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Brasil não quer mais agir de forma subalterna, diz Lula

Agência Brasil - 18 de setembro de 2003 - 17:21

O Brasil não quer mais agir de forma "subalterna"; quer ser tratado de igual para igual em sua política externa nas negociações com os países desenvolvidos. A afirmação foi feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, em discurso aos novos diplomatas, disse que "não existe na face da terra nenhum interlocutor que respeito o outro, se um deles estiver de cabeça baixa, se um deles agir de forma subalterna".

Segundo Lula, o Brasil respeita em suas negociações países de tamanhos e economias distintas, como o Paraguai e os Estados Unidos, e exige também ser tratado em "igualdade de condições". Na opinião de Lula, o tratamento, às vezes "inferior" dado ao país no cenário internacional, é resultado da falta de importância que, muitas vezes, o próprio Brasil se concedeu.

Ele aproveitou a cerimônia no Palácio do Itamaraty para dar um claro recado aos países ricos: "Não aceitamos mais participar de política internacional como se fôssemos os coitadinhos da América Latina, um paisinho do Terceiro Mundo, um paisinho que tem criança de rua, um paisinho que só sabe jogar futebol e pular carnaval. Este país tem muito mais do que isto", enfatizou.

Lula citou o exemplo da reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC), realizada na semana passada em Cancún, no México. Segundo ele, a postura "firme e objetiva" que o país manteve no encontro demonstra que o Brasil "dispõe de uma capacidade de articulação talvez única, que nos permite lutar por nossos interesses, somando forças com clareza e objetivos, e sem confrontações". O Brasil, mesmo diante da pressão dos países desenvolvidos, manteve de maneira enfática a defesa do fim das barreiras agrícolas impostas ao país.

O presidente parabenizou os formandos do Instituto Rio Branco por terem escolhido o brasileiro Sérgio Vieira de Mello, morto em atentado ao escritório da ONU no Iraque, como patrono da turma. Segundo o presidente, Vieira de Mello soube aliar a força da razão com o engajamento em favor dos mais vulneráveis. E deixou uma mensagem aos novos diplomatas: que eles serão muito mais cobrados porque o Brasil, hoje, cresceu no conceito internacional. "A partir do que aconteceu em Cancún, vocês vão perceber que serão olhados com muito mais interesse, mas, ao mesmo tempo, com muito mais cobrança, pelos nossos interlocutores de outros países, do que nós fomos até agora".

Na opinião de Lula, os novos diplomatas devem se "espelhar" no exemplo do chanceler Celso Amorim quando tiverem dúvidas sobre a carreira escolhida. O presidente aproveitou a cerimônia de formatura para fazer um brinde à "competência" que Celso Amorim tem demonstrado à frente do Ministério das Relações Exteriores.

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