Cassilândia, Terça-feira, 11 de Dezembro de 2018

Últimas Notícias

03/07/2018 08:00

O dono do apito: a profissão de árbitro de futebol

TST

Em um país tão apaixonado por futebol como o Brasil, a profissão de árbitro não parece ser uma das mais tranquilas a ser exercida. Diante de todo o ímpeto de vitória dos atletas e do amor dos torcedores pelo time do coração, a tarefa de comandar uma partida é algo que poucos que se arriscam a fazer.

Embora não tenham carteira de trabalho assinada como outros profissionais do ramo, árbitros e auxiliares também são considerados trabalhadores. A profissão é regulamentada por legislação própria, a Lei 12.867/2013, que faculta à categoria, por exemplo, a organização em associações profissionais e em sindicatos.

Remuneração

No Brasil, o integrante da equipe de arbitragem mantém relação de trabalho autônoma com as entidades organizadoras das competições. Sem salário fixo ou vínculo de emprego, a remuneração varia de acordo com o número de jogos para os quais é designado e com a categoria em que é enquadrado nas federações estaduais, na Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e na Federação Internacional de Futebol (Fifa).

Segundo o instrutor de arbitragem da CBF e diretor técnico da Escola Nacional de Árbitros de Futebol (ENAF), Manoel Serapião (foto), um árbitro pode atingir a média remuneratória de R$ 15 mil por mês. “Os ganhos são oscilantes”, observa. “Quanto mais o árbitro galga posições e postos e passa a ser designado para jogos importantes, melhor remuneração terá, até alcançar o quadro da Fifa”. O escudo da entidade garante o posto de árbitro internacional e a atuação em competições que remuneram muito bem, como a Copa do Mundo.

Na edição deste ano da Copa do Mundo na Rússia, por exemplo, árbitros de primeiro escalão da Fifa receberão cerca de US$ 70 mil (R$ 260 mil) pela participação no torneio, além de U$ 3 mil (R$ 11 mil) extras por jogo. Para os assistentes, os valores giram em torno de US$ 25 mil (R$ 93 mil) e U$ 2 mil (7,4 mil) como bonificação por partida.

O Brasil estará representado neste Mundial pelo árbitro Sandro Meira Ricci (PR), pelos assistentes Emerson Augusto de Carvalho e Marcelo Van Gasse (SP) e por Wilton Pereira Sampaio (GO), que atuará como árbitro de vídeo.

Em partidas da Série A do Campeonato Brasileiro, os valores também variam de acordo a categoria do profissional (Fifa, aspirante Fifa, CBF-1, CBF-2 e CBF-3). Os ganhos vão de R$ 2,3 mil a R$ 4 mil por jogo. Entre os auxiliares, os valores são de R$ 1,1 mil a R$ 2,3 mil. As cifras caem em partidas das divisões inferiores (Séries B, C e D), dos campeonatos estaduais e das competições de base.

No Brasil e no mundo

O modelo de prestação de serviço por tarefa e sem vínculo de emprego é adotado na maioria dos países filiados à Fifa. No Brasil, a legislação desportiva brasileira (Lei Pelé - Lei 9.615/98) estabelece que o árbitro não pode ser empregado das entidades com as quais se relaciona.

“A Argentina e boa parte dos países europeus estão entre as poucas confederações nacionais que firmam vínculo com seus profissionais”, explica o instrutor de arbitragem da CBF. “Na grande maioria, a relação de trabalho é por tarefa. Ou seja: foi convocado? Trabalhou? Recebeu. Não foi? Não recebeu”, resume.

Carreira e riscos

Raramente lembrados pelas boas atuações, os árbitros correm constantemente o risco de ver um equívoco marcar para sempre suas carreiras de forma negativa. Se o erro for cometido em uma partida decisiva, então, isso pode interromper a ascensão profissional ou até mesmo encerrar precocemente a carreira.

Tanto nas divisões de acesso quanto na elite do futebol brasileiro, o profissional da arbitragem vive a constante pressão de não se tornar protagonista da partida que apita. Por isso, Manoel Serapião ressalta que, além de característica e desempenho de atleta, como raciocínio rápido e pronta resposta, o árbitro precisa ter muito equilíbrio emocional para suportar o clima tenso de um jogo.

