Cassilândia, Sexta-feira, 24 de Maio de 2019

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11/04/2019 16:00

"Nem os pais conhecem os filhos, nem a escola os alunos", diz pesquisador

Campo Grande News

Sinais de wi-fi nomeados com anúncio de “massacres”. Discursos de auto violência, violência, bullyng. A violência, em si, não é novidade, mas essa “lista” integra uma nova realidade, um novo discurso em torno da violência nas escolas. Em Mato Grosso do Sul, o ataque em Suzano (SP), surtiu efeito cascata, mas às reações aos casos de “pânico” mostram que nem os pais e nem a escola conhecem as crianças e adolescentes.

É o que pensa o professor de pedagogia e psicologia da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), Antônio Carlos Nascimento Osório, especialista em educação e pesquisador da temática “sujeitos, comportamentos e as relações com as instituições”.

“A família tem que conhecer o filho que tem, mas a escola precisava conhecer o aluno dela também, teria que ficar atenta para isso. A escola foi descaracterizada para ser reduzida a ensinar, ela não conhece os sujeitos que estão envolvidos. Quando surge uma situação de pânico, agem pelo emocional e não pelo racional”, comentou

Nesta quinta-feira (11) outra situação gerou pânico e reações de pais na Escola Paulo Freire em Campo Grande. Um aluno de 11 anos do 7ª ano teria afirmado uma promessa de matar colegas, funcionários e professores, o que provocou revolta em algumas famílias. Cerca de 20 pais e mães querem a expulsão do menino e chegaram a procurar a delegacia.

Antônio classifica a situação como “absurda”. “Eu acho que a gente tem que escutar mais os outros, a gente precisa conversar e não tem tempo pra isso. O único contato que os pais têm com os filhos normalmente é de final de semana, esse menino na verdade tentou chamar a atenção. É absurdo colocar [expulsão] como condição”, disse.

“A criança e o adolescente não têm noção do que estão fazendo, é uma tentativa de se auto vangloriar com um poder que não existe. Tenho certeza que ele não tem noção nenhuma, a reação dos pais é emocional, forçada pelo conjunto midiático da violências do país, por um cenário de desestabilização das coisas”, argumenta.

Individualismo e novas tecnologias – Massiva, a sociedade isola cada vez mais as pessoas, que se tornam, dessa forma, seres humanos individualistas. É nesse cenário, também, que surgem as novas tecnologias. A imagem distópica em que todos caminham lado a lado em uma rua, mas olham para os celulares, ao invés de uns para os outros, é agora uma realidade.

“Hoje a gente vive um momento do individualismo, é um processo social que ganhou força nos últimos anos, e temos uma questão midiática e política da revanche, as pessoas estão se sentindo acuadas e desestabilizadas. Os pais colocam o celular na frente deles, uma criança de 2 anos sabe mexer no celular mais do que muito adulto. Em restaurantes cada um de uma família está olhando para o celular. O problema da tecnologia instigou uma nova linguagem, relações afetivas anônimas, isso provoca uma questão emocional muito série e leva onde nós estamos”, afirma.

O professor afirma que os pais “sempre se comportam de uma maneira radical”. “Acho que tem que aprender a dialogar com os filhos...você fazer juízo de valor de uma criança de 11 anos...a perguntar fundamental é por que ele fez isso”, comenta.

Herois na reta final – Para o professor, os pais negligenciam os filhos e preocupam-se apenas quando uma situação extrema ocorre. “No fundo, o problema todo é de ordem social, que reflete no individual. Existe uma questão que me preocupa que é os pais quererem virar heróis na reta final. Não há diálogo na família, não sabem o que acontece na escola”, opina.

“O problema não é a tecnologia, é o uso da tecnologia, a violência sempre existiu na sociedade. A questão da violência sempre foi velada. Hoje a gente vive um momento do individualismo, é um processo social que ganhou força nos últimos anos. É uma guerra psicológica. Grande parte dos pais não conhecem os filhos que tem, acham que a escola é responsável", opina o especialista.

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