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05/03/2013 15:06

Meu filho não quer ir para a escola, e agora?

Dr. Sylvio Renan Monteiro de Barros*

As aulas começaram e muitas crianças já se acostumaram com a volta da rotina escolar. Algumas, que choravam no retorno às salas, hoje já não choram e nem se queixam mais. Outras, que tinham receio e insegurança, começam, aos poucos, a criar gosto pelo ambiente e até sentem falta nos dias que não precisam levantar cedo para estudar. Por outro lado, há aquelas que, por algum motivo, ainda se recusam em frequentar a escola. E, nestes casos, o que os pais podem fazer?

Sempre que um pai ou uma mãe chegam a meu consultório com essa aflição, antes de tudo, tranquilizo-os dizendo que considero absolutamente normal uma criança, independente da idade, sentir-se insegura quanto a uma nova realidade que enfrentará, principalmente sabendo que não contará com a companhia e apoio de seus pais.

O que costumo indicar é que os familiares sempre incentivem e mostrem ao baixinho que frequentar a escola é importante para o seu desenvolvimento, e para toda a vida. Os pais devem orientar seus filhos para o fato de que, para se conquistar uma boa qualidade de vida, seja no lar, na sociedade ou no trabalho, há a necessidade de se absorverem informações, sendo a escola um dos melhores locais para obtê-las. A escola é também um excelente lugar para a criança interagir, se divertir e fazer amizades.

Apesar de achar o ingresso ao ensino favorável para qualquer pessoa, porém, não posso deixar de frisar que, hoje em dia, é muito comum vermos crianças cada vez menores já nas escolinhas. Nesses casos, é imprescindível que os pais considerem e analisem se o início ao ambiente de aprendizagem está relacionado à fase de a criança iniciar uma nova etapa de sua vida ou apenas às suas necessidades, por motivo de trabalho.

Se o pai e a mãe se mantiverem firmes no propósito de iniciar as atividades escolares de seu filho, e não estiverem sentindo culpa por este procedimento, dificilmente a criança, após 1 ou 2 semanas de frequência, manterá tal comportamento de rejeição.

Contudo, para aquele baixinho que, mesmo após um período normal de adaptação, ainda reluta à escola, aconselho a busca de um auxílio profissional, com psicólogos, que farão entrevistas com os pais e algumas sessões com o pequeno, chegando a um diagnóstico da situação e orientando seu tratamento. Cabe dizer que, na maioria das vezes, tal indicação é de auxílio psicológico para os geradores, e não para a própria criança.

Muito dos motivos desse desinteresse em ir para a escola pode estar relacionado com algum problema interno da criança com a instituição, como adaptação, acolhimento e relacionamento com coleguinhas. Em algumas situações, quando bem identificadas, pode até ser o tão famoso caso de bullying, mas pra isto, recorra a especialistas nesta área.

Para aqueles casos em que a criança, mesmo após conversa, ainda se mantém firmes na relutância de frequentar o colégio, aconselho que os pais mudem a instituição de ensino na qual a matricularam. Não há necessidade de ser outro programa de ensino, apenas mudar as pessoas que se relacionam com o baixinho, e, em muitos casos, o problema se resolve. Por outro lado, não é “eliminando” obstáculos que se resolverá o problema. Saber enfrentá-los é importante agora e para o futuro. E para isto o apoio dos pais é fundamental.

Por fim, converso com os pais, esclarecendo que a escola, seja ela qual for, também tem que ser um ambiente convidativo, motivacional, prazeroso e marcante, positivamente. Isto influenciará na aprendizagem, na convivência com todos os demais entes da escola, em sua vida. Se ele encontrar isto desde o princípio, certamente vai querer ir todos os dias para a escola!

Dr. Sylvio Renan Monteiro de Barros*

O dr. Sylvio Renan Monteiro de Barros, autor do livro “Seu bebê em perguntas e respostas – Do nascimento aos 12 meses”, é médico formado em 1974 pela Faculdade de Medicina do ABC. Especializou-se em pediatria na Unifesp/EPM, obtendo em seguida título pela Sociedade Brasileira de Pediatria.
Além de curso de especialização prática pela General Pediatric Service da University of California – Los Angeles (Ucla) e a participação em diversos simpósios do setor, dr. Sylvio atuou por quase 30 anos no Pronto Socorro Infantil Sabará e foi diretor técnico do Hospital São Leopoldo, cargo que deixou para se dedicar ao seu consultório, a MBA Pediatria, e à literatura médica para leigos.

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