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18/04/2014 12:39

Ex-babá diz que madrasta tentou asfixiar Bernardo com travesseiro

G1

Uma ex-babá do menino Bernardo Uglione Boldrini afirmou na quinta-feira (17) que o menino foi agredido pela madrasta em novembro do ano passado na casa onde a família morava em Três Passos, na Região Noroeste do Rio Grande do Sul. Segundo Elaine Raber, 47 anos, o garoto procurou ela para contar ter sido vítima de uma tentativa de asfixiamento com um travesseiro.

O menino de 11 anos foi encontrado morto na noite de segunda-feira (14) em um matagal de Frederico Westphalen, cidade a cerca de 80 km de Três Passos. Ele estava desaparecido desde o dia 4 de abril. Segundo a Polícia Civil, o médico Leandro Boldrini, pai do garoto, a madrasta Graciele Ugolini Boldrini e a amiga do casal Edelvania Wirganovicz são suspeitos do crime. Os três estão presos temporariamente.

A babá conta que ao saber do episódio fez contatos com a vó materna de Bernardo, Jussara Uglione, que reside em Santa Maria. Com a informação em mãos, os advogados dela acionaram o Conselho Tutelar e o Ministério Público Estadual. Dias depois, a diarista foi chamada para depoimento na Polícia Civil, mas, segundo ela, omitiu a agressão detalhada por Bernardo a ela “por medo” de sofrer represálias.

“Tinha medo do que poderia vir a acontecer depois que o Bernardo aparecesse. Se eu falasse o que ele falou sobre o travesseiro, o que aconteceu, com certeza eles viriam em cima de mim. Eu sou pobre, não tenho como me defender, como pagar advogado”, explicou Elaine ao G1.

Conforme a babá, Bernardo ainda disse ter sido surrado pela madrasta com um cabo de vassoura. Elaine, porém, evitou dar detalhes sobre a tentativa de asfixiamento. “Antes eu quero falar com a delegada. Preciso contar para ela. Agora tenho certeza que o Bernardo não volta mais”, afirmou.

Elaine, que é técnica em enfermagem e atualmente é merendeira de uma escola de Três Passos, conta ter trabalhado na residência da família de Bernardo entre meados de 2007 e 2009, quando a mãe do menino estava viva. A mulher cometeu suicídio em 2010, segundo apurou a Polícia Civil. A babá diz que na época não notava maus-tratos por parte do pai do garoto, o médico cirurgião Leandro Boldrini, também preso sob suspeita de participação na morte.

“O doutor não estava a par da história do travesseiro. Sempre deu atenção para o Bernardo, brincava com ele na piscina, brincava de carrinho. Ele era um homem muito ocupado, tinha muito serviço”, garante.

Advogado diz que avisou MP e Conselho Tutelar
Desde que o corpo de Bernardo foi encontrado, na última segunda (14), após 10 dias desaparecido, tanto o MP como a Polícia Civil enfatizaram a inexistência de relatos de agressões físicas. De acordo com a promotora Dinamárcia Maciel, o menino sofria negligência afetiva mas, em depoimentos, jamais declarou ter sido agredido fisicamente.

O advogado Marlon Taborda, contratado pela avó materna, disse ao G1 que desde o ano passado usava o relato da babá para solicitar que a guarda provisória de Bernardo fosse repassada para a avó. Via e-mail, o defensor procurou a Promotoria da Infância e da Juventude de Três Passos, que investigava desde novembro as suspeitas de negligência afetiva por parte do pai do menino, para alertar sobre a situação.

O advogado apresentou uma cópia de um e-mail que diz ter sido enviado ao MP originalmente em 22 de novembro e depois reenviado em 6 de dezembro de 2013. Na mensagem, ele manifesta preocupação com a suposta tentativa de asfixia, além da situação do neto de sua cliente, "abandonado pelo pai e com estranhos".

“E o MP nunca me deu retorno se isso (checar a denúncia de agressões) ocorreu ou não. No meu pedido da guarda provisoria (para a avó), essa informação constava. Procurei o Conselho Tutelar de Santa Maria, que deveria ter comunicado o Conselho de Três Passos”, enfatizou o advogado.

Procurada pelo G1, a promotora do caso, Dinamárcia Maciel, não foi localizada. A assessoria de imprensa do MP afirmou que a denúncia do suposto asfixiamento de Bernardo foi checada. Chamada para prestar esclarecimentos, a babá desmentiu, em depoimento, a versão apresentada para a avó materna do menino, diz o MP.

Possíveis indiciamentos
Na quinta-feira (17), a delegada Caroline Virginia Bamberg, responsável pela investigação, afirmou que faltam detalhes para ela ter convicção do crime pelo qual o médico Leandro Boldrini, a madrasta Graciele Ugolini Boldrini e a assistente social Edelvania Wirganovicz deverão ser indiciados.

"A probabilidade disso é bem grande, de que os três sejam indiciados por este crime", disse a delegada, acrescentando que pelo menos dois dos suspeitos podem ser indiciados por homicídio triplamente qualificado. "Ainda faltam detalhes e eu tenho que ver isso", completou.

A polícia também informou que apreendeu três carros, um Fiat Siena cinza, que pertencia a Edelvania, um Mitsubishi L200 prata, da madrasta da criança, e um Hyundai Veloster vermelho, do pai do garoto. Questionada em qual veículo o menino foi transportado para ser enterrado, Caroline não respondeu, mas confirmou que foi encontrada areia no veículo da assistente social.

A delegada afirma que a investigação "tem como praticamente certa" a motivação do crime, mas não confirma. Uma das hipóteses é que Edelvania foi paga pela madrasta do garoto para ajudar. Caroline afirma que a condição financeira da enfermeira era muito superior à da amiga. "Não dá para se comparar o padrão de vida dela com o da madrasta do Bernardo, isso é visível", afirmou.

Caso corre em segredo de Justiça
A investigação corre em segredo de Justiça e poucos detalhes são fornecidos à imprensa. Mas, de acordo com a delegada Caroline, a Polícia Civil diz ter certeza do envolvimento do pai, da madrasta e da amiga da mulher no sumiço do menino. "Precisamos identificar o que cada um fez para a condenação", afirmou.

De acordo com a família, Bernardo havia sido visto pela última vez às 18h do dia 4 de abril, quando ia dormir na casa de um amigo, que ficava a duas quadras de distância da residência da família. No domingo (6), o pai do menino disse que foi até a casa do amigo, mas foi comunicado que o filho não estava lá e nem havia chegado nos dias anteriores.

No início da tarde do dia 4 de abril, a madrasta foi multada por excesso de velocidade. A infração foi registrada na ERS-472, em um trecho entre os municípios de Tenente Portela e Palmitinho. A mulher trafegava a 117 km/h e seguia em direção a Frederico Westphalen. O Comando Rodoviário da Brigada Militar (CRBM) disse que a mulher estava acompanhada do menino.

“O menino estava no banco de trás do carro e não parecia ameaçado ou assustado. Já a mulher estava calma, muito calma, mesmo depois de ser multada”, relatou o sargento Carlos Vanderlei da Veiga, do CRBM. A madrasta informou que ia a Frederico Westphalen comprar um televisor

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