Cassilândia, Sábado, 23 de Setembro de 2017

Luciane Buriasco

04/09/2017 08:20

Luciane Buriasco - Que Não Haja Uma Terceira Guerra Mundial

Magistrada Luciane Buriasco Isquerdo
Luciane Buriasco - Que Não Haja Uma Terceira Guerra Mundial

 

 

 

Ainda ontem a Coréia do Norte fez seu sexto teste nuclear, cinco a seis vezes mais possante que aquele de setembro de 2016. De nada têm adiantado as ameaças de Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos, que não parecem uma estratégia clara e sim falas soltas, ora num sentido ora noutro (insinua que possa ser necessário uma ofensiva militar, mas fala também em não comercializar com países que comercializem com a Coréia do Norte). Muitas de suas falas vêm do Tweeter, e vão de encontro a declarações oficiais de sua equipe, como ocorreu com seu Secretário de Estado, Rex Tillerson, que declarou estarem sempre interessados na saída pelo diálogo em 15 de agosto, quando em 28 do mesmo mês Trump tweetou que falar não é a solução[1]. O fato é que suas ameaças, querendo demonstrar força, não fizeram parar os testes.

O Conselho de Segurança da ONU se reunirá hoje, de forma urgente, para discutir como responder a estes testes, provavelmente nessa linha de sanções econômicas. A China, tradicional aliada da Coréia do Norte, disse que adotará sim sanções econômicas, o que pode ser uma saída, já que a Coréia do Norte exporta produtos como chumbo, ferro, minerais e sua pesca[2], sendo a China a compradora de mais de oitenta por cento de seus produtos e também a origem de mais de oitenta por cento de seus produtos[3]. Segundo Vladimir Putin, Presidente da Rússia, não se deve ceder às emoções e os meios utilizados devem ser políticos e diplomáticos[4].

Não parece haver dúvida, pela comunidade internacional, de que a situação seja preocupante e de que as falas ameaçadoras de Trump só demonstrem irresponsabilidade e risco para todo o planeta. Desde a Segunda Guerra Mundial, temos resolvido os conflitos com diplomacia, sanções econômicas e uma ou outra guerra isolada, como do Kuwait, Iraque, Afeganistão. Ninguém quer passar por novo conflito mundial, especialmente na era das armas atômicas, com um poder destruidor muito maior.

Este fim de semana assisti Agnus Dei, filme lançado no Brasil em julho de 2016, vencedor de seis prêmios, inclusive César de Melhor Filme e Melhor Diretor, apelidado de Oscar francês, agora em 2017. O filme está disponível no Netflix. A estória, baseada em fatos reais, conta um drama pouco conhecido: o estupro de freiras, gerando gravidez e doenças venéreas, por soldados russos e polacos. Em tempos de guerra, não se respeita ninguém, de lado nenhum. Até a médica da Cruz Vermelha que lhes presta assistência quase é estuprada. Entre crentes e descrentes, surge o unânime no sentido da vida: o amor, materializado na caridade, no que se faz pelo outro. O filme é belíssimo.

Há aproximadamente um mês entrou em cartaz e assisti Dunkirk nos cinemas, em tecnologia IMAX, na qual foi filmado, através da qual experimentamos sensação próxima de ter vivido o conflito retratado, ouvido os tiros, que vibram em nosso corpo, numa tela tão gigante que nem parece uma tela, remetendo-nos assim vividamente à Segunda Guerra Mundial. Nele, a triste constatação de que muitas vezes o maior inimigo é seu aliado, quem caminha os mesmos passos, na mesma fila. Que dificuldade tem a humanidade em caminhar junto, sem se fazer mal, ajudando-se, isso sim. O filme é exatamente sobre isso, e mostra os dois lados: aliados que por pouco não se matam, pessoas do mesmo lado no mesmo barco que se matam, e, de outro, não fora a ajuda corajosa de civis, voluntá rios, não teriam se salvado aqueles soldados ingleses e franceses encurralados pelos alemães, no Canal da Mancha, no porto de Dunkirk.

Ambos os filmes se passam na Segunda Guerra Mundial. E se por vezes o tema já parece batido, pelos riscos ainda presentes, em testes nucleares e declarações soltas do Tweeter de Presidente de importante nação, como a americana, logo vemos e desejamos que muito ainda se fale sobre nossas grandes guerras. É tão bom viver num mundo globalizado, onde se pode negociar, viajar, ter acesso imediato via internet a jornais, revistas, filmes, conhecimento em geral. É tão bom ter leis e Justiça para se recorrer, serviços públicos, remédios, ainda que tudo isso com um milhão de falhas, especialmente no Brasil, quando comparado à Europa e Estados Unidos. É tão bom poder discutir se ejacular em alguém é ou não estupro, como se fez n a semana passada.

Logo que Donald Trump foi eleito, tive muito medo de uma terceira guerra, pelas declarações e promessas de campanha dele. Assim que começou a ser barrado pelo Judiciário de seu país, enfrentar problemas com o Legislativo, hostilizado sistematicamente pela mídia, fiquei mais tranquila. Diante desse seu pouco traquejo com os testes da Coréia do Norte, lá mesmo nos Estados Unidos chegou-se a falar em aplicar a Emenda número 25 e submeter-lhe a um exame de insanidade mental.

Até Putin, supostamente aliado e que se investiga até que ponto tenha influenciado a eleição nos Estados Unidos, já deve ter se arrependido do feito, falando em não se ceder a emoções e em saídas políticas e diplomáticas, como mencionei de início.

Comemora-se este ano cem anos da Revolução Russa, quando Stálin, sem dúvida digno paciente psiquiátrico, chegou ao poder. Seja Trump declarado insano ou contido pelos demais poderes e comunidade internacional, que obedeça ao que restar decidido pelo Conselho de Segurança da ONU em vez de agir por si em assunto tão delicado, que não diz respeito somente ao país que comanda. Tudo para que não haja uma terceira guerra mundial, com dores extremas, que queremos poder um dia esquecer.

______________________

[1] http://www.lemonde.fr/ameriques/article/2017/09/03/donald-trump-sans-strategie-claire-face-a-la-coree-du-nord _5180389_3222.html
[2] http://www.lemonde.fr/international/article/2017/09/03/vives-reactions-internationales-apres-un-essai-nucleaire-en-coree-du-nord_5180350_3210.html
[3] https://brasil.elpais.com/brasil/2017/04/20/economia/1492664119_821475.html
[4] Idem nota 2.

Luciane Buriasco Isquerdo é Juíza de Direito da 2.a. Vara Cível e Criminal de Cassilândia-MS, apresentadora dos programas de rádio Culturativa (http://www.radiopatriarca.com.br/culturaativa.asp) e Em Família, na Rádio Patriarca. Siga-a no Tweeter: @LucianeBuriasco

 

 

 

Bom dia, acho que sempre temos que analisar os dois lados. Creio eu que os EUA, Russia, India, Europa, etc, todos já fizeram inúmeros testes nucleares, e nunca foi dado atenção a isso, possuem armas nucleares para que não percam sua hegemonia, pois a história é clara, quem anda desarmado perde seu território político,tbm uma questão de o próprio povo andar armado. Governantes devem se armar para garantir a segurança nacional, manter a cultura de cada povo, pois se entrarem na conversa do desarmamento, logo tem americano substituindo o poder com "fins pacíficos", mas sempre obscuramente com interesses de poder. Pelo que sei nas mídias dizem que o presidente da coréia do norte é um doido etc, mas me informando bem descobri que o mesmo e formado nas melhores universidades do mundo.
 
Terence Groot em 05/09/2017 08:24:00
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