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31/08/2013 15:04

Para fumantes, proibição de cigarro com sabor não vai acabar com o vício

Campo Grande News/ Elverson Cardozo

Entra em vigor, a partir deste domingo (1), o prazo para proibição da fabricação de cigarros com sabor. A determinação se estende, na verdade, a todos os produtos derivados do tabaco, que possuam aditivos como mentol e cravo, por exemplo. A medida atende à resolução 14/2012, publicada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que prevê a retirada do produto no mercado brasileiro em até 2 anos.

As indústrias terão 6 meses, a partir de setembro, para encerrar a comercialização desses produtos. O prazo termina em março de 2014. Enquanto isso não acontece, em Campo Grande, como em outras partes do Brasil, a maioria dos comerciantes continuam vendendo a mercadoria.

Para os que não fumam e vêem de fora a proibição estabelecida pela agência, a medida não vai fazer tanta diferença. “Você acha que esse público vai parar de fumar?”. O questionamento é de Francisco José Avessani, 48 anos, proprietário de uma conveniência na Capital.

Ele vende cigarros de sabor desde que as marcas chegaram ao mercado e diz, com segurança, que a não-comercialização não vai impactar no faturamento, porque o lucro que tem com esse tipo de produto é irrisório. “Só vendo para agradar meu cliente”, explicou.

Francisco comenta que, de fato, os cigarros com aditivos, são um atrativo a mais, especialmente para os jovens, mas acredita que, dificilmente, alguém vai deixar de fumar por conta disso.

“Quem já fuma vai partir para outro cigarro”, declarou, o comentar que, para ele, seria eficaz se o governo adotasse mais campanhas educativas, nas escolas, por exemplo. “Não só com os cigarros, mas com as drogas”, concluiu.

A opinião sobre a ineficiência da medida, comentada pelo empresário, que não fuma, é compartilhada pelo servente de pedreiro Ribamar Alfonso, 21 anos, que fuma desde os 17.

Na avaliação do jovem, a proibição não vai acabar com o vício, mas é necessária. “É bom porque a gente para. Na vontade damos um jeito”, justificou. O amigo, David Pereira, 18 anos, também fumante, compartilha do discurso. “Eu mesmo fumo por vício e experimentei esse cigarro por curiosidade”, revelou.

Renan Meireles, 18 anos, também provou o cigarro de menta por curiosidade. Aliás, começou a fumar assim, porque queria experimentar. Hoje ele diz, sem constrangimento, que foi “a maior merda que fez na vida”.

Mas o jovem não quer deixar o vício de lado. Pretende continuar fumando os “mentolados”, como faz desde 2011. Ele, a exemplo de muitos, não gostou nem um pouco da determinação do órgão. “Acho desnecessário. Quem fuma não vai parar só porque não será mais fabricado”, salientou.

O operador de centrífuga, Agnaldo Alcaras, 46 anos, também acha que a grande maioria não vai parar, mas pensa que haverá uma diminuição de público porque, nas palavras dele, “essas pessoas que fumam cigarros de sabores geralmente não são viciadas. Fumam mais nas baladas. Para status”.

Para ele, que não consome fumo com aditivo porque já ouviu falar que o dano é maior, “tudo que diz respeito à saúde deve ser apoiado”.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha, em 20011, apontou que 75% dos entrevistados concordaram com a proibição de aditivos para diminuir a atratividade de produtos. No Brasil, o tabagismo é responsável pela morte de 200 mil pessoas todos os anos.

Mais viciantes – A justificativa da Anvisa para proibição dos cigarros de sabores está apoiada no argumento de que os aditivos - substâncias adicionadas para disfarçar o gosto ruim da nicotina, disfarçar o cheiro desagradável, reduzir a porção visível da fumaça e diminuir a irritabilidade da fumaça para os não fumantes - são atrativos para aumentar ou até iniciar o consumo.

Em entrevista ao portal do órgão, a representante da Aliança de Controle do Tabagismo, Paula Johns, afirmou que o cravo e o mentol são os principais aditivos consumidos pelos jovens. Essas substâncias, que conferem sabor doce ao tabaco, potencializam, segundo ela, a ação da nicotina no organismo.

O açúcar continuará permitido exclusivamente com a finalidade de recompor o que foi perdido no processo de secagem das folhas de tabaco, informou a Agência.

Expressão - A Anvisa anunciou, também, que, além da medida que barra a fabricação desses produtos, outra novidade é a proibição da utilização, nas embalagens de charutos, cigarrilhas, fumos para cachimbo e outros produtos derivados do tabaco, de qualquer expressão que possa induzir o consumidor a uma interpretação equivocada quanto aos teores contidos em todos os produtos.

Na lista, estão as expressões ultra baixo(s) teor(es), baixo(s) teor(es), suave, light, soft, leve, teor(es), entre outros. Elas já eram proibidas desde 2011, mas apenas nas embalagens de cigarros.

Pesquisa - Divulgado no início de março deste ano, um estudo da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz, realizado em 13 capitais do Brasil, entre 2005 e 2009, apontou que 30,4% dos meninos e 36,5% das meninas entrevistadas informaram já haviam experimentado cigarro alguma vez na vida.

Desse grupo, 58,2% dos meninos e 52,9% das meninas informaram que preferem cigarro com sabor. Para 33,1% dos entrevistados, o aditivo é importante. Dados do Inca (Instituto Nacional do Câncer) revela que 45% dos fumantes de 13 a 15 anos consomem cigarros com sabor.

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