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26/06/2007 07:06

Caso Asmego: réu tenta inocentar irmão e cunhado

TJGO

Interrogado ontem (25) pelo juiz-substituto Luís Flávio Cunha Navarro, em atuação na 9ª Vara Criminal de Goiânia, o gerente de serviços Rodrigo Prado de Oliveira, tentou por várias vezes inocentar seu irmão, o bacharel em Direito Régis Prado de Oliveira; e seu cunhado, o gestor de agronegócios Marco Valério Caetano de Oliveira, da acusação de terem participado com ele do desfalque de R$ 2,4 milhões nas contas da Associação dos Magistrados do Estado de Goiás (Asmego). "Ninguém sabia de nada", garantiu.

Rodrigo explicou que comprava e vendia carros desde os 18 anos, razão pela qual sua família não desconfiou de nada quando passou a transitar com os veículos de luxo que comprava com dinheiro da Asmego. Segundo ele, amigos e parentes também nunca ficaram sabendo dos imóveis que havia adquirido com os furtos. "Quando fui entrevistado na delegacia, eu disse que havia enganado a família dizendo que aquilo era dinheiro de venda de sentenças e de fraude em licitações porque foi a primeira coisa que me veio à cabeça. Estava assustado com aquele tanto de luzes, câmeras e microfones", explicou.

Segundo ele, Régis, que foi denunciado como comparsa por ter emprestado sua conta-corrente para as transações financeiras de Rodrigo, não sabia de nada. Rodrigo esclareceu que o irmão havia terminado a faculdade e tinha uma conta universitária no Banco do Brasil. "Ele se formou e abriu conta em outro banco. Fiquei sabendo que ele iria fechar a antiga conta universitária e então pedi para que me emprestasse, alegando que estava com o nome sujo e precisava de uma conta e cheques assinados. Eles fez isso por mim", garantiu, acrescentando que ao ser questionado pela gerência do banco sobre o grande volume de dinheiro transacionado, Régis procurou Rodrigo. Na ocasião, segundo afirma, disse ao irmão que era dinheiro proveniente da compra e venda de carros, mas tempos depois alguns cheques começaram a voltar por falta de fundos, ocasião em que Régis fechou a conta.

Com relação a Marco Valério, o gerente de serviços disse que o nome dele somente foi incluído na denúncia porque o cunhado é proprietário de uma concessionária e conhecia muitas oficinas mecânicas que prestavam serviços de qualidade. "Alguns carros que comprei tinham alguns defeitos e como o Marco Valério conhecia bons mecânicos, eu depositava o valor cobrado pelos consertos diretamente na conta dele", comentou. Também estavam previstos para hoje os interrogatórios de Marco Valério - que embora tenha comparecido, teve a audiência adiada - e de Régis, que, alegando transtornos psicológicos decorrentes do escândalo, apresentou atestado médico pedindo nova data para ser interrogado.

Ainda em seu interrogatório, Rodrigo assumiu o crime mas disse que, pelas suas contas, chegou a furtar cerca de R$ 1, 7 milhão, e não R$ 2,7 milhões, como sustenta o MP. Ele falou que, com o dinheiro, comprou veículos, imóveis e chegava a gastar R$ 4,8 mil em casas noturnas. "Eu não imaginei que as coisas terminariam assim. E pensei que quando descobrissem, conseguiria resolver tudo internamente", comentou. (Patrícia Papini)

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