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03/08/2007 08:15

Leia - Língua portuguesa, inculta e bela!

Alcides Silva

Língua portuguesa, inculta e bela!
Alcides Silva

Teadoro

A tecnocracia que se instalou no Brasil pós-64 e o destempero mundial do economicismo criaram uma linguagem esotérica, só decodificada por um grupo restrito de economistas, burocratas e esotéricos, cujo deleite maior talvez fosse o de alimentar neologismos, a maioria dos quais totalmente desnecessários.
Em época de crise financeira e econômica, o uso dessa terminologia fechada e de clareza duvidosa, foi constante. Cada economista ou burocrata tinha justificativas várias para elencar as medidas que poderiam alavancar o desenvolvimento nacional e oportunizar melhores dias para a população.
Estão aí, nesse período gramatical, três verbos inexistentes e cujo conteúdo pode ser expressado por palavras de uso consagrado. O tecnicista poderá ter razões para listar, para enumerar, para expor, para demonstrar, para selecionar medidas que poderão impulsionar, ou levantar, ou ainda, elevar ou fazer crescer o desenvolvimento nacional e possibilitar, ou permitir, ou ainda, conceder ou ensejar melhores dias.
Nos dias de hoje, quando a crise dominante é mais política e moral, que econômica ou financeira, o termo da moda é o verbo blindar, na acepção de proteger, resguardar, tornar-se insensível e indiferente, protegido pela couraça da “autoridade”.
A língua é vida, é dinâmica e se renova constantemente. Muitas palavras perdem a atualidade, tornam-se arcaicas e são jogadas ao limbo; outras ressuscitam, mudam de significado ou adquirem novos conceitos; outras, ainda, são criadas para expressar fato novo. Houve um tempo – e faz pouco – que o uso do neologismo malufar quase lhe concedeu RG.
A criação de novas palavras é normal em qualquer idioma.
O neologismo, porém, haverá de ter uma razão de ser, possuir sonoridade boa e responsável paternidade. Assim como “a ocasião faz o ladrão”, também uma palavra pode nascer destinada a vida curta. Surgida numa determinada circunstância, fora daquele momento deixará de existir. Um exemplo é a palavra imexível, criada pelo psicodélico ministro da era Collor, Antônio Rogério Magri, na época um sindicalista. Seu processo de criação é corretíssimo. Raiz do verbo mexer, acrescida do prefixo i, que expressa negação, e do sufixo vel, que exprime possibilidade. O ministro do Trabalho do então desastrado governo Collor, que ilusoriamente para muitos era o pior da história (ah! Brasil de hoje), estava em baixa e sob a mira da imprensa, que o elegera como “o bobo da corte”. Mandara levar ao veterinário uma cadela que possuía, utilizando-se, para tanto, veículo do serviço público e motorista oficial. Justificou: “o cachorro também é humano”. De poucas letras (ou nenhumas), virou o Vicente Matheus da política nacional. * Hoje seria o presidente falastrão, o do ‘nunca nesse país...” Em razão de estar nele, Magri, a “fonte criadora” do neologismo, o seu imexível virou palavrão.
No poema “Neologismo”, publicado em 1947, o grande poeta Manoel Bandeira sintetizou:
“Beijo pouco, falo menos ainda / Mas invento palavras / Que traduzem a ternura mais funda / E mais cotidiana. / Inventei, por exemplo, o verbo teadorar. / Intransitivo: / Teadoro, Teodora”.
Com DNA de boa cepa, o ‘teadoro’ colou. O ‘imexível’, coitado, ficou para anedota.
*Vicente Matheus (1908 - 1997)
Ex-presidente do Corinthians, homem muito rico, porém quase analfabeto, tornou-se famoso por suas frases sem pé nem cabeça. Muitas delas nem eram verdadeiras, mas foram atribuídas a ele por pura brincadeira. Verdadeiras: • Quem está na chuva é para se queimar." • "Quero mesblar jovens e velhos na diretoria." • "Tive uma infantilidade muito triste." • "O difícil não é fácil." • "De gole em gole, a galinha enche o papo." Falsas: • "Isso é uma faca de dois legumes." • "O Sócrates é invendável e imprestável." • "Depois da tempestade vem a ambulância." • "Agradeço à Antárctica pelas Brahmas que nos mandou”.

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