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10/05/2005 13:44

Safra vai perder mais que o previsto

Acrissul

A safra brasileira de grãos de 2004/2005 será de 113 milhões de toneladas e não as 119 milhões de toneladas estimadas pela Conab em março. A informação consta do relatório final do 2.º Rally da Safra, levantamento bancado por empresas privadas e coordenado pela Consultoria Agroconsult.
Os dados foram apresentados ao ministro da agricultura Roberto Rodrigues (veja dados das culturas de grãos ao lado), que anunciou para os próximos dias o balanço oficial da Conab, confirmando os dados do setor privado.

A previsão original para a safra 2004/2005 era de 126,3 milhões de toneladas de grãos. O resultado será 13 milhões de toneladas inferior, quebra provocada basicamente por milho e soja. A safra de 2003/2004 foi de 120 milhões de toneladas.

Segundo André Pessôa, sócio-diretor da Agroconsult, os efeitos da quebra de safra já devem começar a ser sentidos. Além de queda na renda da agricultura - que o próprio ministro Roberto Rodrigues estimou em R$ 10 bilhões -, a produção menor será mais um componente de pressão inflacionária. Os preços internos de grãos, como do milho, já começaram a ser reajustados.

Segundo Pessôa, os aumentos recompõem a renda dos produtores, mas significam também mais pressão contra o controle do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), taxa oficial de inflação do País e indicador utilizado pelo Banco Central (BC) para o regime de metas.

Segundo Pessôa, o problema pode alimentar um ciclo negativo para a economia. "Como a base do controle de inflação é a elevação da taxa de juros, a pressão dos preços agrícolas sobre o IPCA tende a fazer com que o ciclo de alta de juros não seja interrompido. O atual nível de taxa de juros pode ser mantido ou elevado."

Mas a inflação não é o único problema. Há neste momento uma combinação ainda mais explosiva, explica o consultor. A valorização do real ante o dólar também cria problemas para os exportadores agrícolas, que nos últimos anos contribuíam fortemente para os saldos positivos da balança comercial brasileira. "Acho que chegou o ano em que a agricultura não terá como ajudar tanto assim o comércio exterior brasileiro", diz Pessôa.

Soja e milho foram cruciais para o desempenho ruim da safra de grãos do Brasil. A de soja não foi pior neste ano em razão do movimento de migração da cultura. O avanço sobre novas fronteiras agrícolas ajudou a manter a produção no mesmo nível do ano passado: 49,8 milhões de toneladas.

Os maiores prejuízos ocorreram no Rio Grande do Sul, onde a seca reduziu a produção de 5,5 milhões para 2,2 milhões de toneladas, uma quebra inigualável de 60%. Paraná, Santa Catarina, sul do Mato Grosso do Sul e de São Paulo também tiveram problemas com a produção. "A salvação da safra foi garantida pela produção em regiões novas para soja Maranhão, Piauí, Bahia, Distrito Federal e Bahia", explica. Onde não houve problema com seca, o excesso de chuva atrapalhou a colheita, caso do Mato Grosso.

A situação do milho foi pior. Segundo dados do Rally da Safra, o Brasil terá de importar entre 1,5 milhão a 2,5 milhões de toneladas do grão neste ano, o que não ocorria há duas safras: a produção total será de, no máximo, 36 milhões de toneladas. A demanda brasileira para o ano será de 41 milhões de toneladas.

A Comissão Técnica de Biossegurança (CTNBio) já autorizou a importação de 370 mil toneladas de milho transgênico para os avicultores de Pernambuco.

Segundo Pessôa, os estoques de 5 milhões de toneladas de milho não cobrem a demanda, já que o País já exportou 1 milhão de toneladas e terá de recompor os estoques para a transição para a próxima safra. A safra de verão, segundo balanço, terá queda de 6,7% em relação a anterior. O volume cairá de 31,270 milhões de toneladas para 29,188 milhões de toneladas, em razão da seca.

A área de plantio do milho safrinha também caiu de 3 milhões de hectares para 2,5 milhões, encolhimento de 16%. A seca atrasou o plantio nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul e a produção deve cair de 10,6 milhões para 6,9 milhões de toneladas.

Além do problema com a safra de milho e soja, as conclusões do trabalho são de que haverá redução de área e do uso de tecnologia. Os problemas da safra 2004/2005 devem levar a uma redução da produtividade média da agricultura brasileira nos próximos anos, diz o estudo.

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