Cassilândia, Sábado, 16 de Dezembro de 2017

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11/09/2008 10:32

Já são centenas de feridos em confrontos na Bolívia

Bira Martins/Campo Grande News

O ex-estudante de medicina Daniel Castro, de 26 anos, conduz por um ‘city tour’ em Santa Cruz com o tanque de seu táxi sem uma gota de gasolina.

“Gasolina não temos há semanas", diz Daniel apontando para o marcador de combustível. "Porém eu uso gás também, como na maioria dos carros aqui, só não sabemos por quanto tempo ainda”, explica.

O trânsito é caótico, com ‘buzinaços’, pessoas que atravessam as vias correndo em frente aos carros, quase nenhuma sinalização, e nenhum respeito por ela.

Seguimos o surpreendente fluxo, onde mesmo em meio à confusão o táxi avança pelos “anillos”, as vias circulares que dividem a grande cidade de quase 1 milhão e 200 mil habitantes.

No centro do principal palco de conflito entre as forças contrárias e favoráveis a Evo Morales, Daniel, que deixou os estudos de pediatria para ganhar o dinheiro que sustenta sua recém formada família, nos mostra aquilo que considera como os pontos mais interessantes da cidade.

Impessoais bairros de classe alta, condomínios de luxo, lojas de griffes norte-americanas, européias e brasileiras, um ‘Burguer King’, e pontos da cidade que parecem um canteiro de obras de uma versão menor das novas avenidas empresariais de São Paulo.

Não que a cidade de 448 anos não tenha importantes monumentos arquitetônicos, como a bela catedral do século XVI, e mesmo a grande quantidade de construções coloniais que ainda se conservam.

Mas esses são monumentos de um passado remoto, que atraem turistas de outros países. Daniel prefere nos mostrar o futuro das novas construções.

“A cidade cresce apesar do governo”, diz Daniel com certo orgulho. “As pessoas continuam trabalhando mesmo com as dificuldades, e acho que é isso que faz com que Santa Cruz caminhe”, diz o ex-estudante, que se decepcionou com Evo Morales, “não é um homem preparado para resolver problemas tão complicados como os que a Bolívia enfrenta”.

Daniel não é um autonomista, também não acredita na classe política local que se opõe ao presidente, “é uma classe que sempre defendeu interesses que não são os do povo boliviano. Enfim, prefiro confiar na minha pequena força individual e fazer o que posso pelo bem da minha família e nisso não sou diferente de muitos bolivianos que vivem aqui”, diz.

Seguindo viagem - Quando voltou ao hotel para que fôssemos até a rodoviária, seguir a viagem que passaria por Cochabamba e seguiria até La Paz, antes que as rodovias fossem bloqueadas, Daniel trouxe sua mulher e sua pequena filha no carro, para apresentar sua família.
Ofereceu um casaco emprestado, por conhecer a hostilidade com que frio de La Paz trata os incautos, e recusou-se a aceitar pagamento pelo caminho em que seguimos juntos até a rodoviária de Santa Cruz.

Dias depois o conflito se acirrou na cidade. Os autonomistas contrários ao governo central tomaram prédios públicos e já enfrentam forças militares nas ruas.

Em reação, sindicatos agrários, que apóiam o presidente Evo Morales, cercaram Santa Cruz, bloqueando as estradas de acesso à região para provocar o desabastecimento de alimentos e combustíveis na cidade.

Últimas - Em Santa Cruz, 12 pessoas ficaram feridas em confrontos ontem e na terça outros 50. Em Tarija já são 85 feridos, no caso mais grave, um adolescente campesino de16 anos perdeu parte do braço quando manipulava dinamite em um confronto contra os opositores ao governo.
O maior motivo da revolta atual é a implantação do Imposto Direto ao Gás, que tiraria parte do que os estados arrecadam para reverter ao pagamento de imposto de aposentados.

Ontem, a explosão de parte de um gasoduto em Tarija foi um dos atos mais extremos até o momento. Confrontos em Santa Cruz e em Tarija já deixaram dezenas de feridos. Em todo o país, 38 prédios públicos e 4 aeroportos foram invadidos e dominados pelos opositores ao governo Evo. A Polícia também registra saques na região.

A Petrobras admitiu, por meio de nota divulgada à imprensa, que os protestos realizados pela oposição ao governo do presidente Evo Morales afetaram parcialmente o fornecimento de gás natural da Bolívia para o Brasil, mas sustenta que o até o momento não houve “nenhum impacto para o abastecimento de gás natural no país”.

A empresa teve de suspender as operações no oleoduto Transierra, na Bolívia, que abastece o gasoduto Brasil-Bolívia, responsável pela metade da necessidade de gás no Brasil. A medida foi tomada porque manifestantes bloquearam uma válvula de segurança.


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