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18/07/2015 11:00

Mulheres são maioria no número de obesos que fazem redução de estômago

Portal Educação Física

 

O Hospital Dona Helena começou a fazer o procedimento em 2001 e, desde então, foram 823 pessoas operadas. Dessas, 83,5% são mulheres. A situação não é muito diferente no Hospital Regional Hans Dieter Schmidt, onde desde 2007 foram realizadas 694 cirurgias; e 90% desse número são pacientes mulheres. O Hospital Unimed não têm dados computados dos pacientes que passaram por este tipo de cirurgia.

A hipótese de que a maioria são mulheres pelo fato de que na cidade residem mais mulheres do que homens está descartada. De acordo com dados divulgados pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento para o Desenvolvimento Sustentável de Joinville (Ippuj), o número de mulheres que moram em Joinville é levemente maior. A cidade tem um pouco mais de 550 mil habitantes, desse número 50,3% são mulheres.

De acordo com a pesquisa Vigitel 2014 (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), divulgada pelo Ministério da Saúde em abril deste ano, houve um aumento no índice de brasileiros acima do peso no país. Mais da metade da população está nesta categoria – 52,5% e, desses, 17,9% são considerados obesos.

Segundo médicos especialistas, as causas da grande maioria ser mulher nos registros da cirurgia de redução de estômago são variadas. O primeiro motivo é que a mulher tem uma predisposição genética e hormonal em acumular gordura com mais facilidade do que o homem e o metabolismo da mulher também é mais lento. Além desses fatores genéticos, há também um fator cultural: a mulher se preocupa mais com relação a própria aparência. Outro fator que também contribui para o ganho de peso delas é a gravidez.

Os dados ainda mostram que a maioria das pessoas que fizeram a redução do estômago nos hospitais são adultos jovens entre 26 a 35 anos. A atendente de telemarketing Marília Ferreira, 28 anos, faz parte desta estatística. A cirurgia dela está marcada para esta semana em um hospital particular de Joinville. Marília conta que é obesa desde criança e atingiu o nível mórbido depois que engravidou, aos 21 anos.

Optou por realizar a cirurgia depois de várias tentativas fracassadas de fazer dieta para emagrecer. Ela conta que perdia alguns quilos e engordava o dobro em seguida. Para realizar a cirurgia, Marília teve que fazer um acompanhamento de seis meses com três especialistas da área da saúde (nutricionista, psicólogo e cardiologista). O prazo de acompanhamento médico pré-operatório varia entre seis meses a um ano.

– Primeira coisa que eu quero fazer quando emagrecer no mínimo uns 40 quilos, é passar na catraca do ônibus – diz Marília.

Opinião de especialistas

O médico endocrinologia Eduardo Senra explica que a mulher por características geneticamente determinadas pela história evolutiva do ser humano, apresenta uma facilidade maior para acumular gorduras do que o homem, essa característica foi favorável do ponto de vista evolutivo, já que cabia a mulher acumular gordura para amamentar e cuidar da prole. Ficando, às vezes, longos períodos sem se alimentar, aguardando a caça e a coleta, normalmente realizada pelo homem pré-histórico.

Para o psicólogo Gerson Hermes de Souza, os fatores culturais acabam gerando fatores psicológicos, a mulher trabalha e tem diferentes papéis: tem que ser mulher, esposa, mãe, entre outros papéis.

– A mulher perde essa percepção de cuidado com ela, porque se doam muito para os outros e acabam se esquecendo delas. Isso origina dois fatores que contribuem para o comer em excesso: a comida vira a melhor hora do dia e a mulher come com pressa e não se observa – explica.

Além disso, segundo o psicólogo, a comida está relacionada à sensação de conforto desde a amamentação. A pessoa quer satisfação rápida e ela vai para comida.

– A maioria dos pacientes que chegam ao hospital não tem a clareza de que estão obesos. Na concepção deles, comem pouco. A maioria tem problema de percepção e de autoimagem – comenta psicólogo.

Riscos de fazer a cirurgia de redução de estômago

O endocrinologia Eduardo Senra chama a atenção para os cuidados que envolvem uma cirurgia de redução de estômago. O paciente corre os riscos anestésicos, de sangramentos, de embolia pulmonar (coágulo de sangue em uma artéria) e de perfuração de vísceras, inerentes a qualquer tipo de procedimento.

O risco de morte não chega a 1% e varia conforme a técnica utilizada, a idade e peso do paciente. Quanto maiores esses dois últimos fatores, maior a possibilidade de complicações. Se a pessoa tiver mais alguma doença associada à obesidade (diabetes, hipertensão arterial, colesterol, entre outras) também aumentam os riscos. No Hospital Regional, por exemplo, em 2014 morreu uma pessoa e em 2013 foram duas – todas mulheres.

Há ainda possibilidade de complicações pós-operatórias. A endocrinologista Rejane Baggenstoss diz que os pacientes pós-operados podem ter deficiência de vitamina B12, ácido fólico, ferro, deficiência na absorção de cálcio e vitamina D podendo causar anemias e osteoporose. Há também grande chance de desnutrição. Reposições vitamínicas são obrigatórias após a cirurgia e mantidas por tempo indeterminado. Pode também ocorrer desequilíbrio emocional, grandes chances de transferir a compulsão por comida para outro vício, como o álcool ou drogas, por exemplo.

A dona de casa, Jociane Gomes, 28 anos, que fez a cirurgia de redução do estômago em abril de 2013 passou por complicações após a cirurgia. Jociane pesava 130 quilos distribuídos em 1,70 metro de altura. Hoje, ela pesa 65 quilos, mas para emagrecer de forma rápida pagou um preço alto. Ela conta que o pós-cirurgia não foi fácil. Não pode mais comer carnes, bolos e comidas com açúcar, porque tem náuseas.

