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15/12/2004 13:57

Preços em queda exigem maior produtividade em 2005

Acrissul

O excesso de oferta de grãos e carnes no mercado mundial assinala que 2005 será um ano de rentabilidade menor para os produtores rurais brasileiros. Essa é uma das conclusões do vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc), Enori Barbieri, ao avaliar 2004 e fazer as projeções econométricas para o ano que se inicia. Confira a entrevista com Barbieri:

"O agronegócio catarinense remunerou o produtor catarinense, só não ganhou dinheiro quem perdeu a oportunidade de fazer bom negocio na época certa apesar de hoje termos meios de comunicação que informam os produtores das tendências de mercado. Acontece que alguns produtores preferem arriscar e apostar”, assinala o dirigente.

Qual sua avaliação geral do agronegócio em 2004?

Barbieri – Um bom ano. Produtores tiveram oportunidade de ganhar dinheiro em alguns setores. A grande vedete foi a suinocultura em função da queda na produção. Os preços da suinocultura foram remuneradores e temos boas perspectivas para o ano que vem. A grande oportunidade foram a soja e o milho para os produtores que venderam no cedo, pois obtiveram preços elevados com soja vendida a US$ 20 dólares e que hoje voltou ao preço histórico de US$ 11 dólares.

Uma de nossas principais commodity, a soja, não repetirá os ganhos de 2004?

Barbieri – Haverá problema de comercialização que não sairá do preço histórico da média de US$ 11 dólares, mas também não é preço ruim. É um preço de 20 anos. O que é preciso hoje para ganhar dinheiro com soja: colher bem e diminuir custo. Quem aplicar essa máxima estará bem. Mas o produtor está hoje com alta tecnologia, ajustado, é consciente e faz de sua lavoura seu negócio.

A safra de Santa Catarina será majoritariamente transgênica ou convencional?

Barbieri - Mais de 50% da safra catarinense de soja é transgênica. Oficialmente, 12% assinaram laudo, mas passa folgado de 50%. Estive em Campos Novos e região e lá plantaram 70%. Na região de Xanxerê e Abelardo este número sobe e fica entre 80% a 90%. Mas como se tem uma boa produtividade em SC, os produtores não vão perder dinheiro, não vão deixar de ganhar pela baixa cotação internacional. O ano de 2005 não será de oportunidade como este, será um ano “normal”. A produção de soja em 2004 chegará a 650 mil toneladas: a previsão era de 750 mil toneladas, quebrou em função da seca no final do ano passado (novembro/dezembro). A previsão para 2005 é passar para 920 mil toneladas porque aumentou a área de cultivo de 250 mil hectares para 320 mil hectares. SC abriu muitas áreas novas, aproveitou muitas terras. Campos Novos já não tem mais área agrícola e se avança para região de Curitibanos e Planalto Norte.

Como será o comportamento do mercado de milho em 2005?

Barbieri – Quem tiver boa produtividade terá lucro. O problema de mercado é este: o Brasil consumirá 42 milhões de toneladas em 2005; a safra brasileira de milho será de 32 milhões de toneladas, ou seja, faltarão 10 milhões. Mas de uma safra para outra sobram de 2 a 3 milhões de toneladas. Depois vem safrinha que começa a ser plantada em janeiro/fevereiro e que, no ano passado, chegou a 10 milhões de toneladas e ano retrasado 13 milhões. Em 2005 deve ser de 10 milhões novamente. O milho só tem uma chance de ter preços melhores em 2005 se a safrinha não tiver problema. Estados Unidos esse ano colheu 45 milhões de toneladas a mais que no ano passado e com mesma área plantada. Então é possível importar milho hoje, posto em Chapecó, a R$ 17 reais. O Mundo nunca teve estoques de soja e milho tão grandes como neste ano. Por isso não há tendência de preços melhores dos que estão aí. O produtor sabe que em 2005 ele tem que ganhar não em preço, mas em produtividade. Em 2004 ele teve chance, não teve produção tão boa, mas pode vender. Deveremos colher mais de 4 milhões de toneladas.

A suinocultura encerra o ano com elevados ganhos e boas perspetivas para 2005?

Barbieri – Os produtores de suínos devem ter consciência dos erros do passado. Em 2002 produziram quase 3 milhões de toneladas e geraram uma crise de superoferta que durou 18 meses. Em 2004 a produção caiu para 2,5 milhões de toneladas de carne e o preço foi excelente em todo Brasil. SC crescerá 6% no ano que vem, Paraná crescerá 14% e Centro-Oeste crescerá 16%. Em 2005 teremos bom preço para o suíno. Deveremos voltar a exportar mais de 500 mil toneladas no próximo ano.

A Rússia continuará a influenciar o comportamento do setor de suínos no Brasil?

Barbieri – A produção de suínos para 2005 atingirá no máximo 2,650 milhão toneladas. Não haverá problema porque a produção estará mais baixa, mesmo que a Rússia reduza ou suspenda as importações. Em 2002 por exemplo a Rússia importou 85% da produção de suínos e hoje é responsável por 60% do que o país exporta. Ela já vem diminuindo a participação no mercado brasileiro. Se SC conquistar mercados nobres, como União Européia e Japão, será um “filé”.

E na questão do arroz e do trigo?

Barbieri – O produtor catarinense que colheu cedo, colheu bem. Teve oportunidade de vender. O Brasil colheu mais do que consome: colheu 12,5 milhões de toneladas, consumiu 11 milhões e quem não vendeu perdeu a chance e hoje tem problema de comercialização. No trigo, o grande problema é que Santa Catarina é o último mercado a colher, enquanto o mercado consumidor (os moinhos) comprou grãos do Paraná, do Rio Grande do Sul e São Paulo. Quando chega a vez do produtor catarinense vender, ele não encontra mercado. O preço hoje está abaixo do custo de produção.

E o leite?

Barbieri – Os preços foram compensadores no ano inteiro. Preços estáveis e promissores; será um bom produto para se ganhar dinheiro na pequena propriedade.

O fumo também registrou bom desempenho.

Barbieri – Mais de 50 mil produtores catarinense trabalham nessa atividade. Não houve o reajuste solicitado pelos produtores e dos 40% reivindicado conseguiram apenas 17%, mas, mesmo assim, o fumo foi remunerador.

O Brasil deve fazer a opção pelos transgênicos?

Barbieri – O Brasil está brincando com esta questão da transgenia. O Mundo todo adotou isso, grandes produtores adotaram isso e se reduziu custos dos produtos agrícolas em até 40%. Se o Brasil não entrar urgentemente neste do processo, o país ficará fora do mercado internacional. Os produtores brasileiros não serão mais competitivos no mercado internacional. É necessário que se defina esta brincadeira que está se fazendo com os transgênicos, dizendo que é proibido, enquanto que, hoje, os produtores plantam mais de 50% de soja transgênica; os gaúchos quase que 100% e o Brasil faz de conta que isso é proibido. O Congresso Nacional e o Governo deveriam acabar com a parte política e ideológica e entrar nesse mercado mundial, nessa era de globalização.

Os problemas de armazenagem da safra continuará em 2005?

Barbieri – Sim. SC produz em torno de 6 milhões de toneladas de grãos e tem uma capacidade de armazenagem de 3,5 milhões. Temos capacidade de armazenar metade de nossa safra de grãos: arroz, milho, soja... Conforme se colhe também vai se consumindo. Consumimos 5 milhões de toneladas de milho, nesse caso o problema de armazenagem já não é mais tão grave.

Fonte: MB Comunicação

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