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19/09/2005 10:30

Reposição hormonal não pode ser prescrita sempre

Agência Notisa

Os riscos e benefícios devem ser bem avaliados, especialmente, em pacientes que sofreram câncer.

A terapia de reposição hormonal vem sendo amplamente utilizada para atenuar os sintomas da menopausa. Em 1985, Chrobak já produzia um extrato de tecido ovariano, que parecia amenizar desconfortos tipicamente femininos. O primeiro hormônio sintético produzido pela indústria farmacêutica foi lançado em 1927, sob o nome de Progynon. Em conferência realizada durante a 3ª Jornada de Ginecologia Oncológica, especialistas debateram a administração de hormônios em pacientes que sofreram câncer ginecológico. O evento, encerrado sexta-feira, aconteceu no Instituto Nacional do Câncer, no Rio de Janeiro.

Os hormônios já foram chamados de drogas “anti-envelhecimento”. Relatos de aumento nos casos de câncer, entre pacientes tratados com estes fármacos, motivaram pesquisas mais específicas a fim de avaliar a possível característica oncôgenica dos hormônios. De acordo com o cientista Mario Gáspare Giordano, da Universidade do Rio de Janeiro (Uni-Rio), oes pesquisadores acreditam que os hormônios possam favorecer a vascularização e o aumento das divisões celulares e sua conseqüente proliferação. “Não existem estudos, até o momento, que provem que os hormônios possam causar danos ao DNA. Mas eles indicam que é possível que erros de replicação causem a ‘imortalização’ de células neoplásicas, que fogem aos mecanismos de controle do organismo”, disse o médico.

Estudos recentes, segundo Giordano, apontaram maior proteção contra o câncer de ovário, em mulheres que usavam anticoncepcional oral há 10 anos ou mais. “Outros estudos, no entanto, indicaram que o número de casos de câncer de mama parece aumentar entre mulheres que fazem uso de estrogênio associado à progesterona”. Nos Estados Unidos, a pesquisa intitulada Million Woman Study analisou mais de um milhão de mulheres, com idade entre 50 e 64 anos, de 1996 a 2001 e mostrou que os casos de câncer mama aumentam com o uso de estrogênio. “Mulheres que sofreram câncer de colo de útero não devem ser tratadas com reposição hormonal. No caso de câncer de mama e endométrio, é preciso avaliação do risco-benefício para paciente”, afirmou Mário. Ele disse ainda que costuma recomendar a terapia de reposição hormonal especialmente a mulheres jovens. “No caso de pacientes jovens que realizaram cirurgias radicais – como a retirada do útero – indico a administração de hormônios para melhorar sua qualidade de vida. Não recomendo a reposição hormonal para a prevenção de doenças, como a osteoporose. Neste caso, é preciso buscar estratégias não hormonais para preservar a saúde de mulheres assintomáticas na pré e pós menopausa”, argumentou.

Fitormônios


A promessa de que os fitormônios pudessem substituir os hormônios sintéticos fez muitas mulheres buscarem a novidade junto aos ginecologistas. Mas, de acordo com Mário Gáspare, não existe comprovação científica referente a sua eficácia. “Sabemos que sua ação é 1000 vezes menor quando comparada aos hormônios sintéticos. Também não existem estudos concludentes a respeito de sua segurança. Não existem provas que eles favoreçam (ou protejam contra) o desenvolvimento de neoplasias”, afirmou o pesquisador. Para ele, a mulher tem o direito de ter informações quanto à terapia hormonal, junto ao seu ginecologista. “É preciso avaliar cada caso quanto aos riscos e benefícios. Mas a paciente tem o poder de decidir se deseja iniciar, continuar ou interromper o tratamento”, afirmou o médico.

Nos Estados Unidos, o receio de desenvolver o câncer de útero leva muitas mulheres, na faixa dos 40 anos, a realizar a cirurgia para retirada do órgão, como prevenção. Para Maria Luiza Cavalcanti, do Instituto Nacional do Câncer, deve-se evitar este tipo de conduta, assim como o uso indiscriminado de hormônios. “O ginecologista deve avaliar a saúde endócrina de sua paciente. Tratando mulheres com problemas de tiróide, por exemplo, podemos melhorar a parte ginecológica. A droga chamada tibolona só deve ser administrada a mulheres que retiraram o útero, já que, apesar de prevenir o câncer de mama, ela pode induzir a doença neste órgão. A ingestão de vitamina E, além de uma rotina de exercícios físicos e a mudança de hábitos alimentares é capaz de melhorar a qualidade de vida das mulheres, sem a necessidade de terapia de reposição hormonal”, afirmou a médica.


Agência Notisa (jornalismo científico – science journalism)

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