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Vidas cruzadas pela fé e superação: a história de David e Maria em Cassilândia

Casal relembra infância de privações, juventude de trabalho árduo e a inusitada "saga" de um casamento que quase não aconteceu por causa de um Corcel 2.

Cassilândia Notícias - 24 de junho de 2026 - 23:13

Vidas cruzadas pela fé e superação: a história de David e Maria em Cassilândia

A edição nº 11.752 do programa Rotativa no Ar desta quarta-feira, 24 de junho, recebeu um casal que personifica uma história de resiliência de Cassilândia. David Lourenço de Assis, cassilandense nato, e Maria das Virgens Gonçalves de Assis, embora nascida em Araçatuba, criaram raízes profundas na cidade através de décadas de trabalho e dedicação à família e à comunidade.

Davi: o menino "custoso" e um grande alfaiate 

David nasceu na mesma residência onde mora até hoje, na Rua Wladislau Garcia Gomes, em uma região próxima ao Hospital São Lucas. Filho de um carpinteiro e caçula de uma família de dez irmãos, ele descreveu sua infância como "custosa", marcada por muitas travessuras e brigas de rua, que frequentemente terminavam com corretivos aplicados por sua mãe com varas de goiabeira. Sua trajetória profissional começou cedo, aos 12 anos, na padaria de Luiz Borracha. Após passagens por máquinas de beneficiamento de arroz, construção civil, David consolidou sua carreira como alfaiate, trabalhando por 21 anos ao lado de Tião Alfaiate. Depois, trabalhou em frigorífico e posto de combustível, até se aposentar. Uma de suas características mais curiosas, revelada durante o programa, é seu hábito alimentar: David dispensa carne e prefere comer arroz e feijão acompanhados de pipoca.

Maria: dos sacos de estopa à estabilidade após o casamento

A história de Maria das Virgens é um relato emocionante de superação da pobreza extrema. Criada em fazendas na região de São João do Aporé e Itajá, ela relembrou que sua família era tão pobre que não possuía cobertores; ela e os irmãos dormiam sob sacos de estopa costurados por sua mãe. Aos 13 anos, Maria começou a ser enviada para trabalhar em casas de terceiros em troca apenas de comida e roupa. Ela chegou a ficar três anos sem ver os pais enquanto trabalhava em Santa Fé do Sul. Mais tarde, em Cassilândia, após casar, trabalhou para diversas famílias como doméstica, destacando-se os 21 anos de serviço prestados à família Girotto até sua aposentadoria.

O encontro e o casamento "atrasado"

O casal se conheceu em 1986 através da Igreja Congregação Cristã do Brasil, onde David tocava trombone. Maria admite que o "conquistou pelo cansaço", e após apenas nove meses de namoro, decidiram se casar. A cerimônia, realizada em São João do Aporé, tornou-se uma lenda familiar devido a uma série de percalços. O casamento estava marcado para as 11h00 da manhã, mas o carro que levava a noiva, um Corcel 2, superaquecia constantemente na estrada de terra, obrigando paradas frequentes. Para completar, o veículo chegou a cair em um mata-burro. O enlace matrimonial só ocorreu às 14h00, com os convidados já apreensivos com o atraso de três horas. Hoje, casados há 40 anos e pais de dois filhos, Rafael e Jean, David e Maria são exemplos de como a fé e o trabalho digno podem transformar histórias de privação em legados de honra e gratidão. Confira a íntegra da entrevista, no vídeo abaixo:

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