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Amorim diz que ''lamenta'' fala do presidente boliviano

Spensy Pimentel/ABr - 11 de maio de 2006 - 17:59

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse há pouco que o governo brasileiro "lamenta" e "estranha" as declarações do presidente boliviano, Evo Morales, de que a Petrobras agiu fora da legalidade na Bolívia.

Em entrevista coletiva a jornalistas brasileiros, há pouco, Amorim disse que a lamentação e o estranhamento podem se transformar em "indignação", caso a Bolívia sustente a acusação de que a Petrobras até mesmo cometeu crimes como contrabando. "Prefiro crer que ele não estivesse se referindo a Petrobras", disse Amorim. "Mas, evidentemente, se por um acaso essa afirmação se referir a Petrobras, ela não tem nenhum fundamento".

"A nossa convicção é de que a Petrobras, sim, atuou legalmente", disse. "A convicção do presidente [Luiz Inácio Lula da Silva] é a de que ela sempre se pautou por normas legais."

Questionado pelos jornalistas se a reação do governo brasileiro não estaria sendo excessivamente moderada, dado o teor pouco usual das declarações de Morales, Amorim respondeu: "Não há interesse em parecer belicoso, nem em parecer extremamente moderado".

Segundo o ministro brasileiro, as declarações de Morales contrastam com os documentos que vem sendo assinados entre os dois países no sentido de procurar resolver o problema: a declaração de Puerto Iguazú, resultado de encontro presidencial ocorrido semana passada, e o comunicado conjunto dos ministros de Energia, divulgado ontem (9). Segundo Amorim, esses documentos dão "bom encaminhamento" à questão e foram estabelecidos em "clima positivo".

"É um contraste que naturalmente gera ansiedade", disse. "Se as declarações públicas aparentam ter um sentido diverso daquilo que esta consignado nos documentos, isso pode ter o efeito de pôr em dúvida o que foi colocado nesses documentos."

Amorim também reiterou que o governo agira com moderação, mas fará tudo para defender os interesses brasileiros legitimos nessa disputa e que o governo tem noção de que a população trata a Petrobras quase com o mesmo orgulho como o que tem pela seleção brasileira de futebol. "Se houver duvidas sobre normas legais, o que pode ocorrer em qualquer circunstância, há mecanismos legais aos quais se pode recorrer."

O ministro também disse que o governo esta fazendo gestões para garantir a situação dos brasileiros que vivem na Bolívia, incluindo sojicultores – os chamados sojeiros, responsáveis, segundo Amorim, por 60% das exportações bolivianas do produto. "Esperamos que eles sejam tratados com humanidade e civilidade", afirmou.

Amorim disse que, se houver oportunidade, o presidente Lula deverá conversar amanhã com Morales sobre o episódio, mas que o governo brasileiro não quer que o assunto domine a Cúpula União Européia - América Latina e Caribe.

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