Cassilândia, Terça-feira, 24 de Outubro de 2017

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19/05/2017 10:02

Dúvida cruel: Quem irá nos ‘salvar’ agora?

Manoel Afonso
Dúvida cruel: Quem irá nos ‘salvar’ agora?

‘VALE TUDO’ Nesta novela de 1988, o personagem sacana vivido por Reginaldo Farias foge com a mulher e na cabine do jatinho da uma ‘banana’ debochada. Após 29 anos a ficção vira realidade: os irmãos Batista dão no pé e enviam carta infame pedindo desculpas. Aí lembro Cazuza cantando: “Brasil – Mostra a sua cara – Quero ver quem paga pra gente ficar assim – Brasil – Qual é o seu negócio?”


‘MAGIA’ A história da Friboi é pública. Sacou dinheiro do BNDES e nos Governos Lula e Dilma cresceu 17 vezes. Aliás, essa relação promete revelações sensacionais. Mas interessa aqui os estragos que a Friboi fez na economia estadual, onde acertou com os políticos, comprou frigoríficos e imperou absoluto ditando preços e condições aos produtores. Hoje, ao contrário dos alemães na época de Bismarck, nós sabemos como as linguiças e as leis são feitas.


SEM SAÍDA Vender pra quem senão para a Friboi? Sem concorrência a Friboi nadou de braçadas, depreciando inclusive o mercado do bezerro/garrote. Fudeu literalmente os criadores e invernistas , mas ajudou os políticos – cúmplices - que fazem vistas grossas a essa política de cartel vergonhosa.


‘MIGALHAS’ Pelo que fatura aqui, inclusive por conta dos incentivos fiscais estaduais com a ‘Celulose Eldorado’ em Três Lagoas, ‘ que foi pouco’ o que investiu nas eleições para o Senado e Governo em 2014. R$10,5 milhões ao PSDB; R$5 milhões ao PMDB; R$400 mil ao PP e R$154 mil ao PT. Detalhe: só cachê de Andrea Boccelli para cantar na inauguração da Eldorado foi de R$1 milhão.


VENDO essa aliança esdrúxula dos políticos, alguns deles pecuaristas , com a JBS e Friboi – não há como deixar de citar o Nelson Rodrigues em sua genial definição : “ Eu me nego a acreditar que um político, mesmo o mais doce político, tenha senso moral”. A imprensa local tem sim o dever de levar esses fatos ao conhecimento da população.


O NOVO? Evidente que o quadro nacional poderá influenciar o eleitor local na sua análise das possibilidades ou perspectivas do pleito de 2018. Ora! a sucessão nacional – pelo calendário – ocorrerá junto com a sucessão estadual. Daí - tudo poderá ocorrer dependendo dos protagonistas e do quadro à época.


O ESTIGMA que colou na classe política que ‘habita’ Brasília, contamina por analogia grande parte dos políticos regionais. Salvo as exceções, aqui a imagem da classe política por conta dos currículos e escândalos, leva o eleitor a repensar liberto de velhas paixões, partidos e lideranças.


A RAPIDEZ dos fatos do cenário político associada a situação econômica enseja a reflexão sobre conceitos administrativos e seus líderes. Não é por acaso, por exemplo, que o prefeito paulistano João Dória Jr. ganha força, passando a ser visto como nova opção ao Planalto em 2018. Mas advirto: o Brasil ainda não chegou ao fundo do poço.


EVIDENTE que estereótipo do novo político diz mais de suas atitudes comportamentais e exemplos de vida do que sua idade. Vale sim o seu preparo, comprometimento com ideias modernas, transparentes e de acordo com as necessidades do povo. Já ouço por aí algumas reflexões neste sentido.


EXEMPLO local que ganha chances é do senador Pedro Chaves (PSC) com disposição de ocupar o espaço da candidatura majoritária. A estrada é longa, mas há ambiente para costuras, agregando lideranças e partidos para duas vagas ao senado e a vice governador. É pra pensar sim!


TORNOZELEIRA Com ou sem ela o ex-governador André Puccinelli saiu ainda mais fragilizado. Como no episódio da prisão do ex-deputado Edson Giroto ( PR), adotou a postura passiva – estranha a sua personalidade – não se defendendo na imprensa das graves imputações contra sua honra.


ALEGAÇÕES de abuso de autoridade de nada adiantam; os estragos irrecuperáveis. As prisões de pessoas ligadas ao ex-governador funcionam como combustível inflamável na fogueira da imaginação popular, onde as versões populares se sobrepõem as provas processuais inclusive. A casa caiu junto com o mito?


OS ÓRFÃOS de André fazem o que podem para minimizar os estragos. O choro é grande. Sem outro nome à altura, o caminho inicial seria o PSDB. Mas no saguão da Assembleia Legislativa ouvi a tese de que tudo dependeria da performance da atual gestão tucana e até dos reflexos de Brasília.


CIRO GOMES Aos 60 anos, o mesmo crítico com soluções para todos os males. Perguntei-lhe sobre sua derrota nas eleições de 2002 e ele confessou na lata: “perdi pelas bobagens pessoais”. Tenta postar-se como alternativa da esquerda, aposta na imprevisibilidade na política. Tá na área, tenta o gol que perdeu lá atrás.


DR. ODILON O flerte do Juiz Federal com o PDT é interessante, mas o partido dependeria da força da coligação.. Mas poderia integrar uma coligação sendo candidato ao Senado, ao lado de Ricardo Ayache ou Murilo Zhauti ( ambos do PSB) junto Pedro Chaves (PSC) ao Governo.


O JUIZ FEDERAL Odilon participa na manhã deste domingo às 9,30 horas do programa ‘Diálogo Aberto’ na TV Recor-MS , comandado pelo colega Ogg Ibrahim, falando inclusive sobre política. Além do colunista, participa a jornalista Carmem Cestari. Convém assistir!


PURA VERDADE! “Nós erramos no julgamento do desempenho parlamentar: do vereador ao senador. Temos por parâmetro verificar quantas leis ele criou, sem levarmos em conta que elas podem ter complicado ainda mais nossa vida, com mais entraves e às vezes outros impostos”.


A OBSERVAÇÃO de Sérgio Longen - presidente da Federação das Industrias de MS. – durante o debate havido na entidade com a presença do jornalista Ricardo Amorim (Globo News), retrata essa cultura sedenta por leis. Esse excesso de legislação encarece e inviabiliza o país, afastando os empreendedores. O país dos carimbos e certidões.


SEM MOLEZA Se depender do presidente João Rocha (PSDB) da Câmara da capital a CCR MS Vias não terá vida fácil. Na reunião desta quinta feira com vereadores de 21 cidades servidas pela BR 163, ele mostrou as incoerências da empresa para justificar o abandono das obras e a cobrança do pedágio.


JOÃO ROCHA lembrou: só 136 kms dos 845 foram duplicados – menos de 17%. O fluxo diário de 46 mil veículos garante a continuidade da obra; a empresa obteve empréstimo de R$2,9 bilhões junto ao BNDES. Documento foi elaborado e enviado a Agencia Nacional de Transportes Terrestres mostrando o quadro desolador. É esperar.


“O Brasil é um prato cheio para o sarcasmo e a avacalhação.” ( Diogo Mainardi)

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