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25/03/2005 07:51

Aquários podem causar infecções e envenenamentos

Agência Notisa

Manipulação dos animais e de objetos imersos na água sem os devidos cuidados aumenta o risco de acidentes.
O inofensivo hábito de criar animais aquáticos pode esconder uma porta de entrada para infecções, envenenamentos e até morte. Os traumas ocorrem, normalmente, durante a manipulação dos animais para alimentação ou limpeza do aquário – profissional ou doméstico –. Em artigo publicado nos Anais de Dermatologia, ed. mar/abr/2004, o médico Vidal Haddad Junior e sua equipe, da Faculdade de Medicina Botucatu, relatam acidentes mais freqüentes, animais causadores e os tratamentos necessários para cada caso.

A manipulação de conchas, pedras, objetos de decoração e aparelhos para manutenção da vida no aquário pode provocar lesões na pele. Segundo o artigo, “a água dos aquários é um meio propício para o desenvolvimento de bactérias causadoras de tétano, gangrena. Arranhões, lesões e cortes, em contato com a água contaminada, facilitam a proliferação de infecções bacterianas”. Diabéticos e portadores de imunodeficiências, são mais propensos a desenvolver sintomas graves, como a falência dos órgãos seguida de morte, após o contato com determinadas espécies de animais aquáticos.

As lojas do ramo não costumam alertar aos compradores sobre os riscos de acidentes com ferrões, espículas e dentes dos animais. A desinformação e a conseqüente falta de cuidados específicos contribui para o grande número de acidentes. “As anêmonas e os cnidários podem causar irritações cutâneas tão dolorosas como as provocadas por águas-vivas e caravelas. Os ouriços-do-mar podem introduzir suas espículas corporais na pele de quem o manipular sem os devidos cuidados. A retirada é difícil, feita somente em ambiente hospitalar”, afirma no texto a equipe responsável pela pesquisa.

Peixes raros são importados do Oceano Índico e Pacífico pela rara beleza. Mas, por trás de cores intensas e formas inusitadas, existem animais capazes de produzir casos graves de envenenamento. Entre eles estão o lionfish ou peixe-leão e o peixe-cirurgião. Um acidente provocado por tais espécimes, ou por outro peixe venenoso, causa muita dor, vermelhidão e inchaço. As moréias possuem dentes pontiagudos que, junto à saliva tóxica, provocam muita dor. Há também aqueles que criam peixes valorizados por sua poderosa mandíbula. É o caso das piranhas. Segundo Haddad, “apesar de não provocar envenenamento, a mordida destes peixes é capaz de causar ferimentos muito graves. Muitas vezes é necessário amputar partes dos dedos”.

Entre os peixes venenosos encontrados com freqüência em aquários destacam-se mandis, bagres e arraias. Os primeiros possuem ferrões venenosos. “As arraias de água doce são vendidas em grande número nas lojas de aquarismo por sua beleza, mas são responsáveis por causar um dos mais graves envenenamentos por animal aquático. Arraias marinhas mantidas em aquários domésticos e comerciais também causam graves acidentes”, informa o médico.

”A cada 1.000 atendimentos nos pronto-socorros de cidades litorâneas, um é causado por animal marinho”, afirma a equipe. A maioria das vítimas desconhece os procedimentos corretos para assepsia e tratamento do local lesionado. No estudo foram analisadas 300 vítimas de acidentes causados por animais aquáticos, mas apenas a metade tinha conhecimento dos riscos e cuidados que eles inspiram. Grande parte dos indivíduos analisados na pesquisa fez uso de urina, analgésicos injetáveis ou álcool após o trauma. Segundo orientações presentes no artigo, “todo ferimento que ocorra em ambiente aquático, por menor que seja, deve ser cuidadosamente lavado com água e sabão. Pedras, areia, fragmentos de ferrões de peixes ou outros materiais no ferimento devem obrigatoriamente ser retirados. O uso de um antisséptico como álcool ou iodo pode ser feito após a lavagem intensiva da área lesionada.”

Após acidentes ocorridos em aquário é normal o surgimento de pequenas inflamações no local afetado. A vermelhidão e o inchaço tendem a desaparecer em no máximo dois dias. A persistência dos sintomas ou o surgimento de febre e mal-estar, sinalizam a manifestação de uma infecção cutânea. Para tratar corretamente ferimentos causados por animais aquáticos é necessário reconhecer o causador. Traumas provocados por anêmonas, corais, caravelas e águas-vivas devem receber compressas de água marinha gelada. Neste caso, a água doce não é indicada porque possui a propriedade de ativar as células urticantes presentes nos tentáculos destes animais, agravando o quadro.

Os ferimentos causados por peixes venenosos – como bagres, mandis, moréias, peixes-escorpião, lionfishes e arrais marinhas ou fluviais – caracterizam-se por apresentar dor incompatível com a profundidade da lesão. Nestes casos indica-se a imersão do local lesionado em água quente, capaz de inativar o veneno, e atendimento hospitalar posterior. As espículas de ouriços-do-mar – animal bastante utilizado na decoração de aquários marinhos – são quebradiças e devem ser retiradas em hospitais. Fragmentos mantidos sob a pele podem provocar nódulos dolorosos removidos somente por via cirúrgica.

A fim de evitar acidentes e lesões graves, o artigo recomenda ”o uso de luvas grossas de borracha sempre que houver necessidade de introduzir as mãos no aquário, já que pedras e objetos de decoração podem carrear bactérias causadoras de infecções. A manipulação de animais aquáticos, venenosos ou não, deve ser feita em redes específicas.” A equipe afirma que os envenenamentos não comuns, mas podem ocorrer por falta de conhecimento do animal mantido no aquário e caso as medidas de precaução não sejam respeitadas. “O aquarista deve ser conscientizado de que pequenos cortes e arranhões adquiridos dentro de aquários caseiros oferecem riscos semelhantes àqueles a que se expõe na natureza ou até maiores, e um pequeno trauma deve ser tratado com atenção a fim de serem evitadas complicações graves”, orientam os pesquisadores.



Agência Notisa (jornalismo científico - science journalism)

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