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04/05/2005 14:50

Estudantes da Uems debatem ações afirmativas e cotas

APN

Começam hoje as palestras e debates sobre a política de cotas raciais nas universidades públicas brasileiras. A iniciativa é da Uems (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) em parceria com a CPPIR (Coordenadoria de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial) e pretende alcançar as 15 unidades da Uems em todo o Estado, envolvendo 4.432 acadêmicos. Em Mato Grosso do Sul, já está estabelecida, desde 2003, a reserva de 20% das vagas da Universidade Estadual para negros e 10% para indígenas.

A iniciativa foi sugerida pelo movimento negro sul-mato-grossense, através da CPPIR, e pôde ser efetivada através de parceria com a Uems e de emenda parlamentar do deputado federal João Grandão (PT), que destina R$ 80 mil para este ciclo de debates. Na fase anterior, em fevereiro deste ano, o foco dos trabalhos foram os docentes e técnicos. Desta vez, o foco será os acadêmicos. Foram convidados o ex-deputado federal Ben-Hur Ferreira, um dos autores da Lei 10.639, promulgada em janeiro de 2003, que determina a inclusão de história e cultura afro-brasileira no currículo de escolas públicas e particulares; o deputado estadual Pedro Kemp (PT), autor da lei que estabelece cotas na Uems; o deputado federal João Grandão (PT), que viabilizou recursos para esta ação; militantes do movimento negro e representantes da Coordenadoria de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial.

"A importância desse trabalho é mostrar para toda a comunidade acadêmica a desigualdade racial, com dados e pesquisas científicas que comprovam o tamanho dessa disparidade, que comprovam que negros e indígenas estão em enorme desvantagem em todos os setores da sociedade em relação à população branca. Nós somos o maior percentual de pobres e miseráveis do País, temos maior dificuldade no acesso ao mercado de trabalho, no acesso à cultura e à educação. Este trabalho é para mostrar a importância e a necessidade de se aplicar uma política de cotas como esta no Estado e especificamente na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul", diz a coordenadora de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Ana Sena.

Sena disse sentir resistência por parte da comunidade acadêmica à política de cotas e às políticas afirmativas, mas diz que é uma política importante e necessária, que será capaz de alterar as relações de poder no País, inserindo no ensino superior uma massa de população que até então não tinha esse acesso. Hoje, apenas 3% dos negros brasileiros conseguem ingressar em universidades públicas e menos de 2% concluem o curso.

Ainda, conforme explica a coordenadora da CPPIR, a medida de cotas tem caráter temporário e remediador. "O objetivo da política afirmativa é justamente corrigir distorção na sociedade onde é comprovada uma desigualdade entre determinados segmentos, focando especificamente o segmento que está em desvantagem, para que ele possa alcançar a igualdade. É um trabalho que a gente espera um resultado a médio e longo prazo. Estimamos que possa demorar até três ou quatro décadas para que a gente possa reduzir significantemente e até eliminar essa desigualdade", diz.


Calendário - A primeira unidade da Uems a receber a palestra será a do município de Amambai, hoje, a partir das 19 horas, com a presença do ex-deputado Ben-Hur Ferreira e da coordenadora da CPPIR, Ana Sena. Alguns convidados ainda estão confirmando presença e a agenda preliminar estabelece atividades no dia 5 (quinta-feira) em Cassilândia; dia 6 (sexta-feira) em Ivinhema e Naviraí; dia 9 (segunda-feira) em Nova Andradina; dia 10 em Maracaju e Mundo Novo; dia 11 em Aquidauana e Ponta Porã; dia 12 em Glória de Dourados e Paranaíba e dia 13 em Coxim e Campo Grande. Em Dourados, maior unidade da UEMS no Estado, as palestras e debates devem acontecer no dia 16 (segunda-feira). Mais informações, através do telefone da CPPIR (67) 318-1078 ou pelo e-mail cppirms@net.ms.gov.br.

Vevila Junqueira - APn

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