Cassilândia, Quarta-feira, 07 de Dezembro de 2016

Últimas Notícias

04/12/2006 21:10

Mulher não terá de indenizar amante do marido

TJ/GO

O juiz Carlos Alberto França, da 6ª Vara Cível de Goiânia, julgou improcedente ação de indenização proposta pela atendente M. contra a professora I., mulher do funcionário público J. de quem M. era amante. Ao saber da relação extra-conjugal do marido, I. foi até o local de trabalho de M. e J., ocasião em que discutiu com a atendente. Dizendo ter sido atingida em sua honra, moral e dignidade em razão disso, M. ajuizou a ação que durante sua tramitação sofreu uma reconvenção (situação em que a requerida passa à condição de requerente) por parte da professora que, dizendo ter tido sua moral igualmente abalada pela relação entre M. e J., pleiteou 200 salários mínimos a título de indenização por danos morais, o que também foi indeferido pelo magistrado.

Segundo os autos, J. e M. trabalhavam no mesmo local e mantiveram relacionamento por mais de quatro meses, época em que I. descobriu a traição e procurou M. que, na ação, disse que I. a teria xingado publicamente naquela ocasião, diante de seus colegas de trabalho. Entretanto, de acordo com o juiz, cinco testemunhas ouvidas no processo e que trabalhavam com J. e M. disseram que a conversa entre M. e I. foi "civilizada" e não houve uso de palavra de baixo calão por parte da professora. Também em seu depoimento, J. ,por sua vez, disse que após a discussão tida com sua mulher, a amante ligou para ele pedindo para que jamais assumisse o romance, momento em que ele rompeu definitivamente a relação com ela.

Na ação, M. alega que I. a incomodou por três vezes consecutivas em seu ambiente de trabalho sem, entanto, conseguir provar tais situações, com exceção do dia em que I. de fato compareceu ao local onde ambas discutiram. Ela também negou em juízo ter se relacionado com J. dizendo ser "pessoa muito bem casada, ter dois filhos, um neto e uma família muito bem estruturada". Entretanto, J. assumiu o romance extra-conjugal tido com ela e os colegas de ambos também disseram que a relação era do conhecimento de quase todas pessoas que trabalhavam com eles, sendo que M. frequentemente entregava bilhetinhos e presentes para J. durante o expediente e na frente de todos.

"Quem semeia vento colhe tempestade"

Comentando essa situação, Carlos Alberto França observou: "É interessante notar que M. não fazia questão de esconder, no local de trabalho, o seu interesse no marido de I. e até mesmo o relacionamento entre ambos, situação que, certamente, não a constrangia. No entanto, quando aquele caso foi objeto de reação por parte da enganada I., que foi ao local de trabalho de sua concorrente tirar satisfação, M. se sentiu ultrajada, humilhada e diminuída". Para o juiz, M. deu causa à atitude de I., não havendo obrigação, portanto, de a professora indenizá-la, vez que a atitude dela, ao se dirigir ao local de trabalho de M. foi uma reação ao comportamento adotado pela atendente ao se envolver com um homem casado. "Quem semeia vento colhe tempestade", lembrou Carlos Alberto.

Ainda de acordo com o juiz, I. estava, com sua atitude, apenas tentando salvar seu casamento. "Registre-se que I. foi de uma elevada dignidade, tendo conseguido dialogar e demonstrar a M. que ela estava errada ao manter relacionamento com um homem casado, sem apelar para a ignorância da agressão física e nem mesmo exceder nas palavras dirigidas à mulher que mantinha um caso com seu marido, conseguindo, assim, salvar sem casamento, mesmo tendo de passar pela humilhação de se expor em local público e assumir que estava sendo enganada pelo seu esposo", observou.

Com relação à reconvenção, o juiz também a julgou improcedente - deixando assim de condenar M. a indenizar I. por danos morais - porque, como pondera, não é M. quem tinha jurado fidelidade a I., mas sim seu marido, J. "Verifica-se que aquele que tinha o dever de fidelidade em relação a I. e quem deveria poupá-la do apontado sofrimento e constrangimento era o seu esposo, o qual se envolveu com M", observou o magistrado, acrescentando que "M. , ao se envolver com o esposo de I. não tinha, por certo, a intenção de atingir a esposa traída, mas satisfazer a sua própria vontade, além de não ter qualquer vínculo com I". (Patrícia Papini)

Envie seu Comentário
Os comentários feitos no Cassilândia News são moderados. Antes de escrever, observe as regras e seja criterioso ao expressar sua opinião. Não serão publicados comentários nas seguintes situações:

1. Sem o remetente identificado com nome, sobrenome e e-mail válido. Codinomes não serão aceitos.
2. Que não tenham relação clara com o conteúdo noticiado.
3. Que tenham teor calunioso, difamatório, injurioso, racista, de incitação à violência ou a qualquer ilegalidade.
4. Que tenham conteúdo que possa ser interpretado como de caráter preconceituoso ou discriminatório a pessoa ou grupo de pessoas.
5. Que contenham linguagem grosseira, obscena e/ou pornográfica.
6. Que transpareçam cunho comercial ou ainda que sejam pertencentes a correntes de qualquer espécie.
7. Que tenham característica de prática de spam.

O Cassilândia News não se responsabiliza pelos comentários dos internautas e se reserva o direito de, a qualquer tempo, e a seu exclusivo critério, retirar qualquer comentário que possa ser considerado contrário às regras definidas acima.
Restamcaracteres.
 
Últimas notícias
Scroller Top
Quarta, 07 de Dezembro de 2016
03:14
Loteria
Terça, 06 de Dezembro de 2016
10:00
Receita do Dia
09:00
Maternidade
Segunda, 05 de Dezembro de 2016
21:32
Loteria
13:15
Cassilândia
Scroller Bottom

  • Idalus Internet Solutions
  • TOP DataCenter e Internet
  • Disponível na AppStore
  • Disponível no Google Play
Rua Sebastião Leal, 845, CEP: 79.540-000, Cassilândia (MS)