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23/05/2011 18:19

População carcerária apresenta maiores índices de sintomas depressivos

Agência Notisa

AGÊNCIA NOTISA – O Brasil é o quarto país com a maior população carcerária do mundo, e a porcentagem de presos do sexo feminino está aumentando. De acordo com dados do artigo “Características, sintomas depressivos e fatores associados em mulheres encarceradas no Estado do Rio Grande do Sul, Brasil”, até 2012, as mulheres representarão 7,65% do total de presos, enquanto que, em 2010, eram apenas 6,12%. Tendo em vista que, entre carcerários, os níveis de depressão e outros transtornos mentais são maiores do que a média populacional, tal realidade se configura um problema de saúde pública para o qual é preciso encontrar soluções.

No estudo em questão, publicado ano passado nos Cadernos de Saúde Pública e de autoria de Daniela Canazaro e Irani Iracema Argimon, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), buscou-se registrar o perfil da mulher encarcerada. Para tanto, as autoras realizaram entrevistas e ministraram questionários sociodemográficos e de avaliação de sintomas depressivos em 287 presas da Penitenciária Feminina Madre Pelletier (Porto Alegre). As presas caracterizam-se por “ser solteira, jovem, ter no mínimo dois filhos, ter exercido atividades informais e geralmente de baixo status social e/ou econômico, possuir até o Ensino Fundamental incompleto”, relatam no artigo.

O enfoque nas mulheres, segundo as autoras, se justifica pelos maiores índices de doenças mentais entre presas do sexo feminino do que entre homens. Isto porque o próprio perfil das mulheres encarceradas é diferente, devido: (a) ao padrão dos crimes das mulheres impor um menor nível de risco à comunidade; (b) ao fato de possivelmente serem mais responsáveis pelo cuidado dos filhos e pela manutenção da casa do que os homens, de modo que o impacto da prisão é desproporcionalmente mais grave para as prisioneiras, frequentemente resultando na perda do lar e em dano grave na vida de seus filhos e (c) ao fato da mulher sofrer uma cadeia mais grave de exclusão social do que o homem, apresentando altos níveis de abuso e violência doméstica e problema de saúde mental, enumeram as autoras.

Os índices de depressão não diferenciavam significativamente de acordo com o tempo de aprisionamento. Esse resultado, segundo as pesquisadoras, corrobora o fato dos transtornos mentais das presas estarem “relacionados com sua história pregressa”. Uma parcela significativa apresentava experiências passadas com “abuso sexual ou emocional, prescrição para uso de medicação psiquiátrica e dependência de substâncias psicoativas e comorbidade de dependência de substâncias químicas e álcool”, dizem as autoras na publicação.

Apesar disso, o ambiente da prisão, acreditam, pode ser um fator considerável para o agravamento de problemas de saúde mental. Dessa maneira, devem-se criar articulações para que o encarceramento possa se configurar como “possibilidade de tratamento psicoterapêutico para as detentas, articulado com a criação de programas de saúde pública”. As detentas, defende o artigo, precisam de uma atenção multidisciplinar, envolvendo tratamentos psicológicos, psiquiátricos e terapias ocupacionais, de maneira que os sintomas emocionais depressivos sejam minimizados e as presas estejam “mais preparadas para retornar à vida em sociedade”, concluem as autoras no trabalho.

O artigo na íntegra pode ser lido em: http://www.scielosp.org/scielo.php?pid=S0102311X2010000700011&script=sci_arttext.

Agência Notisa (science journalism – jornalismo científico)

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