Cassilândia, Sexta-feira, 02 de Dezembro de 2016

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25/02/2009 18:58

Sebrae dá assistência a quem chega do Japão sem dinheiro

Jefferson da Luz, Campo Grande News

Houve uma época em que era dado como certo o enriquecimento de quem imigrava para Japão com o objetivo de trabalhar. Ao regressarem, os nisseis e sanseis eram recebidos como vitoriosos e potenciais empreendedores. Mesmo havendo muitos que ainda voltam trazendo sucesso e muitos dólares na bagagem, recentemente, um número ainda maior volta apenas com muita experiência de vida.

E é justamente nesta experiência que um programa do Sebrae e de associações nipo-brasileiras estão de olho. O Projeto Dekassegui tem como objetivo identificar habilidades adquiridas, durante os anos vividos no Japão, para serem usados aqui em Campo Grande.

“Quase todos que regressam ao Brasil adquiriram habilidades para trabalharem em fábricas, em linhas de montagem, ou com equipamentos de alta tecnologia e estes conhecimentos podem ser usados na indústria daqui”, explica Múcio Marinho, consultor do Sebrae para o Projeto.

Segundo Marinho, a intenção é identificar as habilidade de quem está retornando para inseri-los no mercado de trabalho. “Além disso, há aspectos culturais como: a disciplina rígida e a coleta seletiva de lixo que também são muito importantes dentro de uma empresa”, ressalta.

O Sebrae já trabalha com um projeto de orientação para quem retorna do Japão com dinheiro para investir, mas como aquele país passa, há anos, por uma recessão, que foi agravada pela crise financeira mundial, uma adaptação ao projeto foi necessária para atender este novo público.

Conforme Marinho, a prefeitura de Campo Grande está preparando um local, na atual rodoviária, para receber especialmente os ex-dekasseguis que voltaram apenas com a experiência.

“Para quem com recursos próprios para investir, o Sebrae tem um atendimento especial, porque estas pessoas são muito desconfiadas e têm medo de fazer investimentos. Então nós oferecemos mais privacidade e segurança para diminuirmos o risco da pessoa quebrar”, explica Marinho.

Do outro lado - Para entender melhor o motivo pelo qual tantos brasileiros estão regressando sem condições de realizar o sonho de se tornar dono do próprio negócio, a reportagem do Campo Grande News entrevistou algumas pessoas no Japão.

Ainda com emprego no Japão, diante de centenas de desempregados, o brasileiro Alfredo Carvalho conta que as fábricas não têm mais serviços para a semana toda. “Eles estão fazendo, quando muito, oito horas por dia. E assim mesmo apenas um turno. Antes tínhamos dois turnos de doze horas cada. De uma maneira geral, os brasileiros estão trabalhando uma média de oito horas por dia e apenas quatro ou cinco dias da semana. Hora extra nem pensar”, conta.

Segundo ele, sem horas extras no Japão não há como o brasileiro sobreviver, ainda mais trabalhando só quatro dias na semana. Ele revela que muitas fábricas de pequeno e médio porte fecharam, as grandes empregadores, depois das montadoras de automóveis e eletrônicos.

“As que não fecharam estão trabalhando com 30%, 20% ou até menos da capacidade produção. Minha esposa trabalha em uma fábrica dessas. Fabricam placas de telefone celular para a Sony. Desde o mês de novembro, estão trabalhando entre quatro, cinco horas por dia, assim mesmo há semana que não trabalham. Eles ficam em casa aguardando a fábrica ligar para voltar ao trabalho. É difícil”, lamenta.

“A rotina de um brasileiro hoje no Japão é de dar dó”, resume Alfredo. “Pessoas que trabalhavam a 15, 20 anos na mesma fábrica foram dispensados. E o pior, a maioria já se achava japonês, não têm dinheiro para voltarem ao Brasil e também não têm onde ficar, pois foram dispensados e tiveram de desocupar o apartamento da empreiteira. Pensar em procurar a embaixada ou consulado do Brasil é só para passar raiva, não fazem absolutamente nada por nós. Só falam da gente quando calculam o dinheiro que mandamos”, reclama o brasileiro.

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