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28/08/2014 09:02

Suspeito de sequestrar advogado matou amigo de infância, diz polícia

Globo.com

Paulo Roberto, conhecido como Paulinho Mega, tido como autor do sequestro do advogado Ricardo Andrade Melo, 37 anos, é também o principal suspeito de matar seu melhor amigo de infância. Além disso, ele foi condenado a 22 anos de prisão por outro homicídio e, de acordo com informações da polícia, já respondeu a inquéritos policiais e a processos criminais por estelionato, tráfico internacional de drogas no Mato Grosso e homicídio qualificado.

A mãe de Newton Cardoso Neto, o Kiko, amigo de infância de Paulo Roberto e suposta primeira vítima dele, fala da convivência do filho com o criminoso, da infância até a juventude. "Meu filho tinha uma amizade com ele de infância, mas conviveu mais na adolescência. Ele passou a frequentar muito a minha casa, mas um menino muito diferente de todos. Eu, na época, não entendia o que era uma pessoa psicopata", relata a comerciante Claudia Portela.

O delegado que investiga os crimes de Paulinho Mega conta como foi a morte do jovem. "Kiko descobriu alguns detalhes da vida privada de Paulinho Mega, ele se sentiu ameaçado por esta descoberta e mandou dois capangas executar Kiko", explica Cleandro Pimenta.

Em fevereiro de 2003, o crime pelo qual o suspeito foi condenado começou em uma rua do bairro da Graça. Com a ajuda de dois homens, ele sequestrou o administrador Carlos Alexandre Rodrigues, de 35 anos, outro vizinho de apartamento. Carlos Alexandre foi levado pelos criminosos para o quarto de um motel, na avenida Pinto de Aguiar, em Patamares. Segundo a polícia, o administrador foi morto por asfixia e por pancadas na cabeça porque Paulinho Mega queria dinheiro e jóias.

No dia seguinte, o corpo foi jogado em um matagal em uma estrada perto do aeroporto de Salvador. Os criminosos usaram o próprio carro da vítima. Dias depois do crime, Paulo Roberto foi preso na casa do sogro, em Berimbau, interior da Bahia. Ele foi condenado a 22 anos de prisão.

Após o sumiço do advogado e com autorização da Justiça, a polícia foi ao apartamento onde vivem a mãe, um dos irmãos e a avó de Paulinho, no bairro da Barra. O objetivo foi localizar documentos, conferir contas de telefone ou qualquer outra forma de localizar o suspeito.

Os agentes apreenderam documentos, agendas de telefone e aparelhos de celular que vão ser periciados. Enquanto a polícia tenta localizá-lo, a família de Ricardo, sequestrado em abril, pensa em oferecer recompensa para quem tiver informações precisas sobre o paradeiro do advogado. "A pessoa que localizar o meu filho será muito bem recompensado", pede Miriam Melo.

O sequestro

O advogado Ricardo Andrade Melo, de 37 anos, está desaparecido há quase quatro meses, e a polícia acredita que ele foi sequestrado por um vizinho, fugitivo da Justiça e já condenado anteriormente por outros crimes. Na terça-feira (26), Miriam Andrade, mãe da vítima, fez um apelo para encontrar o filho.

“Eu peço a todo o povo brasileiro, que é um povo bom, um povo solidário, que me ajude, que informe à polícia onde ele se encontra, porque eu não sei do paradeiro dele. Eu não sei quem pegou, eu não sei por onde ele anda, eu não sei se ele está vivo, eu não sei se ele está morto, eu não sei se ele come, eu não sei se ele bebe”, desabafou a dona de casa.

“Ele é conhecido como Paulinho Mega devido a um traço peculiar em seu perfil: a megalomania, que o faz pensar grande e arriscar alto", afirmou o delegado Cleandro Pimenta. "É um típico psicopata. Frio, calculista, não possui sentimentos e nem arrependimentos, após a prática de um crime cruel”, acrescentou.

O caso começou no bairro da Vitória, onde moravam a vítima e o suspeito. Segundo informações da polícia, em novemdro de 2013 Paulinho Mega alugou um apartamento no primeiro andar do prédio onde mora Ricardo. Lá, ele conheceu a vítima, descobriu que o advogado tinha boa situação financeira e, aos poucos, foi se aproximando. As investigações apontam, inclusive, que o suspeito contou que estava com câncer terminal para conseguir comover Ricardo e ganhar a confiança do advogado.

Imagens das câmeras de segurança do prédio onde os dois moravam mostram o momento em que começou o sequestro.

Em 29 de abril, dia em que Ricardo completava 37 anos, às 6h41 da manhã, o advogado sai do apartamento em direção ao elevador. Um minuto depois, Paulinho Mega sai do apartamento dele, no primeiro andar, vestindo camisa polo com uma lista larga. O vídeo ainda mostra que ele carrega uma mochila e segura um boné e um outro objeto na mão direita. Dez minutos depois, a câmera de segurança de um prédio vizinho mostra um carro saindo da garagem.

Às 6h52, o carro chega a um posto de gasolina no bairro da Graça e os dois descem do veículo e conversam, enquanto o carro é abastecido. Ricardo está com calça jeans, tênis e camisa polo. Às 6h55, os dois retornam ao carro e saem em direção ao Vale do Canela. Foi a última vez em que os dois foram vistos juntos.

Segundo o o delegado Pimenta, o suspeito teria dito a Ricardo que tinha comprado um carro de luxo e o convidou, naquele dia, para ir buscar o automóvel com ele. “No período de 10 dias, ele fez amizade com Ricardo, conheceu os gostos e demonstrou ser amante de lanchas e de automóveis, assim como Ricardo. No dia do crime, ele informou para Ricardo que ia receber uma Maserati, um carro caro e que desperta a atenção daquelas pessoas que amam o automobilismo. Por essa razão, eles se reuniram na manhã daquela terça-feira e foram receber o veículo”, explica o delegado.

A mãe da vítima, entretanto, disse que o filho já desconfiava de que as histórias contadas por ele não eram verdadeiras. "Eu disse, 'meu filho, você vai perder seu tempo, ajudando uma pessoa que você nem conhece'. Ele disse assim: 'Eu quero ver até onde chega esse maluco'", afirmou. "Ele já desconfiava, porque as informações que ele passava, de riqueza, de ostentação, nada batia", completou.

No meio da tarde do mesmo dia em que saíram juntos, imagens do circuito interno de uma agência bancária da Avenida Heitor Dias mostram Paulo Roberto sozinho. Segundo a polícia, ele foi tentar sacar dinheiro da conta de Ricardo, mas o cartão estava bloqueado.

No dia seguinte, houve o primeiro contato com a família, que só ficou sabendo do sequestro. "O primeiro contato que eu tive veio do celular do meu filho, dizendo o seguinte: 'Se quiser que o seu filho volte pra casa, faça tudo o que eu mandar'. Mas eu não fiz isso", conta a mãe da vítima.
Um dia depois, uma mensagem de texto foi enviada a Miriam, informando dados da conta na qual o dinheiro do resgate deveria ser depositado. A polícia descobriu que a conta bancária estava em nome uma criança de quatro anos de idade.

“Esta conta era uma conta poupança, que estava em nome de um filho de Paulo Roberto. Ele sempre utilizou essa conta para depositar os recursos provenientes de suas atividades criminosas", afirmou o delegado Pimenta. A mensagem de texto foi a última vez que o sequestrador, que continua foragido, manteve contato com a família de Ricardo.

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