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09/01/2004 15:14

Japão dá sinais de interesse pela carne bovina do Brasil

Janaina Almada/ABr

O ministro da agricultura, Roberto Rodrigues, anunciou que países como a Japão, Tailândia, Taiwan e Coréia, podem ser bons mercados para a exportação de carne bovina brasileira. Segundo Rodrigues, o Japão sinalizou interesse em importar a carne bovina brasileira. “A Ásia não era um mercado exportador pois, no Brasil, a febre aftosa ainda não está totalmente eliminada. Porém, 85% da carne brasileira já é liberada pela OIE (Organização Internacional de Epizootias)”. A partir do dia 25 de janeiro uma delegação brasileira será enviada aos países asiáticos para discutir a exportação brasileira de carne para esses países.

De acordo com o ministro, se esse acordo for fechado, o Brasil irá aumentar muito o seu potencial de exportação de carne, uma vez que apenas o Japão exporta 130 mil toneladas de carne bovina norte-americana. Ele observa que esse aumento nas exportações pode gerar um aumento do preço do produto no mercado brasileiro. “O preço levado ao consumidor pode vir a aumentar. Porém, nós temos demanda para abastecer ambos mercados. Não irá faltar carne para o consumidor brasileiro”. É esperado um aumento entre 10 a 15% nas exportações de carne, uma receita de R$ 600 milhões.

Além de acordos com os países asiáticos, o Brasil está em negociações com os Estados Unidos. “Em fevereiro uma delegação americana visitará o Brasil para analisar a situação de nossos frigoríficos”, lembra Rodrigues.

Neste momento, o Brasil irá investir em pesquisas e no rastreamento de todo o gado importado. “Atualmente existe uma demanda de 180 milhões de cabeças de gado, porém, apenas 9,5 milhões são reconhecidas pelo Sisbov (sistema usado para rastreamento de gado)”, observa o ministro. Ele afirmou também que haverá contratação de inspetores sanitários. “Neste primeiro momento, vamos contratar 500 inspetores. É uma contratação emergencial”. Além dessas medidas, Rodrigues espera também maiores recursos para a área. “Já temos um recurso na ordem de R$ 68 milhões. Estamos negociando mais R$ 60 milhões adicionais, que serão investidos em acordos sanitários”, ressalta.

Parmalat

Em negociação ontem com o presidente da Parmalat Ricardo, Gonçalves, Rodrigues disse que foi acordado o pagamento de todas as dívidas da empresa no dia 16 de janeiro. “Não sabemos como será feito o pagamento, mas seguramente, os produtores deverão receber em dinheiro”, observa Rodrigues.

Porém, de acordo com o ministro, a questão mais preocupante é em relação as cooperativas que vendem o produto exclusivamente para a Parmalat. As cooperativas do Rio de Janeiro são as principais.

Outra grande preocupação de Rodrigues é o “efeito dominó” que a crise pode causar. “O Brasil está no auge da safra leiteira, e toda essa situação pode levar a falência de alguns produtores”, lembra. Segundo Rodrigues a baixa produtividade neste momento pode causar maiores problemas futuros. “Na seca é natural que a produção seja menor, então, os produtores que resolverem parar com a produção agora podem gerar danos na época da seca, podendo, até mesmo, a faltar leite para abastecer o consumidor”.

Rodrigues afirmou, também, que o presidente da Parmalat irá a Itália apresentar uma proposta para a blindagem do mercado brasileiro, separando mercado brasileiro da crise atual. Segundo o ministro essa medida não causará nenhum dano para a produção do leite.

Outra medida que deverá ser tomada será o uso de empréstimos do governo federal (EGF), de R$ 500 milhões, para investimentos, principalmente em tecnologia. “ O que pretendemos é aumentar a produção de leite, e a renda do produtor. Ao invés do produtor vender o leite líquido, ele irá fabricar produtos derivados, como o requeijão, o queijo o doce de leite, entre outras opções”, afirma o ministro. Essa medida será tomada, principalmente, para aumentar a renda do pequeno produtor e estimular a maior produção do leite, para que não haja problemas de abastecimento do mercado consumidor na época da seca em que a produção de leite é menor". Além disso, a compra de 2 mil toneladas de leite em pó, usadas pela Parmalat para o pagamento de dívidas à algumas cooperativas, é uma outra medida que está sendo estudada pelo governo.

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