Cassilândia, Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017

Últimas Notícias

14/07/2012 14:39

Quem apanha na infância tende a resolver problemas com violência, aponta pesquisa

Fernanda Cruz, Agência Brasil

São Paulo – A exposição à violência durante a infância pode trazer consequências para a vida adulta, segundo estudo do Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da Universidade de São Paulo (USP). De acordo com a pesquisa, quem sofre agressões quando criança tem mais chances de adotar a violência como principal mecanismo de solução de conflitos.

“A criança entende que a violência é uma opção legítima e vai usá-la quando tiver um conflito com colegas da escola, por exemplo. Mas, ao agredir, ela também pode sofrer agressão e se tornar vítima. E isso cresce de forma exponencial ao longo da vida”, disse Nancy Cardia, vice-coordenadora do NEV.

Os pesquisadores entrevistaram 4 mil pessoas maiores de 16 anos de idade, moradoras de 11 capitais brasileiras (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador, Recife, Belém, Manaus, Porto Velho, Fortaleza e Goiânia). Os questionários foram aplicados pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) em 2010. De acordo com os resultados, mais de 70% dos entrevistados apanharam na infância, sendo que 20% do total eram agredidos uma vez por semana ou mais.

O estudo apontou ainda o aumento das chances de a pessoa reproduzir a violência sofrida no passado contra os próprios filhos, como método de educação. “Isso tem a ver com o tipo de aprendizagem social. Você aprende que educar por meio da agressão física é um instrumento legítimo de educação”, disse Renato Alves, pesquisador do NEV. Assim, fecha-se um “um ciclo perverso do uso da força física”, como definem os pesquisadores.

Os resultados mostraram que os objetos usados com frequência nas punições físicas foram vara, cinto e pedaço de pau, itens mais comuns que a palmada. Embora o estudo não tenha tido o objetivo de orientar as famílias sobre a criação dos filhos, o pesquisador não acredita que aplicar castigos físicos nas crianças é o melhor método para educá-las.“Usar a punição física na educação dos filhos apresenta mais prejuízos que benefícios, tanto para a pessoa que sofre a punição quanto para a sociedade”, disse.

Renato Alves lembra, porém, que ter apanhado na infância não significa que o adulto será violento. “Tudo tem que ser olhado com muito cuidado, porque também tem muita influência do contexto em que a pessoa vive”, ponderou. De acordo com o pesquisador, o indivíduo que conhece, ao longo da vida, outros modelos de referência para lidar com conflitos pode aprender a enfrentar melhor essas situações.

Edição: Carolina Pimentel

Envie seu Comentário
Os comentários feitos no Cassilândia News são moderados. Antes de escrever, observe as regras e seja criterioso ao expressar sua opinião. Não serão publicados comentários nas seguintes situações:

1. Sem o remetente identificado com nome, sobrenome e e-mail válido. Codinomes não serão aceitos.
2. Que não tenham relação clara com o conteúdo noticiado.
3. Que tenham teor calunioso, difamatório, injurioso, racista, de incitação à violência ou a qualquer ilegalidade.
4. Que tenham conteúdo que possa ser interpretado como de caráter preconceituoso ou discriminatório a pessoa ou grupo de pessoas.
5. Que contenham linguagem grosseira, obscena e/ou pornográfica.
6. Que transpareçam cunho comercial ou ainda que sejam pertencentes a correntes de qualquer espécie.
7. Que tenham característica de prática de spam.

O Cassilândia News não se responsabiliza pelos comentários dos internautas e se reserva o direito de, a qualquer tempo, e a seu exclusivo critério, retirar qualquer comentário que possa ser considerado contrário às regras definidas acima.
Restamcaracteres.
 
imagem transparente
Últimas notícias
Scroller Top
Terça, 12 de Dezembro de 2017
20:48
Loteria
Segunda, 11 de Dezembro de 2017
20:42
Loteria
10:00
Receita do dia
Scroller Bottom

  • Idalus Internet Solutions
  • TOP DataCenter e Internet
  • Disponível na AppStore
  • Disponível no Google Play
Rua Sebastião Leal, 845, CEP: 79.540-000, Cassilândia (MS)