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22/08/2009 17:38

Governo e empresa propõem cartão do torcedor

Elaine Patricia Cruz , Agência Brasil

São Paulo - A venda em casas lotéricas de ingressos para jogos de futebol é uma das propostas apresentadas ao governo federal para resolver o problema do comércio irregular de bilhetes. A proposta foi apresentada em março deste ano, quando foi lançado o projeto Torcida Legal – pacote de três ações com o objetivo de dar segurança e conforto aos torcedores e preparar o Brasil para a Copa do Mundo de 2014.

Uma das ações do Torcida Legal é a assinatura de um termo de cooperação entre o governo e entidades do futebol para facilitar o controle e o acesso do torcedor ao estádio. A proposta do Ministério do Esporte é criar um sistema nacional de cadastro de torcedores, exigindo o uso de um cartão na compra do ingresso e da entrada na arena.

O cartão do torcedor – que conteria vários dados para facilitar a identificação por um sistema informatizado – já havia sido sugerido ao Ministério do Esporte pelo Ministério Público de São Paulo.

Tentando acatar a sugestão, a BWA, empresa responsável pela venda de ingressos em 90% dos estádios de futebol brasileiros por meio da Ingresso Fácil, criou o cartão do entretenimento. A ideia da BWA é que esse cartão funcione nos moldes do Bilhete Único do transporte de São Paulo, contendo nome do usuário e podendo ser recarregado - como um telefone pré-pago - em diferentes postos, como casas lotéricas. Ao entrar no estádio, o torcedor será filmado e identificado e seus dados passsam a constar de um banco de dados.

Para um dos proprietários da BWA, Walter Balsemilli Neto, com essa iniciativa, "matam-se dois coelhos com uma cajadada só", já que acaba com a figura do cambista, que é o "grande vilão" dessa história e impede que om cartão seja usado por qualquer pessoas, que não o titular.


"No momento em que eu te entrego um cartão e esse cartão é pessoal e intransferível, te dou condições de carga do seu cartão para multieventos. Mas será um único ingresso por evento [ele não vai funcionar para outra pessoa]. Porque se você der essa possibilidade, o cambista vai carregar [inúmeros] ingressos no mesmo cartão e você só mudou o meio físico, que são vários ingressos, para um meio único de uma aproximação próxima de uma catraca para ir liberando o consumidor”, explicou Balsemelli.

Para o jornalista esportivo Juca Kfouri, a ideia é ótima, mas deveria ser adotada não só pela BWA. “Por que já não é assim há mais tempo? E por que tem que ser a BWA a fazer isso? Por que o Corinthians não pode fazer isso para vender seus ingressos?”, questionou.

Kfouri defende que os clubes brasileiros se profissionalizem e terceirezem a venda de ingressos. “Se terceirizar quem te vende ingresso, você terceirizará muito mais a favor do seu clube do que de quem vende o ingresso. Minha pergunta é muito simples: por que a BWA fez do seu dono um multimiliardário e o Flamengo está falido, devendo mais de R$ 400 milhões e o Corinthians está falido, devendo mais de R$ 100 milhões, sendo que a BWA vende ingressos para esses clubes?”, afirmou.

A BWA é investigada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro por problemas ocorridos no jogo da final da Libertadores da América entre o Fluminense e a LDU em junho do ano passado. Em entrevista à Agência Brasil, o promotor Rodrigo Terra explicou que a o episódio - que ficou conhecido como a Farra dos Ingressos e que gerou muita confusão entre os torcedores do clube - começou quando vários ingressos foram distribuídos internamente pelo clube, que deixou menos da metade do total previsto para os jogos para a ser comercializada nas bilheterias.

Segundo Terra, houve uma sucessão de transtornos e tumultos causados pela frustração do consumidor que não conseguia comprar os ingressos. A quantidade era bem menor do que deveria, e esse dado era desconhecido. Os torcedores procuravam as bilheterias desde a meia-noite do dia anterior até abrirem. Esperaram a noite toda, dormiram na fila e, na hora em que a bilheteria foi aberta uma quantidade pequena de torcedores chegou realmente a comprar os ingressos.

"Em seguida, foi dito ao público que a bilheteria ia ser fechada porque os ingressos tinham acabado e apareceram cambistas oferecendo aqueles ingressos, cinco minutos depois, por um preço maior. Isso naturalmente causou uma revolta muito grande e até apedrejamento da sede”, explicou.

Segundo ele, a BWA é suspeita de ter, nessa ocasião, distribuído os ingressos para agências de viagens, sem conhecimento do clube. Outra acusação é de que ela teria emitido ingressos antes do início da comercialização. Um termo de ajustamento de conduta foi oferecido pelo Ministério Público ao clube e à empresa e espera pela assinatura de ambos assumindo o compromisso de adotar uma série de medidas de proteção ao torcedor.

O Estatuto do Torcedor prevê a informasção com antecedência sobre o número de postos de venda, o total de ingressos que será comercializado e os locais onde estarão disponíveis.



Edição: Tereza Barbosa

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