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23/02/2008 19:55

MMX quer estimular produção de eucalipto no Estado

Humberto Marques/Campo Grande News

Um produto de boas rentabilidade e adaptação ao ecossistema sul-mato-grossense. Sob essas óticas, a cultura de eucaliptos foi apresentada a produtores rurais de quatro municípios pela MMX neste sábado, durante um Dia de Campo no Viveiro de Mudas que a siderúrgica mantém em Anastácio. Cerca de 80 pessoas, envolvendo grandes e pequenos produtores e até mesmo personalidades do Estado – como o ex-governador Zeca do PT e o secretário municipal de Saúde da Capital, Luiz Henrique Mandetta – ouviram considerações de um especialista sobre a produção florestal. Tão importante quanto, a MMX também apresentou sua necessidade de florestas, a serem transformadas em carvão vegetal, para abastecer a siderúrgica de Corumbá.

O projeto do pólo minero-siderúrgico ganhou corpo nos últimos anos, envolto na polêmica ambien tal: de onde sairia o carvão para aquecer os alto-fornos da empresa? A resposta, na MMX, passa ao longe da exploração de carvão produzido a partir de espécies nativas, focando-se na aquisição de áreas e, agora, nas parcerias com produtores para o plantio de florestas. Serão necessários 34 mil hectares de eucalipto para conseguir o carvão que tornará o pólo metálico uma realidade.

Adquirir todas as áreas para o plantio se tornaria dispendioso, principalmente com a recente valorização de terras no Estado (causada justamente pela procura de empreendimentos madeireiros e sucroalcooleiros). Decidiu-se, então, buscar parcerias com os produtores, para utilizar áreas hoje dedicadas a outras culturas. “Não temos a intenção de comprar toda a terra que precisamos, por isso buscamos as parcerias”, declarou Antônio José, gerente Florestal da MMX. “É a oferta de uma grande oportunidade”, emendou.

Tal oportunidade, segundo ele, aparece na rentabilidade oferecida pela cultura de eucaliptos – que pode chegar a R$ 540 reais ao ano por hectare, conforme projeções da siderúrgica. Futuramente, a MMX planeja investir no setor em proporção maior à demanda do pólo corumbaense. Hoje, a necessidade principal está no combustível para se produzir ligas metálicas.

A lucratividade é um grande apelo para a produção florestal. Mas, em paralelo, surge com dúvidas quanto à agressividade do eucalipto ao meio ambiente. Para tais esclarecimentos, foi convidado o professor José de Castro Silva, da Universidade Federal de Viçosa/MG, especialista em Tecnologias de Produção Florestal. Ele não negou a existência de riscos, que conforme Silva existem em todas as atividades.

“Com o manejo correto, é possível explorar o eucalipto sem agredir o meio ambiente. Os riscos existem caso a cultura seja desenvolvida sem o uso das técnicas adequadas”, pontuou o especialista. “O eucalipto é plantado em mais de 100 países”, emendou. Silva ainda teceu elogios à planta: segundo ele, a árvore adulta consome três vezes menos água do que espécies nativas e causa o “esgotamento” do solo nos três primeiros anos de vida. “Nos quatro anos seguintes, o eucalipto começa a repor parte do que utilizou”.

Produtores – Engenheiro agrônomo por formação, o produtor rural Alexandre Scaff foi o primeiro parceiro da MMX no plantio de eucalipto. Há um ano, mantém na fazenda Boa Esperança, em Anastácio, 530 hectares com as árvores. “São 450 hectares com a MMX e outros 80 meus. Eu já tinha interesse na época em que a pecuária entrou em crise, e pretendia plantar 50 hectares. Fui procurado pela empresa e uni o útil ao agradável”, explicou.

O contentamento com a experiência levou Scaff a planejar o aumento da área cultivada. “Foi excelente. Tive um ganho de R$ 300 por hectares ao ano com a venda antecipada da produção, mas o valor chega a R$ 400 sem a antecipação. É bem acima do que a pecuária rendia”, destacou.

Para Jovenal Vieira dos Santos, o eucalipto ainda é uma novidade. Pequeno produtor de Nioaque, mantém 20 vacas leiteiras em uma área no município. “Hoje o setor não está muito bom. Falta apoio técnico e mercado. O preço está melhor do que no ano passado, mas o insumo também subiu”, queixa-se. “Aqui, queremos ver se tem algum projeto da MMX para a agricultura familiar. Pode ser uma possibilidade para a gente”, disse.

Na mesma linha, Mauro Takashi quis obter informações sobre o investimento, que poderia ocupar a fruticultura e a pecuária de corte em sua propriedade, em Dois Irmãos do Buriti. “A situação na agricultura não está crítica, mas tem de inovar. Queremos ouvir as propostas”. Para pequenos produtores, Antônio José diz que ainda não há um produto fechado. “Estamos discutindo com o Banco do Brasil e o Incra, na forma de um projeto social”, destacou.

Entusiasta da produção de carvão, Zeca do PT afirmou que pretende levar a cultura às suas duas pequenas propriedades (de 50 e 145 hectares) em Dois Irmãos. “É o mercado do futuro. A produção de minerais, de madeira e de alimentos são consideradas rentáveis no futuro”, pontuou. Em seu governo, foi aberta a porta para a MMX iniciar a atuação no Estado. Já Luiz Mandetta, que além de médico vê a família atuar a 50 anos na pecuária de corte, o Dia de Campo valia a pena, ao menos, para conhecer uma nova possibilidade.

A proposta da MMX foi ouvida por produtores de Aquidauana, Anastácio, Dois Irmãos do Buriti e Nioaque, onde a empresa pretende foc ar sua produção de carvão.


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