Cassilândia, Quinta-feira, 08 de Dezembro de 2016

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18/08/2007 12:23

Semana da Pátria terá plebiscito sobre privatização

Ana Luiza Zenker /ABr

Brasília - A Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) deve ser devolvida ao controle do Estado brasileiro? Deve voltar a ser uma empresa pública? É uma resposta a essas perguntas que a Campanha A Vale é Nossa quer ouvir da população no plebiscito popular a ser realizado entre os dias 1º e 7 de setembro. “O objetivo desse plebiscito é submeter à população a questão sobre a anulação ou não do leilão de privatização da Vale do Rio Doce”, explica Ricardo Gebrim, coordenador nacional da campanha e do Movimento Consulta Popular.

Fundada em 1942 durante o governo de Getúlio Vargas, como parte dos acordos com os Estados Unidos que possibilitaram a industrialização do Brasil durante a 2ª Guerra Mundial, a Vale acabou se tornando uma das maiores companhias mineradoras do mundo e foi leiloada em maio de 1997, por R$ 3,3 bilhões - valor próximo do que atualmente a empresa lucra em um único mês.

Organizações da sociedade civil acusaram o governo Fernando Henrique Cardoso de ter conduzido o processo de forma fraudulenta e, de lá para cá, têm tomado iniciativas para pedir a revisão, e mesmo a anulação, do leilão que privatizou a Vale. Na época do leilão, mais de 100 ações foram protocoladas na Justiça, contra a privatização.

“A campanha ganhou mais força no final de 2005 e ao longo de 2006, porque algumas decisões na Justiça foram revelando que aquilo que se suspeitava, aquelas questões que eram denunciadas, foram se comprovando como verdadeiras, inclusive por provas documentais que foram sendo trazidas nos processos”, diz Gebrim.“Nós temos um conjunto de informações, inclusive que foram obtidas nos processos que estavam questionando a venda da Vale do Rio Doce, que nos permitem ter dados de que houve uma série de fraudes no processo que resultou no leilão de privatização.”

Gebrim cita três irregularidades. A primeira é que a empresa Merrill Lynch, contratada para fazer a auditoria do leilão, tinha ligações com as empresas que adquiriram a Vale. A segunda é de que o banco Bradesco, atual acionista da Vale, não poderia ter participado do leilão, uma vez que fez parte do processo de formulação do edital de venda da CVRD. Por fim, Gebrim afirma que, na época, a Vale foi subavaliada. O patrimônio da empresa, em 1997, era cerca de 28 vezes maior do que o preço pelo qual ela foi vendida, segundo ele.

Ricardo Gebrim explica que as entidades integrantes da Campanha A Vale é Nossa vêem na venda da Vale mais do que prejuízos financeiros, por conta da subavaliação. “A Companhia Vale do Rio Doce é o maior símbolo que nós temos na área da mineração, porque ela é a maior produtora de ferro mundial, é a segunda maior mineradora do mundo em variedade de minérios e, ao controlar as jazidas, ela tem também o controle estratégico desses minérios, que são essenciais pra qualquer projeto de desenvolvimento do Brasil”, afirma.

“Nós estamos lidando com uma empresa que é fundamental para o desenvolvimento brasileiro. Nós queremos a Vale de volta ao Brasil e temos amparo inclusive legal”, afirma o coordenador. Gebrim diz que o plebiscito de setembro é um meio de conscientizar a população e pressionar o governo. “O plebiscito é apenas o início dessa luta, que só vai terminar na hora em que a gente conseguir reestatizar a Vale do Rio Doce”, conclui.

Procurada, a assessoria de imprensa da Vale afirmou que a empresa, por enquanto, não se pronunciará sobre o plebiscito. Participam da Campanha A Vale é Nossa diversas entidades sindicais, incluindo-se a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra, grupos ligados à Igreja Católica, setores do Partido dos Trabalhadores e outros.


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