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10/11/2012 05:18

Manifestação em defesa dos direitos dos guaranis kaiowás em São Paulo

Daniel Mello, Agência Brasil

São Paulo – Com os rostos pintados, um grupo de manifestantes enfrentou a garoa e saiu em passeata, na noite de ontem(9) pela Avenida Paulista, região central da capital, em defesa dos direitos dos índios guaranis kaiowás. Cerca de mil pessoas, segundo a Polícia Militar, desceram pela Rua Augusta, acompanhadas de um carro de som, até o Vale do Anhangabau, local escolhido para encerrar o protesto pelo simbolismo do nome indígena do rio canalizado que passa por debaixo da praça.

Uma das organizadoras do ato, Júlia Decloedt disse que a carta denunciando a situação dos guaranis kaiowás em Mato Grosso do Sul, motivou a manifestação. “É importante que o cidadão saiba que ele também é responsável pela expropriação de terras que está acontecendo lá”, ressaltou. De acordo com ela, um dos organizadores chegou a viajar ao estado para ver de perto a situação dos índios.
No mês passado, uma ação de reintegração de posse ameaçou despejar 170 índios guaranis kaiowás que há quase um ano ocupam parte de uma fazenda da cidade de Iguatemi, em Mato Grosso do Sul. Ameçados de remoção do local que consideram suas terras, os índios divulgaram uma carta em que falavam da possibilidade de “morte coletiva”. A expressão e o tom do texto foram entendidos equivocadamente como uma ameaça de suicídio coletivo.
Para a estudante Camilla Passos, participante da manifestação, a defesa dos direitos dos povos indígenas é uma forma de proteger a cultura brasileira. “A gente não pode deixar que a cultura deles se perca, porque também é nossa cultura”, disse.
A fundadora do Movimento Indígenas em Ação, a índia Sany Kalapalo, declarou que a situação dos índios guaranis kaiowás e a de grande dos indígenas brasileiros é muito difícil. “No Amazonas, os índios estão sendo expulsos de suas terras, as meninas estão sendo traficadas para prostituição. No Nordeste, os índios estão mendigando”, declarou.

Edição: Aécio Amado

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