Cassilândia, Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017

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19/08/2005 08:08

Leia o resumo do depoimento de Delúbio na CPI

Agência Câmara

O ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares confirmou nesta quinta-feira na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito da Compra de Votos que se reuniu com o presidente do Partido Liberal, ex-deputado Valdemar Costa Neto, e com o então presidente do PT, deputado José Dirceu, pouco antes das eleições presidenciais de 2002, para fechar um acordo que garantiu ao PL 25% das arrecadações para a campanha presidencial, estimadas em R$ 40 milhões. Os R$ 10 milhões prometidos ao PL teriam sido pagos, de acordo com o ex-tesoureiro, com saques feitos das contas das empresas de Marcos Valério. A realização da reunião e a promessa do dinheiro foram reveladas em recente entrevista dada por Costa Neto à revista Época. Delúbio afirmou que Lula e José Alencar não participaram do repasse de R$ 10 milhões ao PL.
Porém, Delúbio afirmou que os R$ 457 mil recebidos pelo ex-secretário executivo do Ministério da Integração Nacional Márcio Lacerda, por meio de uma conta da SMP&B, de Marcos Valério, quitaram dívidas feitas por Ciro Gomes para apoiar a campanha de Lula no segundo turno — ou seja, dívidas de campanha do Presidente. Lacerda foi exonerado do cargo no início do mês. Ciro, que também concorreu à presidência, aderiu à candidatura de Lula no segundo turno.

Outros partidos
O ex-tesoureiro revelou que acordos semelhantes foram feitos com o PP, por meio do deputado José Janene (PP-PR), e com o PTB — primeiro com seu ex-presidente José Martinez, morto em 2003, e depois com seu sucessor, deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ). Ele negou, no entanto, os valores divulgados pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ). Segundo Jefferson, o PTB recebeu R$ 4 milhões em duas parcelas. Interrogado pelo relator da CPMI, Ibrahim Abi-Ackel (PP-MG), a respeito dos valores corretos, Delúbio esquivou-se: "As investigações vão permitir conhecer esses números". O ex-tesoureiro aceitou participar de uma acareação com Jefferson.
Delúbio negou, entretanto, qualquer tipo de acordo para aliciar deputados. "O PT nunca comprou deputados, nunca forneceu recursos para deputados votarem de maneira A ou B", declarou.
O ex-tesoureiro esclareceu que ele próprio, na condição de tesoureiro do PT, decidia quem iria receber o dinheiro dos empréstimos, enquanto os recursos eram repassados por Marcos Valério. A CPMI da Compra de Votos deu prazo de oito dias para que ele apresente a lista das pessoas que receberam recursos do PT.

Responsabilidades no partido
Delúbio mais uma vez eximiu o ex-ministro da Casa Civil e deputado José Dirceu (PT-SP) e o então presidente do PT, José Genoino, de responsabilidade sobre os empréstimos. Ele disse que Dirceu sabia da origem dos recursos não contabilizados da campanha de 2002, mas que o ex-ministro não tratou mais de questões financeiras do partido depois de ter assumido a Casa Civil, em 2003. Porém, segundo Delúbio, os deputados com dívidas de campanha sabiam dos empréstimos junto a Valério.
O ex-tesoureiro lembrou ainda que todos os empréstimos foram fechados em reuniões com tesoureiros regionais do partido. Ele afirmou que os empréstimos foram utilizados para cobrir dívidas de campanha do partido no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás e Distrito Federal. Delúbio informou que, atualmente, o valor real da dívida do PT chega a R$ 50 milhões.
Em resposta ao deputado Moroni Torgan (PFL-CE), o ex-tesoureiro do PT afirmou que o pagamento irregular da dívida do partido com o publicitário Duda Mendonça foi decidido pelo Comitê Financeiro da legenda. Já o pagamento regular foi definido pela Executiva Nacional. Ele negou que tenha participação no envio de recursos das empresas de Marcos Valério ao exterior para quitar dívidas com o publicitário Duda Mendonça.

Recursos públicos
O ex-secretário garante que o dinheiro utilizado no esquema para quitar dívidas do próprio PT e dos partidos aliados não incluiu recursos públicos, mas empréstimos tomados pelo PT em nome das empresas de Marcos Valério.
O senador Rodolpho Tourinho (PFL-BA) não concordou. Tourinho lembrou que o PT tem empréstimo de R$ 3,5 milhões com o Banco do Brasil, um banco público. Ele disse ainda que a dívida já teria sido lançada como prejuízo, o que configuraria, segundo o senador, apropriação indevida de recursos públicos.

Traição
Delúbio Soares irritou-se quando o deputado Wladimir Costa (PMDB-PA) lhe perguntou se ele teria traído o presidente Lula. O depoente se recusou a responder à pergunta.
Costa referia-se ao pronunciamento de Lula em rede nacional na última sexta-feira (12), quando declarou que se sentia traído por causa das denúncias de caixa dois e de remessas ilegais de divisas para o exterior.



Reportagem - Edvaldo Fernandes e Oscar Telles
Edição - Patricia Roedel


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