O instrutor explica que a formação se dá por meio de conhecimentos empíricos bem abalizados e avaliações físicas e psicológicas. Serapião ressalta a necessidade de vida ilibada e de destemor para poder, passo a passo, ascender na carreira. “O árbitro pode ter um crescimento vertiginoso e, de repente, ter um grande jogo que o puxa para baixo, em razão de uma atuação ruim. Isso pode fazê-lo descer todos os degraus já alcançados, de modo a ter que recomeçar a carreira”, concluiu.

Direito de imagem x Direito de arena

Antes de tudo, vale destacar a diferença entre os dois. Um tem natureza civil (direito de imagem). O outro, trabalhista (direito de arena). O direito de imagem, que é de ordem pessoal e está assegurado no artigo 5º, inciso XXVIII, alínea “a”, da Constituição da República, trata da proteção à participação individual em obras coletivas e à reprodução da imagem e da voz humanas, inclusive nas atividades desportivas. O direito de arena, previsto no artigo 42, parágrafo 1º, da Lei Pelé, corresponde a 5% da receita negociada para transmissões dos eventos esportivos e é devido somente aos atletas.

A equipe de arbitragem, mesmo fazendo parte do espetáculo, não recebe nenhuma vantagem pecuniária proveniente desses dois benefícios. O direito de arena para árbitros até chegou a ser discutido em 2015 na chamada Medida Provisória (MP) do Futebol, que se transformou na Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte (Lei 11.155/15), mas a ideia não vingou. Um artigo garantia 0,5% das receitas provenientes do direito de arena à categoria, mas o dispositivo foi vetado pela Presidência da República, sob a justificativa de não terem sido detalhados os critérios para a utilização e para o controle dos valores.

A Associação Nacional dos Árbitros de Futebol (Anaf), na época do veto, afirmou que a categoria não busca o protagonismo, que pertence aos atletas. Entretanto, argumenta que, mesmo sendo indispensáveis numa partida de futebol, os árbitros não possuem qualquer contrato de autorização ou de cessão para a exploração da imagem. “O fato mais relevante para o pleito dos árbitros é a exploração de sua imagem comercialmente”, defende a entidade. “O direito à imagem é direito personalíssimo e deve ser negociado diretamente entre o árbitro e aquele que utiliza a sua imagem para a exploração comercial”.

Envie seu Comentário
Os comentários feitos no Cassilândia News são moderados. Antes de escrever, observe as regras e seja criterioso ao expressar sua opinião. Não serão publicados comentários nas seguintes situações:

1. Sem o remetente identificado com nome, sobrenome e e-mail válido. Codinomes não serão aceitos.
2. Que não tenham relação clara com o conteúdo noticiado.
3. Que tenham teor calunioso, difamatório, injurioso, racista, de incitação à violência ou a qualquer ilegalidade.
4. Que tenham conteúdo que possa ser interpretado como de caráter preconceituoso ou discriminatório a pessoa ou grupo de pessoas.
5. Que contenham linguagem grosseira, obscena e/ou pornográfica.
6. Que transpareçam cunho comercial ou ainda que sejam pertencentes a correntes de qualquer espécie.
7. Que tenham característica de prática de spam.

O Cassilândia News não se responsabiliza pelos comentários dos internautas e se reserva o direito de, a qualquer tempo, e a seu exclusivo critério, retirar qualquer comentário que possa ser considerado contrário às regras definidas acima.
Restamcaracteres.
 
imagem transparente
Últimas notícias
Scroller Top
Terça, 11 de Dezembro de 2018
Segunda, 10 de Dezembro de 2018
10:00
Receita do dia
Domingo, 09 de Dezembro de 2018
09:00
Santo do dia
Sábado, 08 de Dezembro de 2018
Scroller Bottom

  • Idalus Internet Solutions
  • TOP DataCenter e Internet
  • Disponível na AppStore
  • Disponível no Google Play
Rua Sebastião Leal, 845, CEP: 79.540-000, Cassilândia (MS)