Cassilândia, Domingo, 04 de Dezembro de 2016

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11/08/2016 11:00

Massa magra explica o EPOC

Portal Educação Física

A literatura está repleta de bons artigos que trazem a informação de que o EPOC existe e tem relação com a intensidade do exercício praticado. Isso é fato! A literatura (quando vista com olhos críticos) mostra que essa diferença de gasto calórico durante o EPOC, quando comparada ao repouso é baixa e de curta duração. Quando essa comparação passa a ser feita entre intensidades de exercício a coisa fica mais estreita ainda.

O estudo que vou mostrar hoje traz uma comparação interessante. Os cientistas Japoneses se perguntaram se a massa livre de gordura poderia influenciar nos valores encontrados no EPOC após exercício de alta intensidade.

A relação entre a massa livre de gordura (MLG) e o excesso de consumo de oxigênio pós-exercício (EPOC) não é bem explicada por causa do número relativamente pequeno de sujeitos estudados. Neste trabalho foram investigados efeitos da alta intensidade em 250 jovens com idade entre 16 e 21 anos, atletas de diversos esportes (Corrida, Rugby, Futebol, Canoagem, Ciclismo e Voleibol). Foi medido o consumo máximo de oxigênio (VO2máx), o EPOC e usando a bolsa de Douglas, a Massa Livre de Gordura (MLG) e a Massa de Gordura (MG) foi medida usando pesagem hidrostática e os resultados da densidade convertida em percentuais por meio da equação de Brozek (1963). O estímulo de atividade foi a realização de esteira na velocidade máxima durante o período de tolerância, esse período durou 45-105 segundos. Após isso o EPOC foi medido durante 40 minutos.

Resultados

Os resultados do estudo passaram por um tratamento de correlação para identificar o que poderia explicar o valor de EPOC e também foi comparado com resultados dos melhores atletas profissionais publicado por Kuroda em (1973). O melhor resultado foi a correlação encontrada entre a Massa Livre de Gordura (MLG) e EPOC, bem como com o VO2máx e Taxa Metabólica de Repouso (TMR). Em segundo lugar, embora tenha achado correlação entre EPOC – VO2max e TMR, após a correção relativizada pela MLG a significância deixou de existir.

Além disso, estes achados sugerem um efeito grande de MLG na EPOC e EPOC/VO2max. Isso poderia ser explicado pela associação de uma MLG alta com mioglobina (transportador e armazenador de oxigênio muscular). Isso seria importante para os atletas, pois a mioglobina desempenha papel importante na ressíntese de ATP ajudando na recuperação entre os estímulos de alta intensidade. Além disso, o uso de curtos períodos de treinamento de alta intensidade melhoraria a força muscular e aumentaria a atividade das enzimas glicolíticas. Dessa forma, uma pessoa com maior MLG apresenta um EPOC maior e uma capacidade anaeróbia também alta.

Vamos às análises críticas.

Estudo com número de sujeitos invejável é muito difícil reunir um grupo tão grande para um estudo. A diversidade de atletas foi interessante e mal aproveitada, por qual motivo eles não fizeram a separação dos grupos para realizar as análises? Eu acharia interessante ter esses resultados também categorizados pelos esportes praticados pelos sujeitos.

Fiquei curioso para saber quanto que é esse valor de EPOC entre os grupos de atletas transformado em Kcal. Quem sabe isso não tenha sido feito pelo fato de as coletas terem acontecido com a bolsa de Douglas, que não permite uma coleta constante, deve ser feita em pontos ao longo do tempo.

Mas mesmo assim eu teria feito uma média dos valores para mostrar as calorias.
A análise da composição corporal foi medida com pesagem hidrostática e converteram usando a equação de Brozek (1963), eles acreditam que essa maneira é padrão ouro. A equação de conversão da densidade em resultados foi validada em 3 homens brancos de idade de 25, 35 e 46 anos. Legal aplicar isso em Japoneses, atletas (diversas modalidades) e com idade entre 16 e 21 anos, super indicado! Além disso, eles associam os resultados a variáveis fisiológicas (que eles não mediram), que é dependente da maturação sexual, como por exemplo, a mioglobina, a própria massa livre de gordura (a parte muscular) e o próprio VO2max.
É pessoal, não adianta querer discutir artigo científico se você não sabe analisar criticamente um estudo. Cada dia mais tem “cientista” mostrando resultado e promovendo “mudança de paradigma”. Alguns adoram dizer; “para saber de treinamento tem que se praticar”. Eu concordo em partes com isso, é totalmente transferível para a parte científica essa afirmação, se você não produz ciência, você não vive ou viveu, você não terá todas as habilidades necessárias para analisar artigos científicos.
CALMA!
Isso pode ser APRENDIDO! Quer ser bom na ciência? Pratique ela no laboratório e na vida! Faça de tudo para fazer iniciação científica durante sua graduação, leia artigos e tire dúvidas com seus professores. Faça parte de um grupo de estudos, aprenda as técnicas e detalhes de montagem de projetos, coleta de dados, análise de resultados e o principal, lembre-se todos os dias que a ciência deve ser algo imparcial.
Link do artigo original, clique aqui.
(Fonte: Dr. Andre Lopes – PhD em Ciências do Movimento Humano – UFRGS. Instagram: @andregym23 . Página do facebook, clique aqui. Currículo Lattes, clique aqui).

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