diminuir o número de acidentes, mas reduzir a letalidade e a gravidade dos casos”, disse o coordenador do Programa Nacional de Controle de Acidentes por Animais Peçonhentos, Francisco Anilson. Segundo ele, o governo compra toda a produção de soro dos laboratórios do país e distribui gratuitamente aos estados, que devem repassar aos municípios. Anilson lembrou que hoje praticamente não se morre mais por falta de soro, embora o atendimento à região Amazônica ainda não seja pleno.

O tratamento de picadas de animais venenosos apresenta algumas dificuldades que desafiam os especialistas. Fan Hui Wen ressaltou, por exemplo, que há muita carência de informação na população e também dos profissionais de saúde sobre o procedimento a ser adotado após a picada. Ela alertou sobre o perigo das crendices populares. “Muitas vezes as pessoas colocam raízes, borra de café no local e até amarram e chupam o local atingido para diminuir a intensidade do veneno. Só que, além de ineficazes, essas medidas podem prejudicar o paciente”, disse.

Nem sempre o animal que pica é venenoso, mas é difícil verificar isso sem um exame apurado. A recomendação em caso de acidente é procurar um posto de saúde rapidamente, pois o tempo é um fator importante para um tratamento mais eficaz do paciente. Recomenda-se, quando possível, capturar o animal para ajudar na identificação do soro. O acidentado deve se manter em repouso e lavar o local da picada só com água e sabão. Em caso de dúvida, o Instituto Butantã disponibiliza atendimento telefônico 24 horas para orientação dos profissionais pelo número (11) 3726.7962.


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