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Bebê de 3 meses que morreu com covid em Chapadão do Sul nasceu quando a mãe estava intubada

"Não esperava isso, achei que já tinha dado o que tinha que dar", diz pai sobre saga da família com a covid-19,

Campo Grande News - 20 de julho de 2021 - 07:12

Uma história triste que envolveu a covid do nascimento à morte. O bebê de 3 meses que virou notícia por ser mais uma vítima da doença veio ao mundo às pressas, quando a mãe precisou ser intubada pela covid, e morreu depois de três paradas cardíacas.

No Hospital Regional, em Campo Grande, o mesmo local onde nasceu, no dia 27 de março, um mês antes da data prevista, o pequeno partiu, na última quinta-feira (15).

Abaladíssimo, o pai conversou com o Campo Grande News, mas pediu para que não fossem divulgadas fotos nem os nomes dele, da esposa e do único filho do casal.

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Bebê de 3 meses que morreu na última quinta foi sepultado no dia seguinte, sexta (16), sem velório. (Foto: Divulgação/Câmara Chapadão do Sul)

O casal é de Chapadão do Sul, e está junto há 14 anos. O pai é contador, tem 33 e a mãe, gerente, de 30 anos. A gestação foi planejada e mais do que esperada. No entanto, a Covid antecipou o nascimento do bebê.

Sem se recordar ao certo das datas, o pai conta que a esposa veio encaminhada de Chapadão do Sul para a Capital em março deste ano, onde ficou 15 dias em coma no Hospital Regional.

“Ela teve covid na gravidez e ele foi tirado com um mês antes devido ela ter entrado em coma”, explica.

O pequeno nasceu dia 27 de março e só conheceu a mãe 25 dias depois. “A gente já tinha passado por uma fase complicada. Eu não esperava isso. Achei que já tinha dado o que tinha que dar”, desabafa o pai.

De volta a Chapadão do Sul, mãe e filho se cuidavam e só saíam de casa para ir até os avós. “A gente não ficava fazendo graça, não saía direto”, diz o pai.

O contador fala que os sintomas começaram em toda a família na semana retrasada. “No domingo eu comecei e ele e minha esposa tiveram na terça. O primeiro sintoma foi febre, ele ficou enjoadinho”, descreve.

De imediato eles desconfiaram da covid porque uma cunhada havia testado positivo. “Fomos no pediatra particular primeiro, ele analisou e passou medicação pra gente tomar, depois encaminhou para o hospital para fazer exame de covid. Confirmou e a gente ficou isolado e tratando ele por cinco dias”, conta.

No quinto dia, o pequeno seguiu enjoadinho e a família decidiu voltar à pediatra que percebeu, ao auscultar, que o pulmão poderia estar comprometido. “Ela viu que o pulmão não estava certinho e pediu um raio-x. Confirmaram que ainda não era uma pneumonia, mas tinha alguma manchinha, e como aqui não tem nada para criança, no mesmo momento já decidiram encaminhar ele para Campo Grande”, relata.

O pequeno chegou ao Hospital Regional na última terça-feira (13) e a situação foi se agravando. “Ele não tinha nada quando entrou no hospital, digo, ele não precisava de oxigênio, e do nada agravou. Foi drástico, acredito que por ser um bebê, ele não tinha o pulmão desenvolvido certinho”, explica o pai  do agravou se.

Baixou oxigênio e saturação e o hospital montou uma CTI no PAM (Pronto Atendimento Médico) da pediatria para acompanhar o bebê. “Tinham todos os equipamentos da CTI lá, montaram uma salinha pra ele, foi uma equipe pra lá”, recorda.

Na quinta-feira (15), o bebê teve três paradas cardíacas. “Foram duas, na terceira, ele não voltou”, diz.

O corpo da criança chegou a cidade natal da família na sexta-feira (16) e seguiu imediatamente para o enterro, conforme protocolo em casos de covid quando ainda está em transmissão.

“Aguardaram a gente fazer uma oração para enterrar, foram uns minutinhos só e já foram enterrar. E agora a gente está perdido, sem chão no momento”, descreve o pai. –

Por Paula Maciulevicius Brasil -CAMPO GRANDE NEWS

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