Cassilândia
Memórias de um campeão: Gilber relembra histórias de Cassilândia e sua vocação veterinária
Em entrevista emocionante, o "filho da Furna dos Cadetes" detalha os títulos nacionais da Fanfarra Municipal, a infância sem asfalto e o trauma que o transformou em médico de animais.

A edição desta quarta-feira, 8 de julho de 2026, do programa Rotativa no Ar, da Rádio Patriarca, recebeu o médico veterinário Gilber Gonçalves Gouveia, que compartilhou uma trajetória de vida que se confunde com a própria história de Cassilândia. Nascido na “Furna dos Cadetes”, Gilber é filho de Manoel Gouveia Neto e Judite Alves Gonçalves (conhecida como Judit Cadete) e sobrinho do saudoso ex-deputado Valdomiro Gonçalves.
Infância rural e a chegada à cidade
Alfabetizado na própria fazenda em uma escolinha montada pelo avô, onde sua mãe era a professora, Gilber mudou-se para a cidade em 1971 para prosseguir com os estudos. Ele recorda que, naquela época, Cassilândia não possuía asfalto; o cenário era marcado por terra vermelha barrenta na chuva e muita poeira na seca. Seu "playground" era a Praça São José, onde as crianças jogavam bola, birola e brincavam sobre o pó de serra e palhas de arroz das serrarias e máquinas de beneficiameto locais. Foi nessa época, aos 7 anos, que ele conheceu e se encantou pelo picolé.
A glória nacional com a Fanfarra Municipal
Um dos pontos altos da entrevista foi a recordação dos tempos da Fanfarra Municipal de Cassilândia. Sob a coordenação do casal Lígia e Celes de Castro e o rigor militar do instrutor Auro, Gilber integrou um grupo de jovens que levou o nome da cidade para todo o país.
1979: Vice-campeões nacionais na Avenida Paulista, em São Paulo.
1980: Campeões Brasileiros, conquista que lhes deu o direito de se apresentar em Brasília para o presidente João Figueiredo, durante as comemorações dos 20 anos da capital federal.
O chamado da Veterinária: uma promessa de adolescente
A decisão de seguir a medicina veterinária nasceu de um episódio traumático aos 14 anos. Gilber possuía um cavalo de estimação, presente de seu primeiro aniversário, que foi gravemente ferido pelo chifre de uma vaca. Na ausência de veterinários na cidade, o animal teve de ser sacrificado. "Aquele dia eu falei: vou ser veterinário para salvar os animais", relembrou emocionado.
Anos depois, já formado pela UDESC em Santa Catarina — onde enfrentou nevascas e temperaturas de -12°C —, Gilber viveu sua realização profissional no Chaco Paraguaio. Ao atender um cavalo com o mesmo ferimento que vitimou seu animal de infância, ele conseguiu operá-lo e salvá-lo, fechando um ciclo de vida dedicado à profissão.
Política e legado familiar
Gilber relembrou o ambiente político de sua casa, que funcionava como um comitê para Valdomiro Gonçalves, onde o café era coado dez vezes ao dia para atender correligionários e amigos. Ele destacou a figura de seu avô, João Cadete, que apesar das disputas políticas acirradas entre PSD e UDN, mantinha amizade e tomava café com os adversários, pregando o respeito mútuo.
Histórias e despedida
Entre risadas, Gilber contou histórias curiosas, como as apresentações de carnaval onde o grupo se vestia de mulher, e o episódio em que ele e amigos esconderam um acidente de Fusca da Lígia por mais de 20 anos. Ao encerrar, ele fez um apelo para que todos os dirigentes (atuais e futuros) de Cassilândia olhem com carinho para a cidade, para resgatar o protagonismo que o município.
Confira a íntegra da entrevista:
