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07/05/2004 14:26

Partos cesáreos no Brasil supera o recomendado pela OMS

Irene Lôbo/ABr

Dos 2,2 milhões de partos realizados no Sistema Único de Saúde (SUS) em 2003, 25% foram do tipo cesáreo, ou cesarianas. Apesar de existir uma tendência de diminuição dos partos cirúrgicos no Brasil, a quantidade ainda é superior à recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), segundo a qual “não há justificativa para as taxas de cesáreas regionais serem superiores a 15%”.

A orientação da OMS é uma tentativa de diminuir o número de mortes maternas – no Brasil, são 74,5 mulheres a cada 100 mil nascimentos. Este risco é sete vezes maior nos partos cesáreos, segundo estudos realizados pelo Centro Latino Americano de Perinatologia e Desenvolvimento Humano (CLAP).

Um outro problema são os custos das cesarianas. Segundo estudos da OMS, esse tipo de parto onera consideravelmente os serviços de assistência à mulher. No Brasil, cada cesariana sai 32% mais caro para o SUS, que paga R$ 263,49 por um parto normal e R$ 387,30 por uma cesárea.

Vários outros estudos foram realizados no Brasil sobre as cesáreas. A Pesquisa Nacional sobre Demografia e Saúde, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 1996, informa que nesse ano 36% dos partos foram cesáreos. Do total de nascimentos, 83% não apresentaram problemas, o que indica que muitas dessas cirurgias foram programadas com antecedência ou desnecessárias.

As análises e os estudos citados pela pesquisadora Elza Berquó em “Fecundidade, Saúde Reprodutiva e Pobreza na América Latina – o Caso Brasileiro”, também corroboram a tese de que a cesárea aumenta o número de mortes por infecção pós-parto e riscos da anestesia. Contudo, há situações em que a cesariana é a única opção de parto, como nos casos em que a gestante tem algum problema grave de saúde, como cardiopatias, insuficiência renal, ou quando a criança está em sofrimento fetal.

“A vantagem da cesárea é poder retirar o feto no momento apropriado, com mais rapidez, quando existem dificuldades para que esse nascimento ocorra pelas vias normais, essa é a indicação primordial da cesariana. Antes de existir cesárea morriam mulheres e morriam crianças porque não era possível interromper a gravidez no momento certo”, explica a médica Elenice Ferraz, chefe da Obstetrícia do Hospital Universitário de Brasília (HUB), da Universidade de Brasília (UnB).

A médica se diz favorável a que todo parto seja normal, mas contra a idéia da não-hospitalização. “Durante o processo de parto e pós-parto podem ocorrer complicações sérias, como a hemorragia uterina. Isso pode ser fatal se você está num local que não tem banco de sangue, ou um centro cirúrgico com um médico capaz de interromper uma ruptura uterina. Fora as complicações que podem ocorrer com o bebê”, alerta Elenice Ferraz.

Mas ela também se manifesta contrária à idéia de que o parto deva ser cesariano só porque a mulher não quer sentir dor ou porque o médico não quer perder seu tempo com o trabalho de parto: “A cesárea deve ser indicada com responsabilidade”.

Morte materna e neonatal

Qualificar e humanizar o parto é uma das ações propostas pelo Ministério da Saúde para diminuir o índice de morte materna e neonatal no Brasil. Dados recentes mostram que a cada 100 mil nascidos vivos ocorrem 74,5 mortes de mulheres. No caso das crianças, a cada mil nascidos vivos, 18,3 morrem antes de completar um mês de vida.

Para mudar esse quadro, o Ministério da Saúde lançou em março um pacto nacional para reduzir em 15% os atuais índices de mortalidade materna e neonatal até o fim de 2006, e em 75% até 2015.

Diminuir o número de cesarianas também pode ser uma alternativa. De acordo com a OMS, as menores taxas de mortalidade após o nascimento são de países com menos de 10% de cesáreas. No Brasil, onde há uma média de 2,5 milhões de nascimentos todos os anos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e cerca de 89% deles em unidades do SUS, a maioria das mortes maternas ocorre por hipertensão na gravidez, hemorragias, infecções e abortos.

Confira o total de partos realizados no SUS desde 1999, de acordo com informações do Ministério da Saúde:
Total Normal Cesarianas
1999 2.652.999 1.992.568 660.431
2000 2.505.350 1.905.931 599.419
2001 2.403.327 1.800.848 602.479
2002 2.342.172 1.752.071 590.101
2003 2.259.898 1.663.065 596.833

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