Cassilândia, Domingo, 04 de Dezembro de 2016

Últimas Notícias

14/09/2007 09:14

Prevenção contra furto não pode constranger o cliente

A segurança de um estabelecimento comercial não pode ser confundida com desrespeito ao consumidor. Ao investir em tecnologia anti-furto, o empresário deve estar ciente de que não basta investir pesado em novos mecanismos de proteção se não houver um treinamento adequado para abordagem de seus clientes em situações de alarme. É necessário tomar precauções para não enfrentar ações judiciais e danos à imagem do seu estabelecimento.

Não é de hoje que furtos são motivos de perdas para as redes varejistas. Tanto os furtos praticados por empregados quanto os praticados por consumidores representam prejuízos, não raras vezes, de valores significativos. Por esse motivo, o varejo começou a elevar o investimento em artefatos tecnológicos, como barreiras eletrônicas, câmeras e etiquetas anti-furto, de forma a evitar ou amenizar as perdas. Porém, a adoção desses elementos trouxe para o varejo outra preocupação, relacionada à má utilização dos equipamentos.

Coincidiu com a época de utilização desses inventos o reconhecimento do dano moral em nosso ordenamento jurídico, por meio da Constituição Federal de 1988 (artigo 5º, X: "são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito à indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação").

Assim, pelo entendimento da Justiça, que vigorou até por volta de 2002, o mero acionamento do alarme anti-furto nas lojas, nas hipóteses de falha do operador de caixa em não ter retirada a etiqueta do produto pago, passou a ser visto por nossos tribunais como capaz de causar ao consumidor dano moral indenizável, inclusive de natureza grave, em razão da exposição indevida de sua imagem perante as pessoas que se encontram nas lojas.

O resultado disso foi o crescimento, de forma vertiginosa, do número de demandas judiciais com pedido de indenização por dano moral relacionado ao acionamento do alarme. Até 1988, essas ações representavam 14% das ações propostas contra as redes de varejo, aparecendo depois de erros de publicidade (16%) e insatisfação com produtos (19%). A partir de então passaram a representar mais de 35%, sendo, hoje, de longe, a maior incidência de pedidos indenizatórios contra o varejo. Em segundo lugar aparecem as cobranças indevidas (8%) e, empatados em terceiro lugar, aparecem os acidentes em loja e outros (6%).

Com o passar dos anos e com os abusos dos consumidores que, muitas vezes, ingressavam com ações infundadas buscando indenização por dano moral, os valores, que chegavam a R$ 10 mil, foram reduzidos. Ainda assim, foi mantido o entendimento de que o simples soar do alarme já configura o dano moral e, por conseqüência, o dever de indenizar, indiferentemente de a abordagem ter sido realizada de forma educada e discreta.

Atualmente, este cenário mudou. Prevalece a necessidade de que ocorra abordagem deselegante por parte do segurança ou outro preposto, causando constrangimento ao consumidor para que haja o dever de indenizar. Na maioria das decisões, somente o disparar do alarme na porta da loja não é mais suficiente para caracterizar dano moral. A Justiça considera dano moral o tratamento excessivo, abusivo ou constrangedor para o consumidor por parte dos funcionários do estabelecimento no momento da abordagem.

Por isso, mais do que investir em tecnologia anti-furto, as redes de varejo devem investir em treinamentos específicos dos funcionários para o trato com o consumidor. Toda a abordagem relacionada à segurança deve ser discreta. Um cliente desrespeitado pode gerar graves prejuízos jurídicos e à marca da empresa. É importante orientar todos os funcionários da loja, desde os gerentes aos seguranças, sobre o cuidado que se deve tomar nessas situações, evitando a ocorrência de constrangimento, fato que, se não impedir a propositura de ação judicial por um consumidor oportunista, provavelmente se reverterá em decisão favorável ao estabelecimento comercial.

Revista Consultor Jurídico

Envie seu Comentário
Os comentários feitos no Cassilândia News são moderados. Antes de escrever, observe as regras e seja criterioso ao expressar sua opinião. Não serão publicados comentários nas seguintes situações:

1. Sem o remetente identificado com nome, sobrenome e e-mail válido. Codinomes não serão aceitos.
2. Que não tenham relação clara com o conteúdo noticiado.
3. Que tenham teor calunioso, difamatório, injurioso, racista, de incitação à violência ou a qualquer ilegalidade.
4. Que tenham conteúdo que possa ser interpretado como de caráter preconceituoso ou discriminatório a pessoa ou grupo de pessoas.
5. Que contenham linguagem grosseira, obscena e/ou pornográfica.
6. Que transpareçam cunho comercial ou ainda que sejam pertencentes a correntes de qualquer espécie.
7. Que tenham característica de prática de spam.

O Cassilândia News não se responsabiliza pelos comentários dos internautas e se reserva o direito de, a qualquer tempo, e a seu exclusivo critério, retirar qualquer comentário que possa ser considerado contrário às regras definidas acima.
Restamcaracteres.
 
Últimas notícias
Scroller Top
Domingo, 04 de Dezembro de 2016
09:00
Maternidade
Sábado, 03 de Dezembro de 2016
10:00
Receita do Dia
Scroller Bottom

  • Idalus Internet Solutions
  • TOP DataCenter e Internet
  • Disponível na AppStore
  • Disponível no Google Play
Rua Sebastião Leal, 845, CEP: 79.540-000, Cassilândia (MS)