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11/04/2008 07:45

Caso Calabresi: empresária e doméstica trocam acusações

TJGO

Acusadas de co-autoria nos crimes de tortura, maus-tratos e cárcere privado cometidos contra a garota L., de 12 anos, a empresária Sílvia Calabresi Lima e a doméstica Vanice Maria Novaes atribuíram uma à outra a responsabilidade pelos fatos, durante interrogatório realizado ontem (10), pelo juiz José Carlos Duarte, da 7ª Vara Criminal de Goiânia.

Já Marco Antônio Calabresi Lima, Thiago Calabresi Lima e Joana D´Arc da Silva – os dois primeiros acusados por omissão a tortura e a terceira, por ter entregue a filha em troca de dinheiro – se valeram do direito constitucional de permanecer em silêncio. As defesas dos três pleiteram a suspensão condicional dos processos a eles referentes sob a alegação de que se enquadram no que estabelece a Lei nº 9.099. O juiz apreciará os pedidos nos próximos dias.

Primeira a ser interrogada, Sílvia chegou à audiência com forte escolta de policiais militares, o que não impediu que um grande número de curiosos posicionados do lado de fora da sala tentasse agredi-la. Ao juiz, assumiu parte da responsabilidade pelo crime, sustentando que era bastante “enérgica” com L. porque acreditava que a estava educando, e não torturando. Por outro lado, atribui a maior parte dos atos a Vanice que, a seu ver, tinha “ciúmes” porque era empregada da casa enquanto L. “era tratada como filha”.

Segundo Sílvia, a convivência com L. foi tranqüila por cerca de dois anos, período após o qual passou a ser informada por Vanice de que a menina “vivia batendo boca” com sua mãe adotiva, uma idosa octagenária e hipertensiva. “A partir daí, passei a corrigi-la de forma mais firme”, comentou, admitindo que machucou a língua de L. com um alicate a fim de ensiná-la a não discutir com a idosa. Afirmou ainda que provocou as lesões nos dedos da garota quando descobriu que L. havia feito o mesmo com seu filho, de três anos. “Fiz aquilo para que ela percebesse o quanto dói”.

Por outro lado, a empresária negou ter acorrentado ou mantido L. por vários dias sem alimentação, oferecendo-lhe fezes e urinas de animais depois. Também negou ter amordaçado e usado pimenta e esparadrapo na boca dela. “Se isso aconteceu, nunca chegou a meu conhecimento”, garantiu, chorando. Sílvia assegurou que, embora tenha batido na vítima, sempre o fez com chinelos ou cintos e jamais com tamancadas ou marteladas. Ela negou, ainda, ter sufocado a menina com um saco plástico com a ajuda de Vanice. Em contrapartida, disse que por várias vezes recebeu telefonemas da doméstica reclamando de que L. “Eu cheguei a chamar a atenção de Vanice várias vezes”, assegurou.

Contradições

Negando a prática dos crimes, Vanice, por sua vez, disse que sabia das agressões de Sílvia contra L., mas não chegou a presenciar nenhuma. Contraditoriamente, contudo, garantiu que a empresária controlava a alimentação da menina, de modo que “ se tomasse café, não almoçava; se almoçasse, não jantava”, tendo havido uma ocasião em que a vítima ficou quatro dias sem comer. A doméstica admitiu ter segurado as pernas de L. enquanto a empresária a sufocava com um saco plástico, mas justificou sua atitude dizendo que Sílvia lhe fazia ameaças de morte. Também foi essa a explicação que deu para o fato de ter colocado pimenta na boca da menina para, em seguida, amordaçá-la.

“Sílvia amarrou a menina com correntes por várias vezes e a deixava nessa situação por cerca de meia hora”, comentou, confessando que no dia da prisão em flagrante fora ela mesma quem havia amarrado a garota, a mando da patroa. Também atribuiu às ameaças de Sílvia o fato de não ter deixado o emprego apesar de não estar recebendo o salário, e se disse arrependida de não ter denunciado o caso antes. Ela afirmou que somente delatou a ex-patroa quando esta tentou tomar para si seu bebê, de apenas cinco meses.

Mãe

Segundo Sílvia, L. passou a morar em sua casa a pedido de Joana D´Arc, que frequëntava sua residência semanalmente. “Ela tinha outros filhos para criar e me perguntou se eu poderia ficar com L. por uns tempos, por isso aceitei. Não houve pagamento, nem da minha parte, nem da dela”, destacou. Todavia, a empresária admitiu que quando L. já morava com ela, chegou a pagar a conta de luz de Joana D´Arc por duas ou três vezes e também uma viagem dela a Pires do Rio. Já Vanice garantiu que a mãe biológica de L. recebia 100 reais por mês de Sílvia.

A empresária disse que se sente arrependida não somente pelo que fez com L., mas também pela forma como educou seus dois filhos maiores, com quem também teria sido dura. “Fui molestada sexualmente desde pequena. Mudei de orfanato várias vezes, sofri muito. Acho que é por isso que sempre fui muito firme e peguei pesado em algumas ocasiões, inclusive com meus próprios filhos”, comentou. (Patrícia Papini)

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