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14/12/2009 12:19

Pombos atormentam moradores e geram multas pesadas

Campo Grande News/ Fernanda Mathias e Adriany Vital

Motivo de dor de cabeça para moradores de vários bairros de Campo Grande, a presença de pombos também têm gerado multas pesadas, que passam de R$ 7 mil, conforme editais de autuação que o CCZ (Centro de Controle de Zoonozes) tem publicado em Diário Oficial.

Nesta segunda-feira foi publicada atuação e aviso de abertura de processo administrativo conta a proprietária de um imóvel na rua General Camilo Comoretto, no Taveirópolis, por não dar a manutenção devida, possibilitando a proliferação dos pombos. Conforme o edital de autuação, em visita anterior a proprietária recebeu orientações para evitar a presença das aves.

É de domínio público que os pombos são agentes transmissores de várias doenças, a mais conhecida delas a toxoplasmose. O que poucos sabem, porém, é como evitar a presença destas aves, que se tornaram verdadeiras pragas em vários pontos da cidade.

A disponibilidade de alimentos, água e de espaço para que se alojem e formem ninhos são os primeiros pontos que devem ser combatidos, ensina a bióloga Francini Mariotti.

Cultural – A bióloga ressalta que em Campo Grande há um problema cultural, porque muitas pessoas têm hábito de alimentar os pombos, especialmente em locais públicos, como praças.

Maurício martins, 50 anos, é pioqueiro há 7 anos e trabalha na Ary Coelho, no período de férias escolares. No local há muitos pombos, mas o pipoqueiro diz que não se incomoda.

"Cresci vendo meu pai criar pombos. Você já viu uma pessoa morrer por causa de pombo?”, questionou. O pipoqueiro critica funcionários da prefeitura que montam arapucas na praça e recolhem as aves. “Já perguntei para onde vão e disseram que levam para Anhanduí. É mentira. A gente sabe que eles são exterminados”, lamenta.

Há 15 anos na praça Ary Coelho, o pipoqueiro Berlamino Pereira dos Santos, 65 anos, disse que também não se incomoda com os pombos e que acha que eles não trazem doença. “Quem passa doença é ser humano. Pombo não passa doença”, afirma.

Tormenta – Já na casa da massoterapeuta Maria Aparecida Sarsi, 57 anos, no Taveirópolis, a luta para se ver livre das aves durou cinco meses. “Foi um sacrifício. Tentamos de tudo: bombinhas, arapuca, naftalina e até bater panelas”, conta.

O pombos começaram a fazer ninho e a se abrigar no madeiramento sob a varanda do fundo, gerando muita sujeira de fezes e penas e expondo os moradores ao risco de contaminação por doenças.

“Tirava os ninhos, limpava e duas semanas depois havia novos ninhos com ovos”, afirma. Percebendo que as aves se apinhavam na luminária, Maria Aparecida decidiu retirá-la, mas elas se acomodavam em outras madeiras.

Para assustar os pombos, ela chegou a usar bombinhas, mas logo após o estouro elas voltavam. Naftalina, creolina e arapucas, nada adiantou. “Só depois que tapamos todas as vigas de madeira com plástico que elas desapareceram de vez”, relata.

A massoterapeuta conta que na casa de um amigo de seu filho os pombos se aglomeravam para tomar água da piscina. “A solução foi baixar o nível da água em um palmo, aí elas não alcançavam mais”, conta.

O Campo Grande News procurou a Prefeitura, através da assessoria de imprensa, para tratar do assunto, mas até o fechamento da reportagem não houve retorno.

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