A procura pela cirurgia deu pela urgência em querer emagrecer depois de uma alerta médico. Jociane tem uma filha com necessidades especiais e ela estava tendo dificuldade em realizar atividades cotidianas, como dar banho e carregar a criança.

– Hoje tenho saúde para cuidar da minha filha, consigo dar banho brincar com ela e não tenho mais dores na coluna e nos joelhos – comenta.

70 quilos a menos com reeducação alimentar

Maristela Ferreira, 26 anos, irmã de Marília Ferreira, criou a página “Emagrecendo com Maristela” no Facebook para se autoincentivar na perda de peso e também mostrar que é possível emagrecer somente com reeducação alimentar e atividade física.

A página no Facebook é um sucesso. Maristela recebe aproximadamente 40 recados por dia. A maioria das mensagens é de internautas de outros estados, como São Paulo, Bahia e Pernambuco. A página tem mais de 61 mil curtidas.

Maristela criou a página em janeiro de 2013, quando pesava 156 quilos distribuídos em 1,68 metro de altura. Hoje ela pesa 86 quilos. Foram 70 quilos perdidos, exatamente o número que ela quer que a balança indique até o final deste ano. Para quem deixou para trás 70 quilos, perder mais 16 quilos é fichinha. Além de comer moderadamente, ela faz musculação duas vezes por dia, pelo menos cinco dias na semana.

Ela que tem na família mais três pessoas que são obesas, chegou ao nível mórbido depois dos 18 anos. Mas já estava fora do peso aos seis anos. Maristela lembra que chegava a repetir três vezes a mesma refeição.

– A alegria da pessoa obesa está na comida. Você tem que transferir a alegria para outra atividade. No meu caso, transferi para o exercício físico – comenta.

Em 2012, veio o aviso médico como alerta que se ela não emagrecesse teria somente mais dez anos de vida. O pontapé inicial para mudar os hábitos alimentares foi quando o namorado terminou com ela no mesmo ano. Maristela iniciou uma reeducação alimentar acompanhada por uma nutricionista e passou a fazer musculação. Os amigos deram a ideia de criar uma página do facebook para divulgar os avanços do emagrecimento.

– Para o obeso perder cinco quilos não faz diferença. Para você começar a notar que perdeu peso, somente quando você perde no mínimo 30 quilos – comenta.

O sonho dela é trabalhar como personal training. Para isso, irá começar a fazer o curso de educação física.

A nova vida de José Eduardo

O programador de sistemas José Eduardo Luciano da Silva, 35 anos, também assim como Maristela era obeso desde criança e atingiu o nível mórbido depois dos 18 anos. Ele já chegou a pesar 159 quilos distribuídos em seu 1.69 metro de altura.

Diferente de Maristela, José Eduardo iniciou sozinho uma reeducação alimentar e caminha ao ar livre todos os dias. Começou a reeducação dia 2 de junho de 2014, num dia típico para mudar hábitos alimentares: uma segunda-feira. Hoje, pesa 90 quilos e o objetivo é chegar aos 85 quilos.

– Eu estou saudável, nunca imaginei que em menos de um ano pesaria menos de 100 quilos – comemora.

O aviso que a obesidade estava refletindo na saúde de José veio em dezembro de 2013 com uma flebite (inflamação de uma veia) que provocou inchaço na perna esquerda. O médico avisou que ele poderia até perder a perna. Além disso, José tinha pressão alta e problemas nas articulações. O médico recomendou fazer a cirurgia de redução de estômago, mas ele optou por não fazer a cirurgia.

– Eu gosto de comer coisas diferentes e com essa cirurgia eu teria várias restrições de alimentos. Eu tinha medo que eu pudesse morrer das consequências pós-cirúrgicas. Então, resolvi tentar emagrecer sem cirurgia – diz.

Deu certo, a página no facebook “A nova vida de José Eduardo” foi criada em janeiro deste ano para motivar outras pessoas que desejam emagrecer também. A página tem mais de 1.300 curtidas e José recebe aproximadamente 10 recados por dia. A maioria do público são moradores de Joinville.

José diz que a reeducação alimentar é simples, excluiu apenas fritura e refrigerante. Outra regra é comer em três e três horas e beber ao menos dois litros de água por dia.

– Nunca na minha vida eu usei uma camisa M – diz sorrindo e segurando a manga da camisa.

Quem pode fazer cirurgia de redução do estômago?

A cirurgia é recomendada para pacientes com base em seu índice de massa corporal (IMC), idade, histórico clínico e até psiquiátrico.

– Pessoas com IMC entre 35 e 40 que sofram de doenças como: diabetes tipo 2, apneia do sono, hipertensão, colesterol e triglicérides altos, problemas cardiovasculares, nos ossos ou articulações.

– Maiores de 18 anos com IMC a partir de 35.

– Adolescentes entre 16 e 18 anos, com cuidados especiais.

Como calcular o IMC

Calcule o seu IMC dividindo o peso (em quilos) pela altura (em metro) ao quadrado

Exemplo: IMC = 80 (peso) ÷ 1,6² (altura) IMC = 31,25 kg/m²

Tabela de classificação da obesidade

IMC Classificação

abaixo de 20 magreza

20 a 25 saudável

25 a 30 sobrepeso

30 a 35 obesidade moderada

35 a 40 obesidade severa

40 a 50 obesidade mórbida

acima de 50 superobesidade

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