Cassilândia, Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017

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06/08/2010 08:13

Lembranças de viagem de Carlos Pulino

Carlos André Prado Pulino – médico oftalmologista.

BRUXELAS II
Embarcamos no começo de abril. Aqui, um calorão, e lá temperaturas em torno de 6º. Foi só colocar o pé na escada do avião para descer e já percebemos a diferença daquele ar gelado. Marinheiros de primeira viagem, nós estávamos com camisas de mangas curtas e, ainda na pista, fomos obrigados a abrir a bagagem de mão e pegar nossos casacos, que mesmo sendo totalmente inapropriados para o clima encontrado, pelo menos nos aliviaram um pouco naquela situação.
Nesta viagem, estávamos em três pessoas: meu sogro, meu tio e eu. O tio era o único que já conhecia toda a Europa, e foi ele quem programou todo o passeio. Até seguimos suas orientações quanto à bagagem e roupas a levar, mas fomos todos, nós e os próprios europeus, surpreendidos por uma frente fria que tinha entrado dois dias antes, causando geadas e até mesmo nevando em alguns lugares. Um clima totalmente fora da época, e nós com malhas e roupas para enfrentar o frio de um país tropical como é o nosso.
Bruxelas, não é só a capital da Bélgica, é a maior cidade e também a mais importante do país. Ela é uma cidade linda e tranqüila e foi escolhida como nosso destino pela sua posição geográfica, pois situa-se no coração da Europa. Ficando na região central, nos permitiu fazer um giro por 15 países e voltar até ela para embarcarmos de volta. Foram 34 dias de um entra e sai de trens, cidades, países, que mais pareceu uma maratona!
Na época não havia a União Européia, e cada país tinha a sua própria moeda. Era uma loucura chegar a cada um deles e ter que fazer o câmbio, trocar dólares pela moeda local, cada uma com uma cotação e nome diferentes. A gente perdia a referência dos preços, pois os valores nunca eram iguais nos vários países por onde passamos. No final da maratona a gente já estava craque em fazer as conversões, mas nos primeiros dias era um sufoco. Os monumentos, os restaurantes, a cultura e principalmente a hospitalidade do seu povo, fazem com que a gente se sinta em casa e tenha sempre vontade de voltar. É uma cidade fácil de andar, não é muito grande, e tem um eficiente transporte urbano.
O local preferido pelos turistas é a região central, onde se encontra a Grande Praça, com monumentos e prédios antigos. Eles circundam toda a praça, são em estilo barroco, com fachadas trabalhadas, com vários andares, e abrigam o Hotel da Cidade e a Casa do Rei, embora ele nunca tenha morado ali. Tem também a casa onde viveu Vitor Hugo, famoso escritor francês, que foi exilado por escrever poesias criticando os reis da França. No lado oposto da praça, tem um prédio grande em largura, de uns cinco andares e uma torre mais alta quase no centro. Aqui mais uma lenda diz que o arquiteto que o projetou e construiu, depois dele pronto, ao observar a fachada principal, percebeu que a torre não tinha ficado bem no centro e, de desgosto, subiu até o topo e se atirou lá de cima, vindo a falecer da queda!
A praça existe desde o Século XII e todas as construções foram feitas de madeira. Elas foram totalmente destruídas num incêndio em 1695, e depois levaram quatro anos para serem reconstruídas. Nesta mesma praça, em 1523 os primeiros mártires protestantes, Henri Voes e Jean Van Eschen foram queimados pela Inquisição Espanhola.
Na segunda vez em que estive nesta cidade, num grupo bem maior de viagem e em companhia de minha mulher, ela e todos os demais se encantaram com a Grande Praça. Apesar de na ocasião ser inverno e estar chovendo muito, nada impediu que sentássemos em seus cafés ao ar livre, todos portando guarda chuvas coloridos, rindo e nos divertindo como se estivesse um maravilhoso dia de sol.
Em Bruxelas ainda visitamos uma galeria muito bonita, parecida com aquela de Milão. Lá tem também uma bandeira do Brasil, meio desbotada, mas não deixa de ser uma discreta referência ao nosso país no exterior.
Uma coisa que despertou minha curiosidade nesta cidade é que todas as estruturas como vigas e colunas, de pontes, viadutos, etc... são de aço. Acredito que na época em que foram construídos, lá ainda não havia o domínio do concreto armado, coisa bem mais recente e cuja técnica, um país jovem como o nosso, domina totalmente.
O artesanato belga é muito bonito, há o mundialmente famoso Gobelin, que é um tipo de tecido todo trabalhado com lindos desenhos e com o qual são feitos quadros, painéis, tapetes, centros de mesa, aparadores, tudo com uma riqueza de detalhes e com muito brilho dourado nas gravuras. Há ainda vitrines maravilhosas em luxo e beleza, com cristais de vários tipos, e bordados finíssimos em Richelieu. A gente fica com vontade de comprar um monte de coisas, mas se contem por causa dos preços e porque fica pesado demais carregar coisas nas malas por toda a viagem.
Acredito que quem viaja para a Europa deva incluir Bruxelas no seu roteiro. Realmente vale a pena conhece-la e desfrutar de suas belezas e de sua gastronomia.

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