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15/07/2005 07:23

O dentista e o paciente usuário de drogas

Agência Notisa

Na opinião de Roberto Elias, Coordenador do Núcleo de Estomatologia do Hospital do Andaraí, “é obrigação do profissional tentar encontrar as manifestações do consumo da droga e traçar assim um plano de tratamento para o paciente”.

No segundo dia do 17º Congresso Internacional de Odontologia do Rio de Janeiro, que acontece até domingo no Riocentro, um dos temas abordados foi o tratamento de pacientes usuários de drogas: o que o profissional deve saber ao se depara com esse tipo de caso. Durante sua conferência, Roberto Elias, Coordenador do Núcleo de Estomatologia do Hospital do Andaraí, fez questão de englobar em sua apresentação tanto os tradicionais álcool e cigarro, que prejudicam a saúde bucal e outras regiões do corpo, quanto as drogas ilícitas cada vez mais na moda, como o ecstasy.

“É preciso, em primeiro lugar, saber separar o usuário ocasional do viciado”, destacou Elias. “Toda droga consumida de uma forma crônica causa danos físicos e psicológicos”. Segundo ele, algumas características permitem que o profissional identifique com mais facilidade o paciente que pode estar fazendo consumo de drogas, são elas: descuido pessoal, mutilação da orofaringe e ainda um baixo índice de imunização. “É obrigação do profissional tentar encontrar as manifestações do consumo da droga e traçar assim um plano de tratamento para o paciente”, completou o professor, lembrando que muitas vezes o paciente só informa sua condição de usuário ao profissional após várias consultas, quando já adquiriu confiança.

Baseado em estatísticas do programa das Nações Unidas, Roberto Elias sustentou sua argumentação mostrando números que demonstravam um aumento crescente nos índices de consumo de drogas no mundo todo. Por exemplo, nos Estados Unidos, o consumo de metanfetaminas, hoje, é considerado “muito alto”, ultrapassando até mesmo o de cocaína. O Brasil, de acordo com esta classificação, já se enquadra no grupo de países com “alta incidência”. A maconha, por seu baixo custo, aparece praticamente em todas as regiões do globo e está bastante presente na América Central, no Brasil e no Paraguai.

Roberto aproveitou a conferência para fazer uma ampla propaganda contra o consumo de drogas e mostrou alguns males que estas podem causar. De acordo com o professor, os drogaditos apresentam, em maior ou menor incidência, variando de acordo com o tipo de droga consumida, um alto índice de cárie dental, manifestações bucais como quelite angular, candidíase e dor na região da língua, escarras e bruxismo, além de problemas como anorexia, ressecamento das mucosas, depressão, desenvolvimento de neoplasias. Em casos mais graves, quando mais de uma droga é associada (por exemplo álcool e ecstasy), podem acontecer, inclusive, casos de acidente vascular cerebral e de parada cardiorespiratória. “Nos Estados Unidos, o número de óbitos relacionados ao uso de anfetaminas GHB cresceu 63% entre os anos 2000 e 2004”, afirmou o professor. “O ecstasy, popular por ser considerado a ‘droga do amor’, é capaz de provocar uma hipertermia que eleva a temperatura do corpo acima de 50 graus, e é irreversível, levando a morte”, completou.

Roberto Elias também preveniu os profissionais de odontologia sobre os cuidados necessários no sentido de preservar a sua própria integridade ao cuidar de drogaditos. “Hepatite A e B são comuns entre esses pacientes, assim como, em muitos casos, também é a AIDS”. Portanto, segundo ele, é importante que o profissional esteja atento aos sintomas relacionados ao uso de drogas no caso do paciente não tê-lo comunicado. O professor alertou, ainda, para os cuidados que devem ser tomados ao se prescrever uma medicação a esse grupo de pacientes: “epinefrina associada à cocaína representa um alto índice de acidente vascular cerebral, é preciso ter cautela”, alertou Roberto.

Agência Notisa (jornalismo científico - science journalism)

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