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03/05/2006 06:08

Petrobras não vê motivos para pânico, diz diretor

Nielmar de Oliveira/ABr

Na avaliação do diretor de exploração e produção da Petrobras, Guilherme Estrella, não há motivos para "pânico" com a decisão do governo boliviano de nacionalizar as reservas de hidrocarbonetos do país " A Petrobras vai continuar negociando com Evo Morales [presidente da Bolívia] uma solução para o impasse".

Para o executivo, o Brasil não corre o risco de ter o fornecimento diário de cerca de 24 milhões de metros cúbicos gás natural, proveniente da Bolívia, interrompido. Em entrevista coletiva à imprensa, presente na Offshore Conference Tecnhology – OTC (conferência sobre tecnologia em exploração em águas profundas), Estrella afirmou que o Brasil e a Bolívia precisam "um do outro".

"A empresa está tranqüila. Nós temos ainda 180 dias para negociar e eu não creio na possibilidade de o fornecimento vir a ser interrompido. Nós não trabalhamos com a perspectiva de corte no abastecimento. Existe intensa comunicação entre o Brasil e a Bolívia e não há motivos para pânico. Até porque a Bolívia depende do pagamento pelo gás que nos é fornecido e o Brasil precisa do produto para atender ao mercado interno. Acredito em uma solução negociada", afirmou Estrella.

Também presente na conferência intenacional, o assessor da presidência da Petrobras, Hênyo Barreto, afirmou que a eventual queda no fornecimento no gás natural proveniente da Bolívia para o Brasil afetará principalmente os grandes consumidores industriais de São Paulo. Segundo ele, essa interrupção afetaria segmentos responsáveis por até um terço do Produto Interno Bruto (PIB) paulista. Entre essas empresas estariam as indústrias de cimento, cerâmica, farmacêutica e de papel e celulose.

O diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, informou que a empresa tem um plano de contingência para atender o mercado, substituindo o gás natural por outros derivados do petróleo, como o óleo combustível. Costa disse que a empresa tem que estar preparada para qualquer eventualidade, inclusive para a queda no fornecimento do gás natural boliviano, que é "uma possibilidade remota".

Segundo ele, o Brasil consome atualmente cerca de 45 milhões de metros cúbicos diários de gás natural, dos quais aproximadamente 24 milhões são provenientes da Bolívia.

A OTC 2006 começou nesta segunda-feira (1º) em Houston. O evento trata do desenvolvimento de recursos offshore (no mar) em perfuração, exploração e produção de petróleo e gás de todo o mundo. O evento reúne este ano cerca de duas mil empresas de 27 países.

O evento conta com a presença de cerca de 20 instituições brasileiras, inclusive a Petrobras - uma das maiores empresas petrolífera da América Latina e do mundo. A estatal brasileira do petróleo montou um estande de cerca de 200 metros quadrados na feira - que acontece paralelamente ao congresso.

O pavilhão com os fornecedores brasileiros foi mais uma vez estruturado pela Organização Nacional da Indústria do Petróleo (ONIP) e pelo Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP). Entre as empresas que confirmaram presença estão Keppel Fels, a Petrolab, a Mauá-Jurong, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e a Orteng.

O jornalista viajou a convite da Petrobras.
(Nielmar de Oliveira)

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