Cassilândia, Quinta-feira, 08 de Dezembro de 2016

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03/05/2016 09:30

Governo perdoa R$ 579 milhões em dívidas de clubes grandes de futebol

180 Graus

 

O governo federal deu perdão de pelo menos R$ 579 milhões em dívidas fiscais para os grandes clubes brasileiros no programa Profut. Esse valor foi obtido em levantamento do blog nos balanços de 14 dos maiores times nacionais. Mas o número é superior a isso já que algumas agremiações não declararam qual foi o desconto obtido ao aderir ao projeto.

Diante dos valores, a renúncia fiscal do governo federal será maior do que estimado por especialistas. No blog, tributaristas calculavam um desconto total de R$ 800 milhões, e de cerca de R$ 300 milhões para os maiores clubes.

E, apesar do perdão de multas e encargos, os débitos fiscais das agremiações caíram bem menos. As dívidas desses 14 times somam R$ 2,109 bilhões, cerca de R$ 50 milhões a menos do que no ano passado. Isso se deve aos juros aplicados aos débitos, mas há indicativo de que vários times deixaram de pagar impostos já à espera do Profut.

Foram analisados os balanços de Botafogo, Vasco, Flamengo, Fluminense, São Paulo, Santos, Palmeiras, Corinthians, Atlético-MG, Cruzeiro, Grêmio, Internacional, Coritiba e Bahia – o único que não aderiu ao programa foi o time alviverde. Outros times do mesmo tamanho não foram incluídos porque têm dívidas fiscais menores, ou não entraram no Profut.

Pelas condições do programa, houve redução de 70% das multas, 40% dos juros e 100% dos encargos legais. Mais do que isso, as parcelas a serem pagas pelos clubes caíram consideravelmente. Nenhum dos times terá de pagar sequer R$ 1 milhão por mês, apesar das altas dívidas.

O maior desconto foi dado para o Botafogo em um total de R$ 146 milhões. Foi seguido pelo Vasco por R$ 113,5 milhões, e pelo Flamengo com R$ 91 milhões. Todos esses valores proporcionaram superávits aos clubes. O Atlético-MG teve um perdão de R$ 26 milhões, mas já tinha obtido um desconto anterior de R$ 76 milhões. São desses quatro as maiores dívidas fiscais.

Outras agremiações tiveram aumentos de débitos com o governo apesar da adesão ao Profut. Foi o caso do Corinthians cuja dívida saltou para R$ 182 milhões, um crescimento de quase R$ 39 milhões. O clube não informou o desconto obtido junto ao governo.

E dois times que costumavam pagar seus impostos também tiveram saltos no valor devido. O São Paulo, cuja diretoria admitiu ter deixado de pagar tributos em 2015, teve aumento para R$ 82,4 milhões, R$ 21 milhões a mais do que em 2014. O mesmo ocorreu com o Cruzeiro cujo rombo fiscal chegou a R$ 166,5 milhões, R$ 40 milhões a mais do que no ano anterior. Nenhum deles declarou qual o pedrão obtido do governo.

A partir de agora, se algum clube deixar de pagar impostos ou a parcela do Profut, está sujeito a ser excluído do programa e a punições da CBF quando o licenciamento para times entrar em vigor. Isso, claro, se a confederação levar a sério mesmo a norma que está em estudo na entidade.

Veja a lista dos descontos e a dívida fiscal (não é o débito total):

Botafogo – R$ 146 milhões – desconto / R$ 266 milhões – dívida fiscal

Vasco – R$ 113,5 milhões – desconto / R$ 191 milhões – dívida fiscal

Flamengo – R$ 91 milhões – desconto / R$ 265 milhões – dívida fiscal

Fluminense – R$ 59 milhões – desconto/ R$ 163 milhões – dívida fiscal

Internacional – R$ 47 milhões – desconto / R$ 85 milhões – dívida fiscal

Grêmio – R$ 40,5 milhões – desconto / R$ 82 milhões – dívida fiscal

Bahia – R$ 34 milhões – desconto / R$ 87 milhões – dívida fiscal

Atlético-MG * – R$ 27 milhões – desconto / R$ 258 milhões – dívida fiscal

Coritiba – R$ 21 milhões – desconto / R$ 88 milhões – dívida fiscal

Corinthians – Não informou desconto / R$ 182 milhões – dívida fiscal

Cruzeiro – Não informou desconto / R$ 166 milhões – dívida fiscal

Santos – Não informou desconto / R$ 128 milhões – dívida fiscal

São Paulo – Não informou desconto / R$ 82 milhões – dívida fiscal

Palmeiras – Não aderiu ao Profut / R$ 68 milhões – dívida fiscal

* O Atlético-MG tinha obtido um desconto anterior de R$ 76 milhões por adesão a programa fiscal anterior.

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