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24/06/2010 09:23

Porque Dunga brigou com o repórter

GE.net/ Colunista Flávio Prado

Dunga é um chucro. Isso eu já sabia, faz tempo. Conheço-o desde os tempos de juvenil do Internacional e, infelizmente, é muito difícil manter amizade com uma pessoa assim. Recrimino de todas as formas, as dificuldades que ele vem criando para os jornalistas brasileiros que estão na Africa do Sul. Cubro Copas do Mundo desde 1978 e até 1994 corria atrás da seleção brasileira.

Até 1986 a relação era cordial, respeito mútuo e camaradagem, afinal estamos todos do mesmo lado. Com a chegada de Ricardo Teixeira, tudo mudou e Dunga foi um dos porta vozes dos novos tempos, boicotando o nosso trabalho a partir da Copa da Itália. É verdade também, que foi ali que começou o exodo dos nossos jogadores e eles perderam a identidade com o Brasil. Quando as Copas de 82 e 86 foram perdidas, voltamos todos para o Brasil. Em 1982 eu estava inclusive no avião da seleção. O trabalho recomeçou por aqui, todos estávamos lado a lado no dia a dia. Em 1990, horas após a derrota, cada um seguiu para um canto e alguns para uma tal Grotta Rossa, em Turim, para uma farra. O mesmo se repetiu em 2006 com Ronaldinho Gaúcho.

Os jogadores, agora, voltam para suas casas e elas são bem longe daqui. Esse pessoal não tem qualquer ligação com o nosso futebol, a não ser já no final de carreira quando não servem mais para a Europa. Sem esse elo eles se sentem livres para não dar satisfações a ninguém. Então para que falar com a imprensa? Dunga adora isso. Gosta de encrencas e acha que brigando com jornalistas, unirá o seu time. Pensamento pequeno, do tamanho do anãozinho que lhe empresta o apelido. Mas uma coisa eu tenho que reconhecer. Ele acabou com privilégios nas coberturas.

Durante os Mundiais que eu cobri como repórter, cansei de ver a Globo ter livre acesso às concentrações, enquanto os outros ficavam com as migalhas. Foi assim com Claudio Coutinho, Telê Santana, Lazzaroni e Parreira. Em 1998, 2002 e 2006 já não era mais repórter, mas os companheiros dizem que o tratamento diferenciado não mudou em nada. Com Dunga isso não ocorreu em nenhum momento. E a briga com o Alex Escobar, belo profissional, por sinal, deveu-se a uma negativa de entrevistas exclusivas para o Fantástico, que até Ricardo Teixeira aceitava, porém Dunga vetou.

O repórter resmungava a notícia ao telefone, para sua central, ao lado da mesa de coletiva, e Dunga, grosso como sempre, passou a ofendê-lo. A ofensa não cabe, a atitude é lastimável. No entanto, ele fez melhor que os outros que permitiam tudo para a Globo, enquanto os demais ficavam desesperados do lado de fora, como ocorreu comigo tantas vezes. Dunga não fez concessão a ninguém. Seria melhor se tratasse tudo mudo igualmente bem. Eles optou por tratar todo mundo mal. Aí é de lascar. Mas, para os repórteres de outras emissoras, é um alento.

Ninguém irá cobrá-los por não conseguir o mesmo que os repórteres globais. É difícil para um chefe no Brasil entender que alguns podiam ficar escondido nos banheiros da concentração, enquanto os outros tinham que ir embora. Para a maioria o tempo estava esgotado e para os privilegiados, todo espaço que precisassem.

A Globo é uma empresa maravilhosa, orgulho do nosso país. Porém, as leis de imprensa valem para todos. Todos devem ser tratados igualmente. De forma educada, lógico. Dunga não sabe ser assim, porém foi mais justo que os seus antecessores. Se um pode, todos podem. Se ninguém está autorizado, ninguém deve ter privilégio, mesmo que trabalhando na poderosa Rede Globo.

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