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Seminário questiona qualidade do ensino básico

Agência Câmara - 16 de setembro de 2003 - 09:58

Representantes do Governo e especialistas em educação criticaram a qualidade do ensino básico no País e defenderam o incentivo a pesquisas na área, durante o seminário "O Poder Legislativo e a Alfabetização Infantil: Os Novos Caminhos", promovido pela Comissão de Educação e Cultura, na Câmara Federal. No encontro foram discutidos o analfabetismo no Brasil e a implementação de políticas públicas que estabeleçam melhores métodos para a educação infantil.
De acordo com a Secretaria de Educação Infantil do Ministério da Educação, existem hoje no Brasil 20 milhões de analfabetos. Além disso, 59% dos alunos da 4ª série não conseguem ler nem escrever, e 52% não sabem as quatro operações aritméticas.

QUALIDADE QUESTIONÁVEL
O Brasil garante o acesso ao ensino fundamental a todas as crianças, mas não garante a qualidade da educação. Esse, segundo o presidente da Câmara de Educação Básica do Brasil, Francisco Cordão, é um dos problemas mais sérios da educação no País.
Segundo Cordão, a grande falha da educação brasileira é a deficiência na formação dos professores para séries iniciais. Para ele, as universidades não preparam os professores adequadamente para a alfabetização. Ainda de acordo com o convidado, o antigo ensino normal, apesar de suas limitações, tinha grande carga horária dedicada à alfabetização.
O presidente da Câmara de Educação Básica destacou também que os parâmetros curriculares nacionais, produzidos pelo Ministério da Educação apenas para nortear as escolas, foram entendidos como normas a serem seguidas por todas as instituições de ensino. Essa seria outra conseqüência da formação falha dos educadores.
Francisco Cordão destacou ainda a importância do investimento das universidades em pesquisa para educação básica. A ex-deputada Esther Grossi (PT-RS), especialista no assunto, também defendeu mais pesquisa na área.
A secretária de Educação Infantil do Ministério da Educação, Maria José Feres, afirmou que já estão sendo desenvolvidas políticas para melhorar a qualidade do ensino nas escolas públicas.

RELATÓRIO APONTA FALHAS
Durante o seminário, também está sendo debatido o relatório do grupo de trabalho "Alfabetização infantil: os novos caminhos", integrado por sete especialistas no assunto e formado por iniciativa da Comissão de Educação.
O documento aponta os dois principais problemas da educação brasileira. O primeiro, de acordo com o relatório, é o fato de que o Brasil não consegue alfabetizar adequadamente suas crianças, o que afeta de maneira irreversível a trajetória escolar. O segundo é a dificuldade de o País usar os conhecimentos científicos e os dados do sistema de avaliação para melhorar a qualidade de sua educação. O texto também cita falhas do Sistema de Avaliação do Ensino Básico, que, apesar de ser utilizado há mais de dez anos pelo Governo, não tem tido aproveitamento prático.
Segundo o relatório, o Sistema Internacional de Avaliação de Competência em Leitura (Pisa) realizou um estudo com estudantes da 7ª e 8ª séries de 32 países. Os resultados demonstram que o Brasil está à frente apenas da Albânia, Macedônia, Peru e Indonésia.

EXPERIÊNCIA INTERNACIONAL
O documento do grupo de trabalho traz também comparações entre os sistemas educacionais do Brasil e de outros países; e destaca que a formação de professores no País é deficiente. Na França e Inglaterra, por exemplo, o governo elabora o modelo do material didático utilizado pelos professores nas salas de aula. Nos Estados Unidos e na França, existem mecanismos de controle de qualidade das instituições que formam professores.
Para o presidente da Comissão de Educação, Gastão Vieira (PMDB-MA), a experiência dos outros países vai ajudar a Câmara na discussão de novos modelos para educação. O deputado lamentou o baixo índice de leitura por parte das crianças devido ao analfabetismo; e lembrou que a discussão do assunto pelo Legislativo não é nenhuma novidade, uma vez que a Inglaterra e os Estados Unidos têm estudos desenvolvidos pelos seus parlamentos.
As recomendações do relatório serão dirigidas ao Ministério da Educação, às secretarias de Educação dos estados e às instituições de formação de professores.

UNIDADE
O representante da Unesco no Brasil, Jorge Werthein, previu que a mobilização e a união de forças vão erradicar o analfabetismo no Brasil; e disse que as duas forças motoras são o Legislativo e a unidade da sociedade civil. "É inaceitável a convivência do analfabetismo entre adultos e crianças. Esse seminário dá um passo decisivo para colocar o Legislativo no centro do problema", analisou.
Werthein também elogiou o programa do Ministério da Educação para a eliminação do analfabetismo.



Da Reportagem
Edição - Daniela André


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