Cassilândia
Memórias de um Crime Bárbaro: Iris Castaldi relembra o assassinato do pai que chocou Cassilândia em 1956
Em entrevista exclusiva ao programa Rotativa no Ar, a professora de 77 anos detalha a trajetória da família Castaldi, o brutal homicídio de seu pai e sua busca por respostas após décadas do ocorrido.

A edição nº 11.743 do programa Rotativa no Ar, da Rádio Patriarca, trouxe um relato histórico e emocionante que resgatou uma das páginas trágicas de Cassilândia. A convidada, a professora Iris Castaldi, de 77 anos, compartilhou detalhes sobre a vida e a morte de seu pai, o comerciante Amilcar Castaldi, assassinado em julho de 1956, quando ela tinha apenas cinco anos de idade.
Uma família de intelectuais e aventureiros
A linhagem de Iris Castaldi é marcada pela história do jornalismo paulista. Seu avô, João Castaldi, foi um renomado jornalista e dono do jornal "A Capital" em São Paulo, tendo sido correspondente internacional e considerado o melhor linotipista do Brasil em sua época. Devido às viagens do avô, o pai de Iris, Amilcar Castaldi, nasceu em Nova Jersey, nos Estados Unidos, e retornou ao Brasil aos 12 anos.
Amilcar era uma figura diferenciada para o interior de Mato Grosso (atualmente Mato Grosso do Sul) na década de 50. Poliglota, ele falava oito línguas, incluindo japonês, e era conhecido na região pelo apelido de “Americano”. Antes de se estabelecer em Cassilândia, ele trabalhou para uma concessionária da Ford em Três Lagoas, mas decidiu arriscar no comércio local devido aos boatos de prosperidade da jovem cidade.
O Estabelecimento e o início da tragédia
Em 1955, Amilcar abriu um restaurante e bar na esquina da Rua Joaquim Balduíno com a Rua Domingos de Souza França, local onde hoje se situa a Praça São José. Segundo Iris, o estabelecimento prosperava e foi um dos primeiros locais a vender sorvetes e picolés em Cassilândia.
Contudo, a prosperidade foi interrompida na madrugada de 27 de julho de 1956. No dia do crime, a mãe de Iris, Vandaide Castaldi, estava em Andradina (SP) comprando equipamentos para a sorveteria. Iris, ainda criança, dormia na casa de uma lavadeira nos fundos do estabelecimento, enquanto seu irmão de 11 anos acompanhava o pai no bar.
A dinâmica do crime
Conforme os relatos assimilados pela família ao longo dos anos, dois homens chegaram ao bar quando Amilcar já estava fechando as portas. Ele aceitou servir uma última dose de aguardente, mas os indivíduos começaram a brigar entre si. Após Amilcar intervir e tomar a faca de um deles para evitar confusão, os agressores pegaram um machado que pertencia ao próprio comerciante, utilizado para cortar lenha.
Amilcar foi atacado pelas costas e atingido na cabeça. Ao tentar se defender, recebeu novos golpes no rosto e no peito, vindo a falecer no meio da rua enquanto tentava escapar. Seu filho de 11 anos testemunhou o rastro de sangue, guardando o trauma por toda a vida. Os assassinos fugiram e nunca foram identificados ou capturados pelas autoridades da época.
O adeus de "Teco-Teco" e a perda de patrimônio
Iris relembrou com clareza o momento em que acordou e ouviu vizinhos comentando: "Coitadinha, mataram o pai dela". Sem delegacia ou estrutura policial na cidade naquele tempo, a família providenciou o transporte do corpo para Andradina em um pequeno avião, conhecido como "teco-teco",. Iris e seu irmão viajaram na aeronave junto ao caixão do pai, que estava apenas enfaixado, sem preparo formal.
Após a partida repentina, a família perdeu todo o patrimônio deixado em Cassilândia. Equipamentos de sorveteria e móveis da residência foram doados pelo dono do prédio comercial após um período sem compradores, deixando a viúva Vandaide, então com 33 anos, sem recursos para recomeçar a vida com os três filhos.
O Retorno e a busca por respostas
Apesar do trauma, Iris seguiu a carreira de professora e chegou a retornar a Cassilândia entre o final da década de 80 e início dos anos 2000 para lecionar na faculdade local (FIC). Há dois meses, ela voltou a morar definitivamente na cidade com sua filha, Mariana, que é Sargento da Polícia Rodoviária em Goiás.
Ao final da entrevista, Iris Castalde fez um apelo aos pioneiros e moradores antigos de Cassilândia que possam ter lembranças sobre seu pai ou detalhes adicionais sobre o crime. Ela deseja completar o quebra-cabeça de sua história familiar e honrar a memória de Amilcar Castaldi. Quem possuir informações pode entrar em contato através da Rádio Patriarca.
Confira a íntegra da entrevista:
