Cassilândia, Quinta-feira, 08 de Dezembro de 2016

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02/11/2006 14:09

Sema apura causa da morte de peixes no rio Paraná

Graciliano Rocha e Aline dos Santos/Campo Grande News

A Sema (Secretaria de Estado de Meio Ambiente) abriu uma investigação para determinar o que causou a mortandade de peixes no rio Paraná, na divisa do Estado com o Paraná.

Técnicos percorreram 200 km de rio e recolheram espécies mortas e amostras de água para exames. O material chegou ontem ao laboratório de microbiologia da Sema, em Campo Grande. Os primeiros resultados deverão ser apresentados na próxima semana, segundo o superintendente de recursos hídricos e pesca da Sema, Thomaz Lipparelli.

“O que sabemos por enquanto é que houve mortes em pequena escala há algumas semanas, mas as mortes se acentuaram na semana passada. Precisamos dos exames para determinar a causa e a extensão dos danos ambientais”, disse Lipparelli. Segundo ele, é a primeira vez que MS registra um caso de mortandade de peixes no rio Paraná com essas características.

Embora não tenham esclarecido a causa, as autoridades tratam o assunto como “acidente”. Na terminologia técnica, acidente pode ser causado por ação humana – como no caso do lançamento de alguma substância que tenha intoxicado os peixes – ou natural, caso os peixes tenham sido mortos em decorrência de algum desequilíbrio ambiental não provocado diretamente pelo homem.

O caso veio à tona depois que pescadores de Mundo Novo, município situado no extremo sul do Estado, a 456 km de Campo Grande, perceberam que peixes mortos apareceram na superfície do rio Paraná.

Ernesto Arriego, que preside uma colônia de 147 pescadores, conta que peixes como pintado e dourado – espécies nobres e grandes – foram vistos boiando em Mundo Novo e Naviraí, outro município à beira do Paraná. “Estive na barranca do rio e tinha peixe rodando morto”, relatou.

As mortes, segundo Arriego, estariam acontecendo há mais de 60 dias. O caso foi comunicado à PMA (Polícia Militar Ambiental), ao Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente) e ao Ministério Público.

Suspeita de contaminação – O assunto ganhou notoriedade política ontem, quando o líder do governo na Assembléia, Pedro Kemp (PT), fez um discurso relatando a mortandade dos peixes. Citando informações obtidas com pescadores, Kemp levantou suspeitas que a mortandade esteja relacionado ao combate ao Limnoperna fortunei, mais conhecido como mexilhão dourado.

O mexilhão dourado é um molusco de água doce originário da Ásia que invadiu a América do Sul pela bacia do Prata, nos anos 90. Como é uma espécie exótica, o mexilhão se alastrou rapidamente e já foi encontrado nos rios do sul do País. Já considerado uma praga, o Limnoperna fortunei fixa-se em todo tipo de substância dura – o que gera prejuízos para as hidrelétricas.

Os pescadores suspeitam, segundo o deputado, que a Cesp (Centrais Energéticas de São Paulo) tenha aplicado algum tipo de agente químico para tentar eliminar o molusco na barragem da hidrelétrica Sérgio Motta, na divisa de SP com MS, e teria causado também a morte de peixes ao longo do curso do rio. A Cesp nega que tenha tentado eliminar os mexilhões com veneno.

O superintendente Lipparelli é cauteloso ao falar sobre contaminação. Um dos exames a ser feito nas espécies coletadas se baseia na análise das vísceras dos peixes. “Se houver lesões hepáticas isso indicará que a morte não é natural e sim relacionada a algum elemento químico fosforado”, disse.

Lipparelli afirmou que a Cesp está colaborando com a investigação e também está fazendo estudos para tentar esclarecer a morte dos peixes. Ele não quis comentar se o caso pode se tornar mais grave em virtude do início da piracema – época em que os peixes procuram as cabeceiras dos rios para depositar seus ovos.

Defeso – Se o impacto ambiental ainda é desconhecido, o estrago econômico para os pescadores foi minimizado pelo calendário. Desde hoje está proibida a pesca no rio Paraná por causa do período de defeso.

A gerente da Seap/PR (Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca da Presideência da República), Marilúcia Canisso Valese, informou que quatro mil famílias de pescadores de Mato Grosso do Sul receberão um seguro mensal durante o período de proibição. Cada família receberá um salário mínimo (R$ 350) durante os meses de novembro, dezembro, janeiro e fevereiro.

A pesca voltará a ser liberada em 1º de março.

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